sexta-feira, 19 de outubro de 2012

LEITE E FRALDAS

Um abrigo para crianças especiais com deficiências, principalmente motoras, (algumas também mentais) tem uma necessidade diária de leite em pó e fraldas descartáveis no tamanho de criança M, G, GG e de adulto P, M.


Estou frequentando um local que está dando assistência a esse abrigo que fica em Jacarepaguá, não sei o nome nem endereço, me comprometo a pegar na próxima quinta-feira.
A responsável pela arrecadação, Flávia, nos disse que visitou o local fora da hora de visita, viu que as crianças estão super bem tratadas - cerca de 30 crianças abandonadas pelos pais devido as suas deficiências e algumas sem pais mesmo. Que o local é bem limpo e que o trabalho é sério. Nos convidou a ir até lá no final do mês para levarmos o que for arrecadado.

Então pensei: Vou colocar no meu Blog e compartilhar no meu mural do facebook, quem sabe alguém possa e queira doar alguma coisa.

Coloco-me a disposição para  ir pegar, caso complique vir trazer porque o que importa é quem quiser e puder conseguir doar e quem precisa receber.

Qualquer dúvida me mandem uma mensagem. Quinta que vem trago mais detalhes do endereço e quem quiser visitar também será bem vindo. O que mais as crianças (todas elas)  precisam é de muito de carinho, colo, abraços, beijos, enfim  se sentirem aceitas,  amadas e parte desse mundo.


COISAS ESQUISITAS

Outro dia comentei com meu filho que era esquisito minha prima estar fazendo 60 anos, ao que  ele com a rapidez da geração Y me perguntou: E quantos anos você tem mãe? Aí achei mais esquisito ainda porque eu estou mais perto dos 60 do que dos 50. Ele tinha que ser tão perspicaz, ah esse meu filho!!!

E agora dei de cara com essa frase de Charlie Harper do seriado Two and a Half Men,  me plagiando ahahah

 'Nossa, que esquisito, meu irmão caçula vai fazer 40 anos. E quantos anos você tem? 
39 , por isso é tão esquisito'.  Charlie Harper - Dois Homens e Meio

Hilzia - out/12

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

PARCERIA

Já houveram momentos em que podíamos dizer um para o outro tudo o que sentíamos, tudo o que
de algum modo era importante para cada um. Éramos parceiros.

Foram longos e gostosos esses momentos e ainda os tenho guardados, na memória apenas alguns,
nos nossos cadernos que acabei de desfolhar muito mais.

Agora tenho a certeza de que não vivi uma ilusão éramos mesmo pessoas especiais um para o outro.
Não há dúvida disso nas nossas palavras, nos nossos desejos demonstrados em palavras e atos um para o outro.

Estão lá registrados com nossas letras, transbordando sentimentos que de tão intensos e vivos me é muito difícil acreditar que se esvaziaram. Porém, no agora não tenho outra alternativa do que me esvaziar de você também.

Reler isso me trouxe a felicidade de saber que o que eu acreditava realmente era vivido, de que não
me enganei durante todo esse tempo em que fomos um do outro.

Tenho saudades de quando cuidávamos do nosso amor por acreditar que ele podia ser eterno. E fazíamos isso com muita destreza e competência.

Não vou ficar aqui lamentando não sermos mais o que acreditávamos, mas com certeza deixo essas linhas
cheia de alegria por ter tido em meu passado alguém como você que me fez feliz durante o tempo que nos
permitimos ser felizes juntos.

Saio saudosa, não triste, porque gostava de semear, lutar, adubar, aguar esse nosso amor.
Tinha a certeza de que ele realmente seria eterno;porém certezas também morrem e aprendi que tudo nessa vida é efêmero, mas se tiver que continuar achará meios e dimensões novas para isso.



Hil
Maio 2010

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Passado- Ausência




Hoje, amanheci com uma questão pairando sobre minha cabeça.

Tenho ouvido e assumido como verdade a célebre frase: "O passado não existe, o futuro ainda não chegou e o que importa é o PRESENTE, O AGORA".

Mas, nessa semana, meu passado veio com muita força me reencontrar, mesmo eu assumindo a postura de que ele já era, que o importante é o que estou vivendo no momento, o fato é que ele sempre será.

