sábado, 1 de dezembro de 2012

QUANDO A PAIXÃO ACABA DEPOIS DOS 40 ANOS



QUANDO A PAIXÃO ACABA DEPOIS DOS 40 ANOS 
Categoria: Paixão // Autoria: Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva




Sempre tive a mais absoluta convicção que o término de uma paixão era sempre algo doloroso com tons fortes de desespero. Todas as paixões que tive e as que pude observar nos amigos e pacientes confirmaram este aspecto destruidor da paixão acabada. 

Tal era esta certeza que ao viver ou ver alguém nesta triste situação, vinha-me logo a mente a frase da cançãoDe frente pro crime, de João Bosco e Aldir Blanc: "ta lá o corpo estendido no chão!" A paixão é algo tão preenchedor em nossas vidas que, ao experimentá-la por inteiro, temos a impressão que outra pessoa brotou de dentro de nós, um nascimento espontâneo sem uma gravidez antecedente. 

Literalmente parimos o "ser apaixonado" que passa a habitar o escaninho de nossas almas. Por dias ou poucos meses o "ser apaixonado" toma posse do nosso corpo e sai por aí, vivendo intensamente, disfarçado de "nós seres centrados". 

O "ser apaixonado" nos faz sonhar sem críticas ou limites mundanos, faz-nos "malucos beleza" ou loucos elogiáveis. O corpo gera energia antes nunca experimentada, os toques desencadeiam sensações, no mínimo exóticas, a pele se veste de um frescor tão intenso que, ao caminharmos, temos a nítida certeza de que perfumamos as ruas da cidade. Desafiamos as leis, quebramos hábitos quase existenciais, esquecemos do trabalho, da família, dos amigos, das contas, dos prazos e de quem éramos antes de sermos contaminados pelo vírus da paixão. 

Se, por um lado, esquecemos de tudo sem nos darmos conta, por outro, lembramos a todo instante da grandiosidade de Deus! É isso mesmo, pois quando estamos em estado de paixão olhamos o mundo de forma bem peculiar: reparamos nos raios de sol do amanhecer, nos deslumbramos com o céu estrelado e o poder de iluminação da lua cheia, sorrimos mais, choramos o choro do prazer e tocamos o dedo de Deus ao aceitar incondicionalmente o "outro", objeto de nossa paixão, exatamente como ele é. E mais: imploramos que nunca, nunca mesmo ele mude. Mas, como tudo na vida muda (as marés, os ventos, o dias), a paixão também vai desbotando, esmaecendo suas tonalidades, perdendo o brilho, ganhando a palidez dos seres comuns, que vão desmaiar e por fim cair. 

Caiu, levanta! O "ser apaixonado" nunca sequer andou, ele sempre flutuou, plainou acima dos mortais e do bem e do mau. 

E agora que acabou, anoiteceu, a chuva inundou a cidade, os príncipes voltaram a ser sapos e as princesas se perderam em florestas ou foram trancafiadas em sótãos tristes? E agora José? 

Por incrível que pareça, você ainda tem o poder de escolha: ou deita, chora e reza para que o tempo cure as feridas, ou muda seu modo de ver e sentir o ocorrido. Afinal, tudo pode ser bom ou ruim e até assim, assim! Ruim é nunca ter se apaixonado, pior é ter se apaixonado e não ter se permitido chegar até a derradeira gota. Bom é ter a lembrança cinematográfica dos dias em que era herói de si mesmo e de seu cavalo que falava inglês e chinês. Ruim é não ter seguido a paixão e vivenciado em sua plenitude. Bom é ter feito tudo e saber que faria novamente, pois a paixão lhe fez livre, destemido e imbatível por todos, ainda que por pouco tempo. Ruim é se queixar a Deus por ter se apaixonado e, pior, culpá-lo por ter deixado a paixão ocorrer. Bom é agradecer a Deus pelos momentos inebriantes que lhe fizeram lembrar a juventude ousada e liberta, empoeirada no quarto de "cacarecos" do seu interior. 

Melhor ainda é descobrir que a paixão após os 40 anos não é igual às edições dos tempos juvenis. Mas para isso, você precisa vivenciá-la, porque a vida só vale a pena se tivermos uma grande história pra contar!

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

MANCHAR OU PINTAR A BELEZA DE CADA MOMENTO?


Sem pedir licença, sem vergonha alguma você a descreveu com tanta ternura..., ai com tanto dengo...
Incrível como eu nunca a havia notado da forma como você a percebeu, para mim era uma mancha incômoda que você transformou em uma linda pinta...
Ai... Como as doces palavras fazem-nos esmorecer...!
Eu tinha uma linda pinta onde só um amante atento, tântricamente embevecido poderia vislumbrar e você foi magnânimo e foi único em restaurar sua condição.
Eu tenho uma linda pinta, linda, linda, linda que concretizam a máxima de que  pequenos momentos intensamente vividos se eternizam.

Hilzia Elane 21.11.2012

FAÇO MINHAS AS SUAS PALAVRAS DRUMMOND

A um ausente

Carlos Drummond de Andrade

Tenho razão de sentir saudade, 
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu,

enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

JUST REMEMBER




Enquanto eu percebia e absorvia suas mãos entrelaçando minha pele tatuando-a numa busca desenfreada, absorvendo toda essência daqueles caminhos nunca esperados.
Eu meio confusa desabotoava sua blusa encharcada de desejo tamanho , vislumbrando pouco a pouco seu corpo alvo, pintado como o céu pelas estrelas.
Roupas deixadas descuidadamente nos caminhos  abertos pela selvageria da nossa urgência de estar dos lugares onde nos permitimos ser em essência.
Travesseiros soltos, lençóis dispostos a serem  desalinhados participando do vai e vem de paixões ardentes e desenfreadas.
Bocas murmurando palavras elegíveis e inteligíveis desnecessárias no momento de bocas absorvendo a doçura do momento.
Ah seus beijos, seu corpo, suas mãos polvoantes, sua entrega, minha entrega, nossos momentos, os momentos...
Ah tanta gente se esqueceu que as paixões são tão  importantes no alimento do amor universal! Poucos se lembram de permitirem momentos mágicos em suas relações, momentos criados, esperados que fazem tão bem a alma.
É tão difícil olhar o mundo e vê-lo sem ver que tudo mudou, que  tudo muda quando você vem para nós em versos, canções ou apenas nas lembranças lindas que perpetuam em meu coração.
Foi uma honra e um prazer recebê-lo na minha essência.

Hilzia Elane - 17 de novembro de 2012

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

JUST THINK

Em algum lugar, em algum passado algo não resolvido nos estagna no presente de uma forma que nem mesmo aventamos a possibilidade.
Talvez uma amizade, um amor, um elo fraternal de uma existência tão grandiosa que não temos a capacidade de entender totalmente. 
Que direcionemos essa caminhada para uma evolução pessoal e comunitária.
Estamos aqui para sermos melhores do que ontem, fazermos outras escolhas, diferentes ações. 
Somos senhores da nossa longa existência, por isso e para isso, estejamos atentos ao autoconhecimento e ao significado da nossa existência no agora, para que num contínuo reformar possamos chegar a algo que nem mesmo imaginamos que seja, apenas no íntimo sabemos ser algo a alcançar. 
Cada um tem seu ritmo, suas escolhas, seu caminho por isso não há erros nem acertos, há escolhas, negociações e consequências que devemos assumir de bom grado e com a certeza de que somos seres que fazemos História ontem, hoje e sempre.
Hilzia Elane - 15.11.2012

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

DEPRESSÃO - FIQUEM ATENTO AS PESSOAS A SUA VOLTA

A depressão se caracteriza essencialmente pelo humor deprimido e pela perda de interesse.

Estes dois sintomas podem ser acompanhados de:

insônia (acordar mais
 cedo do que o costume) ou sonolência,
alteração no apetite, agitação ou lentidão motora, falta de energia
dificuldade de concentração, pensamentos de suicídio e morte
baixa auto-estima, pessimismo, ideias de culpa e inutilidade
Quando houver humor deprimido e falta de interesse generalizado acompanhado de alguns dos sintomas acima, e persistirem por mais de duas semanas é indício de depressão.

A depressão também pode ser acompanhada de ansiedade.

Quando se torna crônica ou recorrente, prejudica a capacidade da pessoa de lidar com sua vida cotidiana, e na sua forma mais grave, a depressão pode levar ao suicídio.

Segundo a Organização Mundial de Saúde a depressão é uma das principais causas de incapacidade no mundo, afeta cerca de 121 milhões de pessoas em todo o mundo. A previsão é que chegue ao 2º lugar no ranking de doenças.

A depressão é uma dor muito profunda, emocionalmente pode ser vista como a negação: da vida e da morte, que gera a estagnação e a imobilidade diante da vida. Atividade física, alimentação adequada, psicoterapia também são úteis no combate a depressão.