E, por isso, ele se dá ao desfrute de me visitar quando bem entender. Eu é que tenho que enxotá-lo, caso não queira estar com ele. E, vamos combinar, não pensar no passado é tão mais relaxante para estar no agora, não é? Faz-nos sentir verdadeiros, leves no novo modo de vida escolhido.

Faz-nos filosofar, até dizendo que “devemos plantar flores no caminho se quisermos perfumes”. Será que é por isso que não nos lembramos do passado antes desta vida?

Tá bom, podemos até não querer lembrar-se dele para nossa preservação, mas, se a gente for fazer uma profunda análise, ele está embutido na nossa essência, no nosso jeito
de ser, no agora e, por mais que a gente corra, ele nos alcança na hora que quiser.

Se considerarmos o passado como algo que já era, estamos condenados a não ter mais história. Não teríamos noção de como nosso país foi iniciado, não saberíamos lidar com nossos netos, afinal, se nossos filhos cresceram e o momento em que cuidamos deles como criança já era, então não saberíamos os cuidados básicos para com uma outra criança nesse nosso agora, que naquela época era um futuro!

Teríamos que iniciar tudo de novo, jogar nossas experiências fora e iniciar uma nova história, com novos personagens, desvalorizando em cada agora o que foi vivido no passado. O passado virou nada, tudo o que foi vivido não vale um tostão furado. O passado líquido.

Creio que dar ao passado o título de “JÁ ERA” e de dar ao “AGORA” uma importância tamanha tem a ver com nosso instinto de sobrevivência, tem a ver com o nosso medo de olhar o que fomos porque queremos fugir do que nos fez mal, do que fizemos mal e inventar um novo agora é a saída para não sucumbirmos ao lado negro da força que existe em cada um de nós.

Lidar com o passado, resolvendo suas pendências, em minha opinião é o mais sensato. Mantendo-o em seu lugar de passado, respeitando-o, respeitando as pessoas que fizeram parte dele e reescrevendo seu agora sem eliminá-lo, fingindo esquecê-lo – porque, meu caro leitor, não se esquece nada vivido, seja ele um momento ruim ou bom.
Acredito que isso magoaria menos seus participantes e nos deixaria seguir em frente de cabeça erguida, sem fazer do agora uma constante fuga, disfarçada de palavras bonitas,
bem colocadas, manipuladas, sem nenhuma profundidade, sem nenhuma emoção, com o intuito de afastar o passado que, como já disse, não se afastará. Vamos apenas dar ao futuro próximo uma negritude de relações com a bandeira de um AGORA novo. Não resolver as pendências do passado é envelhecer com uma bola de ferro no calcanhar.

Claro, todos nós temos o que espertamente chamamos de livre-arbítrio — evocado sempre em situações que nos favoreçam. Dane-se o livre-arbítrio do outro, e viver dessa forma é
uma opção para aqueles que não têm a coragem de se olhar e perceber sua responsabilidade no processo, que preferem deixar as coisas rolarem empurrando com a barriga, manipulando resultados satisfatórios a seu favor, é para aqueles que não são
fortes o suficiente para pedir desculpas, assumir erros, voltar atrás porque voltar atrás denota fraqueza, denota derrota.

Talvez seja também para aqueles que se dão o direito de julgar, condenar e impingir sentenças punitivas. Para aqueles que se sentem ofendidos e acreditam que nunca
ofenderam, para os que não acreditam na lei da “ação e reação”. Para aqueles que não vão ao encontro simplesmente, porque um dia determinaram não ir mais, é para os que têm
razões e verdades indissolúveis e os que determinam o número de chances que devem dar ao outro de errar.

Estes fazem do passado ausência no presente. Então, a vivência de anos no passado se transforma em nada num presente. Para que reinvestir? Para que tentar? Para que procurar os porquês? Melhor se calar e deixar as coisas irem acontecendo até serem esquecidas ou resolvidas de uma forma que não depreenda esforço e que não venham à tona suas responsabilidades.

Estes acumulam dívidas, perdem momentos irrecuperáveis, perdem a oportunidade de preservar amizades, magoam pessoas, mas seguem confiantes num futuro diferente, com
novos perfumes, novas histórias, fingindo bom caráter aos desavisados e acorrentados a um passado não bem resolvido.

Negar o passado, negar resolver suas questões com imposições tirânicas é protelar seu encontro, é postergar a felicidade. Em minha opinião é insanidade da boa.