Os florais e a aromaterapia, assim como outras terapias complementares auxiliam dando movimento à esta energia estagnada, mas não substituem o tratamento médico adequado, é importante consultar um médico para verificar a necessidade de medicação.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Enfim prontinho - Achei que ficou lindinho


 Esses serão vendidos mais baratos do que no dia do lançamento e depois on-line pelas livrarias Saraiva, Travessa e Cultura, quem estiver interessada(o) me envia um email, ok



sexta-feira, 19 de outubro de 2012

LEITE E FRALDAS

Um abrigo para crianças especiais com deficiências, principalmente motoras, (algumas também mentais) tem uma necessidade diária de leite em pó e fraldas descartáveis no tamanho de criança M, G, GG e de adulto P, M.


Estou frequentando um local que está dando assistência a esse abrigo que fica em Jacarepaguá, não sei o nome nem endereço, me comprometo a pegar na próxima quinta-feira.
A responsável pela arrecadação, Flávia, nos disse que visitou o local fora da hora de visita, viu que as crianças estão super bem tratadas - cerca de 30 crianças abandonadas pelos pais devido as suas deficiências e algumas sem pais mesmo. Que o local é bem limpo e que o trabalho é sério. Nos convidou a ir até lá no final do mês para levarmos o que for arrecadado.

Então pensei: Vou colocar no meu Blog e compartilhar no meu mural do facebook, quem sabe alguém possa e queira doar alguma coisa.

Coloco-me a disposição para  ir pegar, caso complique vir trazer porque o que importa é quem quiser e puder conseguir doar e quem precisa receber.

Qualquer dúvida me mandem uma mensagem. Quinta que vem trago mais detalhes do endereço e quem quiser visitar também será bem vindo. O que mais as crianças (todas elas)  precisam é de muito de carinho, colo, abraços, beijos, enfim  se sentirem aceitas,  amadas e parte desse mundo.


COISAS ESQUISITAS

Outro dia comentei com meu filho que era esquisito minha prima estar fazendo 60 anos, ao que  ele com a rapidez da geração Y me perguntou: E quantos anos você tem mãe? Aí achei mais esquisito ainda porque eu estou mais perto dos 60 do que dos 50. Ele tinha que ser tão perspicaz, ah esse meu filho!!!

E agora dei de cara com essa frase de Charlie Harper do seriado Two and a Half Men,  me plagiando ahahah

 'Nossa, que esquisito, meu irmão caçula vai fazer 40 anos. E quantos anos você tem? 
39 , por isso é tão esquisito'.  Charlie Harper - Dois Homens e Meio

Hilzia - out/12

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

PARCERIA

Já houveram momentos em que podíamos dizer um para o outro tudo o que sentíamos, tudo o que
de algum modo era importante para cada um. Éramos parceiros.

Foram longos e gostosos esses momentos e ainda os tenho guardados, na memória apenas alguns,
nos nossos cadernos que acabei de desfolhar muito mais.

Agora tenho a certeza de que não vivi uma ilusão éramos mesmo pessoas especiais um para o outro.
Não há dúvida disso nas nossas palavras, nos nossos desejos demonstrados em palavras e atos um para o outro.

Estão lá registrados com nossas letras, transbordando sentimentos que de tão intensos e vivos me é muito difícil acreditar que se esvaziaram. Porém, no agora não tenho outra alternativa do que me esvaziar de você também.

Reler isso me trouxe a felicidade de saber que o que eu acreditava realmente era vivido, de que não
me enganei durante todo esse tempo em que fomos um do outro.

Tenho saudades de quando cuidávamos do nosso amor por acreditar que ele podia ser eterno. E fazíamos isso com muita destreza e competência.

Não vou ficar aqui lamentando não sermos mais o que acreditávamos, mas com certeza deixo essas linhas
cheia de alegria por ter tido em meu passado alguém como você que me fez feliz durante o tempo que nos
permitimos ser felizes juntos.

Saio saudosa, não triste, porque gostava de semear, lutar, adubar, aguar esse nosso amor.
Tinha a certeza de que ele realmente seria eterno;porém certezas também morrem e aprendi que tudo nessa vida é efêmero, mas se tiver que continuar achará meios e dimensões novas para isso.



Hil
Maio 2010

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Passado- Ausência




Hoje, amanheci com uma questão pairando sobre minha cabeça.

Tenho ouvido e assumido como verdade a célebre frase: "O passado não existe, o futuro ainda não chegou e o que importa é o PRESENTE, O AGORA".

Mas, nessa semana, meu passado veio com muita força me reencontrar, mesmo eu assumindo a postura de que ele já era, que o importante é o que estou vivendo no momento, o fato é que ele sempre será.

E, por isso, ele se dá ao desfrute de me visitar quando bem entender. Eu é que tenho que enxotá-lo, caso não queira estar com ele. E, vamos combinar, não pensar no passado é tão mais relaxante para estar no agora, não é? Faz-nos sentir verdadeiros, leves no novo modo de vida escolhido.

Faz-nos filosofar, até dizendo que “devemos plantar flores no caminho se quisermos perfumes”. Será que é por isso que não nos lembramos do passado antes desta vida?

Tá bom, podemos até não querer lembrar-se dele para nossa preservação, mas, se a gente for fazer uma profunda análise, ele está embutido na nossa essência, no nosso jeito
de ser, no agora e, por mais que a gente corra, ele nos alcança na hora que quiser.

Se considerarmos o passado como algo que já era, estamos condenados a não ter mais história. Não teríamos noção de como nosso país foi iniciado, não saberíamos lidar com nossos netos, afinal, se nossos filhos cresceram e o momento em que cuidamos deles como criança já era, então não saberíamos os cuidados básicos para com uma outra criança nesse nosso agora, que naquela época era um futuro!

Teríamos que iniciar tudo de novo, jogar nossas experiências fora e iniciar uma nova história, com novos personagens, desvalorizando em cada agora o que foi vivido no passado. O passado virou nada, tudo o que foi vivido não vale um tostão furado. O passado líquido.

Creio que dar ao passado o título de “JÁ ERA” e de dar ao “AGORA” uma importância tamanha tem a ver com nosso instinto de sobrevivência, tem a ver com o nosso medo de olhar o que fomos porque queremos fugir do que nos fez mal, do que fizemos mal e inventar um novo agora é a saída para não sucumbirmos ao lado negro da força que existe em cada um de nós.

Lidar com o passado, resolvendo suas pendências, em minha opinião é o mais sensato. Mantendo-o em seu lugar de passado, respeitando-o, respeitando as pessoas que fizeram parte dele e reescrevendo seu agora sem eliminá-lo, fingindo esquecê-lo – porque, meu caro leitor, não se esquece nada vivido, seja ele um momento ruim ou bom.
Acredito que isso magoaria menos seus participantes e nos deixaria seguir em frente de cabeça erguida, sem fazer do agora uma constante fuga, disfarçada de palavras bonitas,
bem colocadas, manipuladas, sem nenhuma profundidade, sem nenhuma emoção, com o intuito de afastar o passado que, como já disse, não se afastará. Vamos apenas dar ao futuro próximo uma negritude de relações com a bandeira de um AGORA novo. Não resolver as pendências do passado é envelhecer com uma bola de ferro no calcanhar.

Claro, todos nós temos o que espertamente chamamos de livre-arbítrio — evocado sempre em situações que nos favoreçam. Dane-se o livre-arbítrio do outro, e viver dessa forma é
uma opção para aqueles que não têm a coragem de se olhar e perceber sua responsabilidade no processo, que preferem deixar as coisas rolarem empurrando com a barriga, manipulando resultados satisfatórios a seu favor, é para aqueles que não são
fortes o suficiente para pedir desculpas, assumir erros, voltar atrás porque voltar atrás denota fraqueza, denota derrota.

Talvez seja também para aqueles que se dão o direito de julgar, condenar e impingir sentenças punitivas. Para aqueles que se sentem ofendidos e acreditam que nunca
ofenderam, para os que não acreditam na lei da “ação e reação”. Para aqueles que não vão ao encontro simplesmente, porque um dia determinaram não ir mais, é para os que têm
razões e verdades indissolúveis e os que determinam o número de chances que devem dar ao outro de errar.

Estes fazem do passado ausência no presente. Então, a vivência de anos no passado se transforma em nada num presente. Para que reinvestir? Para que tentar? Para que procurar os porquês? Melhor se calar e deixar as coisas irem acontecendo até serem esquecidas ou resolvidas de uma forma que não depreenda esforço e que não venham à tona suas responsabilidades.