Hilzia Elane - Maio/2011

Outubro de 86




Lembro que naquela manhã levantei pensativa, tentando lembrar o que eu fazia um ano antes naquele mesmo mês. O que me veio à mente foi estar vivendo a minha vida, tomando decisões sobre mim, assumindo riscos e conseqüências.E apavorada percebi que havia nove meses que eu já não mais tomava decisões apenas por mim mesma, evitava os riscos e vivia para o bem estar de um ser que estava crescendo no meu ventre.

E sabia que naquele dia finalmente eu iria conhecer face to face esse ser que eu sentia e alimentava vinte e quatro horas desde que foi concebido. Percebi você antes de qualquer pessoa, você se mostrou a princípio na transformação da organização de meu corpo.
Aprontei sua bolsa e me arrumei. Cheguei ao hospital, acompanhada de sua madrinha que estava mais nervosa do que eu precisando inclusive de uma dose de glicose na veia para recuperar um quase desmaio emocional.

E eu com o pensamento me martelando: não tem mais volta, não tem mais volta. Não dá para dizer: gente eu quero sair, estou achando que não vai dar para eu segurar essa barra, acho que ainda é cedo para eu ser mãe.

Enquanto eu pensava, a madrinha quase desmaiava, o anestesista entrava e me dizia algo, eu tomava outra coisa e o maqueiro todo alegre entrou dizendo: Enfim, chegou a sua boa hora! Como ele sabia que essa era a minha boa hora? Que essa era a boa hora de qualquer mulher? Ele nunca foi mãe cacete!

Essa é uma hora um pouco tensa isso sim, mas como não dava para fugir chegou uma hora que relaxei e fui contando o numero de lâmpadas que tinha no teto enquanto a mapa deslizava pelo corredor.

Entrei no centro cirúrgico e confesso que fiquei decepcionada, esperava algo mais aconchegante e encontrei uma sala azulejada com macas de ferro, algo assim tipo cirúrgico nada aconchegante para o nascimento de um bebê.

Enfim minha tensão retornou quando o anestesista pediu que eu me curvasse para ser anestesiada. Será que ele não percebeu a enorme barriga que eu apresentava? Que pedir para uma pessoa se curvar de posse daquela barriga era algo insano?Ela não permitia sequer que eu encostasse o queixo no peito quanto mais curvar–me um tiquinho que fosse para frente. A tensão retornou porque tive medo dele errar a mira da coluna, já que na minha opinião eu não consegui curvatura alguma, mas no final deu tudo certo. Lá estava eu adormecendo da barriga para baixo.

Ao me deitarem novamente não sei o que houve, mas danei a falar, falei pelos cotovelos assuntos sem nexos, assuntos desconectados. Então vi o olhar do meu obstetra para o anestesista e fui logo avisando: não me coloca para dormir eu quero ver tudo e ao terminar essa frase levei uma paulada e fui ficando lentinha, lentinha, lerdinha, lerdinha, um amor de pessoa deixando a equipe trabalhar em paz.

Não demorou muito, após o anestesista ter pressionado minha barriga para baixo meu bebê veio à luz. Como eu ainda não sabia o sexo, fiquei aguardando ser comunicada, mas acho que meus ouvidos ficaram anestesiados também e eu não conseguia entender o que o meu obstetra falava e só depois da terceira tentativa  é que fui saber que meu bebê era um menino e o nome dele era Rafael.

Nosso primeiro encontro foi olho a olho, os meus inundados, os deles abertos, arregalados como se quisessem entender onde estava, que claridade era aquela.

Foi bom abraçar você pela primeira vez, tocar seu cabelo, seu nariz arrebitado, suas mãozinhas enrugadas, seus pezinhos miúdos e dedinhos mais miúdos ainda.

Foi aí que tive a resposta para minhas reflexões e a tranqüilidade para minhas aflições. É querida isso aí, esse encontro aí é para sempre, não dá para voltar, não dá para sair de campo e ir jogar em outro time, mas mesmo que pudesse ali eu tive a certeza de que eu não queria voltar atrás, não queria desistir e de que apesar de não saber nadica de nada do que era educar um ser tão frágil e pequenino eu estava disposta a tentar e dar o melhor de mim para fazer dar certo.