Estes acumulam dívidas, perdem momentos irrecuperáveis, perdem a oportunidade de preservar amizades, magoam pessoas, mas seguem confiantes num futuro diferente, com
novos perfumes, novas histórias, fingindo bom caráter aos desavisados e acorrentados a um passado não bem resolvido.

Negar o passado, negar resolver suas questões com imposições tirânicas é protelar seu encontro, é postergar a felicidade. Em minha opinião é insanidade da boa.


Hilzia Elane - Maio/2011

Outubro de 86




Lembro que naquela manhã levantei pensativa, tentando lembrar o que eu fazia um ano antes naquele mesmo mês. O que me veio à mente foi estar vivendo a minha vida, tomando decisões sobre mim, assumindo riscos e conseqüências.E apavorada percebi que havia nove meses que eu já não mais tomava decisões apenas por mim mesma, evitava os riscos e vivia para o bem estar de um ser que estava crescendo no meu ventre.

E sabia que naquele dia finalmente eu iria conhecer face to face esse ser que eu sentia e alimentava vinte e quatro horas desde que foi concebido. Percebi você antes de qualquer pessoa, você se mostrou a princípio na transformação da organização de meu corpo.
Aprontei sua bolsa e me arrumei. Cheguei ao hospital, acompanhada de sua madrinha que estava mais nervosa do que eu precisando inclusive de uma dose de glicose na veia para recuperar um quase desmaio emocional.

E eu com o pensamento me martelando: não tem mais volta, não tem mais volta. Não dá para dizer: gente eu quero sair, estou achando que não vai dar para eu segurar essa barra, acho que ainda é cedo para eu ser mãe.

Enquanto eu pensava, a madrinha quase desmaiava, o anestesista entrava e me dizia algo, eu tomava outra coisa e o maqueiro todo alegre entrou dizendo: Enfim, chegou a sua boa hora! Como ele sabia que essa era a minha boa hora? Que essa era a boa hora de qualquer mulher? Ele nunca foi mãe cacete!

Essa é uma hora um pouco tensa isso sim, mas como não dava para fugir chegou uma hora que relaxei e fui contando o numero de lâmpadas que tinha no teto enquanto a mapa deslizava pelo corredor.

Entrei no centro cirúrgico e confesso que fiquei decepcionada, esperava algo mais aconchegante e encontrei uma sala azulejada com macas de ferro, algo assim tipo cirúrgico nada aconchegante para o nascimento de um bebê.

Enfim minha tensão retornou quando o anestesista pediu que eu me curvasse para ser anestesiada. Será que ele não percebeu a enorme barriga que eu apresentava? Que pedir para uma pessoa se curvar de posse daquela barriga era algo insano?Ela não permitia sequer que eu encostasse o queixo no peito quanto mais curvar–me um tiquinho que fosse para frente. A tensão retornou porque tive medo dele errar a mira da coluna, já que na minha opinião eu não consegui curvatura alguma, mas no final deu tudo certo. Lá estava eu adormecendo da barriga para baixo.

Ao me deitarem novamente não sei o que houve, mas danei a falar, falei pelos cotovelos assuntos sem nexos, assuntos desconectados. Então vi o olhar do meu obstetra para o anestesista e fui logo avisando: não me coloca para dormir eu quero ver tudo e ao terminar essa frase levei uma paulada e fui ficando lentinha, lentinha, lerdinha, lerdinha, um amor de pessoa deixando a equipe trabalhar em paz.

Não demorou muito, após o anestesista ter pressionado minha barriga para baixo meu bebê veio à luz. Como eu ainda não sabia o sexo, fiquei aguardando ser comunicada, mas acho que meus ouvidos ficaram anestesiados também e eu não conseguia entender o que o meu obstetra falava e só depois da terceira tentativa  é que fui saber que meu bebê era um menino e o nome dele era Rafael.

Nosso primeiro encontro foi olho a olho, os meus inundados, os deles abertos, arregalados como se quisessem entender onde estava, que claridade era aquela.

Foi bom abraçar você pela primeira vez, tocar seu cabelo, seu nariz arrebitado, suas mãozinhas enrugadas, seus pezinhos miúdos e dedinhos mais miúdos ainda.

Foi aí que tive a resposta para minhas reflexões e a tranqüilidade para minhas aflições. É querida isso aí, esse encontro aí é para sempre, não dá para voltar, não dá para sair de campo e ir jogar em outro time, mas mesmo que pudesse ali eu tive a certeza de que eu não queria voltar atrás, não queria desistir e de que apesar de não saber nadica de nada do que era educar um ser tão frágil e pequenino eu estava disposta a tentar e dar o melhor de mim para fazer dar certo.