Se deu certo? Só saberemos no final e como eu acredito que não há final então caminhante o caminho se faz ao caminhar. Caminhemos e aprendamos durante o caminho porque se vamos chegar, onde vamos chegar – isso nada sabemos.

Parabéns meu libriano.

Hilzia   Outubro 2012 

O ÍNDIO




Um índio era o que ele era, um índio.

Lindo, imponente, flexível, corajoso, resoluto... um índio

Foi como eu o vi acocorado em um galho de uma arvore frondosa esbarrando no infinito, acompanhada por seus pares povoando um espaço de terra fecunda cedida a elas.

Índio de longos cabelos negros, olhos penetrantes enegrecidos pela noite.

Índio de arma e flecha em punho pronto para o ataque se preciso, vigilante na noite calada.

Seu rosto era pintado por uma faixa negra que envolvia o que me encarava sem entendimento da minha presença e usava penas coloridas no colar e em seus longos cabelos. Talvez fosse sua maneira de se enfeitar e tornar-se mais encantador e gracioso ou quem sabe era o que demonstrava sua posição no clã?

O fato é que esse quadro foi o mais belo e mais presencial que minhas pupilas dilatadas da alma puderam presenciar.




Hilzia Elane - outubro 2012

MAIS UM!!!!!!!!! MAS PORQUE VOCÊ ME DESOBEDECEU CRESCENDO???????


Então é finalizado ou inicializado um outro ano.

Agora são vinte e seis, na realidade vinte e sete para a gente que teve um bônus de 9 meses para nos curtir, só nós dois.

Muitas farras, muitas alegrias, muitos atropelos, muitos tumultos, festas de amigos, creche, escolas, chamadas na escolas pela coordenação, até suspensão!!!

Muitos desacertos, acertos, muito blá, blá, blá. Viagens inesquecíveis, outras nem tanto. Risos, raivas, mágoas, decepções de ambas as partes. Na realidade muita expectativa colocada em seres que mal conseguem se ver e se entender.

Mas, tudo valeu, vale e sempre valerá porque você me deu um caminho de crescimento que gostei muito e me fez muito bem, que é o de estar sua mãe e aprender com você o que eu tenho que reformular em mim.

Somos um encontro que já deu certo há muito tempo.

Parabéns meu amor, tenho orgulho de você e acredito que o seu caminho você fará e já está fazendo ao caminhar.

Feliz aniversário filho que sua vida seja sábia, que a harmonia habite sempre a sua família e que essa frase de Shakespeare esteja sempre com você: “Sempre me sinto feliz, sabes por quê? Porque não espero nada de ninguém. Esperar sempre dói”.

E eu acrescento: dói porque nenhum ser humano consegue abranger toda a expectativa do outro, quiçá dele próprio.

Seja feliz é só isso que eu desejo, ache o seu jeito próprio, não dê ao outro esse enorme fardo irrealizável.

Your Mom   Outubro 2012

HÁ BOBOS E OS bObOS


Se é comprovado cientificamente eu não sei, mas minha teoria sobre o boból, aquele tipo Geraldon, é que ele acontece em uma geração e na seguinte não. Essa tendência a se divertir com nada e por nada, apesar do nada e sem nada, saca.

Pois bem, hoje dia das crianças fui acordada por mirmã às 7 da manhã para me desejar feliz dia das crianças, ela estava num pique de duas horas da tarde, cantou, riu - sozinha - até eu entender o que estava acontecendo. Finalizou com um convite para irmos ao supermercado.

Nesse momento pensei que fosse uma piada e caímos na gargalhada uma zoando a outra até desligarmos porque realmente ela ia para o supermercado e estava com pressa. Tentei voltar para a cama, mas uma comichão tomou conta de mim.

Imediatamente sai ligando para meus irmãos desejando um feliz dia das crianças e todos receberam com zoação, rindo, balbuciando como criança,  com todos brinquei mesmo sendo cedo em um dia em que provavelmente todos gostariam de dormir mais um pouco.


Agora de tarde mirmã me liga decepcionada com sua experiência com seus sobrinhos para quem ela ligou no mesmo pique que ligou para mim desejando feliz dia das crianças. 

O diálogo foi:

Ela para todos - Oi bom dia, hoje é dia de bagunça, dia das crianças, parabéns iupi!

Primeiro sobrinhos - não, não vou fazer bagunça, tchau tia.
Segundo sobrinho - ah tá, obrigada tia tchau.
Terceiro sobrinho   -  O que você quer tia, tô mau.
Quarto sobrinho     - ah,  tá bom.

O único do sobrinho que embarcou na bagunça, riu e zoou foi o que tem 30 anos, o resto foram curtos e grossos com a tia cheia de amor para dar, toda se achando.

O que está havendo com essas crianças? Cada dia mais simpáticas!!!!!

Enfim viva o boberol dos maiores de 30.

Aliás não é a toa que a música nos alerta “não confie em ninguém com mais de trinta”.

Hilzia Elane - outubro 2012

CACHOS AZULADOS




Uma coisa que a foto da Mary, uma amiga de longa data,  me fez lembrar sobre laços na cabeça.

Eu sempre quis ter meus cabelos com cachinhos, ele sempre foi muito liso então eu vivia enrolando com o dedo começando nas pontas e levando até o cucuruco, soltando em seguida num lindo cacho. Devo confessar que essa mania não ficou no passado, ainda o enrolo, principalmente quando estou com sono, mas na época o intuito era para ele ficar bem enroladinho.
Na cabeça da criança isso ia acabar dando certo. Um dia o cabelo ia ficar para sempre enroladinho. Claro que o tempo foi passando e cada vez que eu tomava banho os cacho, confeccionados só na frente, iam embora.
Aí um dia enquanto ia para o colégio ou vinha, não lembro, vi na vitrine do armarinho perto de casa um lindo e grande laço azul com várias fitas finas caindo enroladas.

Lembro que vendi meus lápis de cor, minha borracha e o meu apontador e fui direto comprar  o tal laço que passou a ser parte de mim, achava que na minha cabeça ele se transformava em meu cabelo cacheado.

Minha mãe ficava maluca, aonde eu ia queria ir com o laço na cabeça. A roupa podia ser abóbora, verde, lilás, mas o laço azul permanecia no alto, eu me sentia, ele só saia da minha cabeça no banho, mesmo assim porque minha mãe obrigava e aproveitava para lavá-lo e eu torcia para que o cacheado não desmanchasse e ele não desmanchava.

Não sei o destino dado a esse meu lindo lacinho , acredito que minha mãe deva ter desapegado dele por mim. Ela ainda jura que não, mas laços não têm pernas, então...

Coisas de criança não é?


Hilzia Elane – outubro 2012

A NOITE DA MEIA FURADA



Era noite de lua cheia e tudo conspirava para que ela, a noite, fosse promissora.

Brad tinha um encontro com seu amigo Robert, encontro esse já acertado previamente onde ambos supunham iriam se beneficiar de algo renovador.

Ambos estavam em um momento de reforma íntima, de crescimento pessoal. Então sempre que havia palestras e encontros interessantes sobre o assunto iam juntos.

Dessa vez Robert enviou para Brad, via e-mail um fôlder onde anunciava uma palestrante internacional que falaria sobre alguns temas, e o primeiro Um Convite a Intimidade Interior era aberto ao público e gratuito. Brad não pestanejou e local e hora foram marcados para irem juntos. Sairiam mais cedo por causa do trânsito.

Brad de folga em casa na rede embaixo do edredom vendo um filme percebe que a hora já vai adiantada e interrompe tudo para se arrumar, liga para Robert que está no trabalho e diz que está indo.
Congela um pouco no frio enquanto Robert tenta se desvencilhar de um chefe chato numa reunião e desce. Brad achou estranho que Robert tivesse marcado tão cedo para se encontrarem, mas pensou: provavelmente foi para evitar o trânsito pesado. E foi bom porque chegaram logo ao local que admirados e pela primeira vez encontraram uma vaga bem pertinho do local da palestra. Esqueci de dizer que Robert frequenta o local a mais tempo e que Brad havia estado lá apenas uma vez.

Felizes entraram papeando, colocando as novidades em dia e em um determinado momento notaram o local muito vazio e resolveram ir até o fôlder da palestra que estava pendurado numa pilastra e se deram conta de que o horário da palestra era um pouco mais tarde do que Robert tinha fixado, resolveram então lanchar e terminar de colocar as novidades em dia o horário do início da palestra. Robert comentou com Brad que leu sobre o tema da palestra, que ambos ainda não tinham lido, e que achou esquisito, pois viu algo tipo apresentação dos institutos, mesmo assim eles não acreditaram que esse era o sinal para darem meia volta e irem para um barzinho aproveitar melhor a noite. Permaneceram ali naquele astral delicioso, de paz acreditando que a palestra tinha algo a acrescentar na vida deles. Afinal nada é por acaso, não era à toa que eles estavam ali.

O local por si só é uma delícia, a vista primeira ao entrar é uma linda montanha, o vento tremulando as bandeiras dá a sensação de voo das nossas aspirações. Flores enfeitam todos os espaços, a água corre em uma cascata nos brindando com o som da vida em movimento.
Os incensos, os livros, os chás, as comidas tudo remete a um encontro interior. Enfim tudo combinava com as aspirações de Robert e Brad.

Anunciado o início da palestras todos desceram para a sala, retiraram seus sapatos e se aconchegaram, no lugar escolhido, para ouvir a palestrante. Brad insistia em ficar no chão apesar da sua coluna não concordar com isso, pagou alguns micos na hora de sentar, mas estava tão interessado no que ia ouvir que nem se importou.

A apresentadora diz que a palestrante vai brindar o momento com uma surpresa linda e passando a palavra para a palestrante que inicia o encontro com um exercício de energia do coração fazendo com que todos se levantem, prestem atenção no seu coração e levante os braços sentindo a energia do coração fluir para fora pelos braços vagarosamente e depois os baixando senti-la voltando para o mesmo. Eles amaram esse exercício.

A palestra ficou centrada na apresentação de fotos mostrando todos os institutos pelo mundo, seus jardins, suas salas de aula, seus jantares, suas aulas de meditação, seus professores, seus trabalhos. Fotos e mais fotos de retiros onde o resto do público se reconhecia, só Brad e Robert não se viram nas fotos. Foi então que eles perceberam que era um encontro dos efetivos do grupo, de pessoas que há muito estão naquela caminhada, só não entenderam o fato de ter sido anunciado aberto ao público. O público ali era os dois.

Houve uma fala introdutória que rendeu a Robert algo interessante sobre trabalhar. A Brad o exercício do coração valeu estar ali, fora que comprou um incenso bem gostoso. De resto tiveram que ficar lá sentados – Brad com a coluna em frangalhos – durante uma hora e quarenta e cinco minutos ouvindo histórias engraçadas, sérias, filosóficas, porque a cada foto que se apresentava tinha muitas histórias para se reviver.

Teve um momento hilário no qual Brad procurando seu celular para verificar a hora foi interrompido por Robert que lhe disse: “faltam 12 minutos”, não deu para não caírem na risada e com certeza terem olhares de reprovação como teve uma das participantes ao abrir um saquinho de biscoito provocando barulhos.

Saldos da noite de lua cheia:

Robert tem certeza agora que Brad é um amigão e que pode contar com ele para todas as furadas e Robert passou a ser parceiro para as furadas de Brad.
Ambos estão convictos de que precisam ler sobre o que será apresentado nas palestra algo a mais do que ela ser gratuita.
Sabem que foram levados para lá para escaparem de alguma roubada nos outros compromissos que tinham e que desmarcaram para irem a tal palestra.
Que rir e ter bom humor, é muito bom e que vão ter mais essa história compartilhada para contar para os netos.

A furada da noite durou apenas uma hora e quarenta e cinco minutos, o resto do tempo do encontro foi como sempre uma sacra-mentalização de uma amizade de longa data. 

“Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”.



Obs: As verdadeira identidades foram preservadas por motivos óbvios.

 Hilzia Elane
Setembro 2012

QUE PAPO É ESSE DE QUE NINGUÉM MUDA?

‎" Se quer saber, nunca é tarde demais ou cedo demais pra ser quem você quiser ser, não há limite de tempo, comece quando você quiser, você pode mudar ou ficar como está, não há regras para este tipo de coisa. Podemos encarar a vida de forma positiva ou negativa, espero que a encare de forma positiva, espero que veja coisas que surpreendam você, espero que sinta coisas que nunca sentiu antes, espero que conheça pessoas com um ponto de vista diferente, espero que tenha uma vida da qual se orgulhe, e se você descobrir que não tem... espero que tenha forças pra conseguir começar novamente" 

autor?


TODA PESSOA É MUTÁVEL, BASTA QUERER