Se deu certo? Só saberemos no final e como eu acredito que não há final então caminhante o caminho se faz ao caminhar. Caminhemos e aprendamos durante o caminho porque se vamos chegar, onde vamos chegar – isso nada sabemos.

Parabéns meu libriano.

Hilzia   Outubro 2012 

O ÍNDIO




Um índio era o que ele era, um índio.

Lindo, imponente, flexível, corajoso, resoluto... um índio

Foi como eu o vi acocorado em um galho de uma arvore frondosa esbarrando no infinito, acompanhada por seus pares povoando um espaço de terra fecunda cedida a elas.

Índio de longos cabelos negros, olhos penetrantes enegrecidos pela noite.

Índio de arma e flecha em punho pronto para o ataque se preciso, vigilante na noite calada.

Seu rosto era pintado por uma faixa negra que envolvia o que me encarava sem entendimento da minha presença e usava penas coloridas no colar e em seus longos cabelos. Talvez fosse sua maneira de se enfeitar e tornar-se mais encantador e gracioso ou quem sabe era o que demonstrava sua posição no clã?

O fato é que esse quadro foi o mais belo e mais presencial que minhas pupilas dilatadas da alma puderam presenciar.




Hilzia Elane - outubro 2012

MAIS UM!!!!!!!!! MAS PORQUE VOCÊ ME DESOBEDECEU CRESCENDO???????


Então é finalizado ou inicializado um outro ano.

Agora são vinte e seis, na realidade vinte e sete para a gente que teve um bônus de 9 meses para nos curtir, só nós dois.

Muitas farras, muitas alegrias, muitos atropelos, muitos tumultos, festas de amigos, creche, escolas, chamadas na escolas pela coordenação, até suspensão!!!

Muitos desacertos, acertos, muito blá, blá, blá. Viagens inesquecíveis, outras nem tanto. Risos, raivas, mágoas, decepções de ambas as partes. Na realidade muita expectativa colocada em seres que mal conseguem se ver e se entender.

Mas, tudo valeu, vale e sempre valerá porque você me deu um caminho de crescimento que gostei muito e me fez muito bem, que é o de estar sua mãe e aprender com você o que eu tenho que reformular em mim.

Somos um encontro que já deu certo há muito tempo.

Parabéns meu amor, tenho orgulho de você e acredito que o seu caminho você fará e já está fazendo ao caminhar.

Feliz aniversário filho que sua vida seja sábia, que a harmonia habite sempre a sua família e que essa frase de Shakespeare esteja sempre com você: “Sempre me sinto feliz, sabes por quê? Porque não espero nada de ninguém. Esperar sempre dói”.

E eu acrescento: dói porque nenhum ser humano consegue abranger toda a expectativa do outro, quiçá dele próprio.

Seja feliz é só isso que eu desejo, ache o seu jeito próprio, não dê ao outro esse enorme fardo irrealizável.

Your Mom   Outubro 2012

HÁ BOBOS E OS bObOS


Se é comprovado cientificamente eu não sei, mas minha teoria sobre o boból, aquele tipo Geraldon, é que ele acontece em uma geração e na seguinte não. Essa tendência a se divertir com nada e por nada, apesar do nada e sem nada, saca.

Pois bem, hoje dia das crianças fui acordada por mirmã às 7 da manhã para me desejar feliz dia das crianças, ela estava num pique de duas horas da tarde, cantou, riu - sozinha - até eu entender o que estava acontecendo. Finalizou com um convite para irmos ao supermercado.

Nesse momento pensei que fosse uma piada e caímos na gargalhada uma zoando a outra até desligarmos porque realmente ela ia para o supermercado e estava com pressa. Tentei voltar para a cama, mas uma comichão tomou conta de mim.

Imediatamente sai ligando para meus irmãos desejando um feliz dia das crianças e todos receberam com zoação, rindo, balbuciando como criança,  com todos brinquei mesmo sendo cedo em um dia em que provavelmente todos gostariam de dormir mais um pouco.


Agora de tarde mirmã me liga decepcionada com sua experiência com seus sobrinhos para quem ela ligou no mesmo pique que ligou para mim desejando feliz dia das crianças. 

O diálogo foi:

Ela para todos - Oi bom dia, hoje é dia de bagunça, dia das crianças, parabéns iupi!

Primeiro sobrinhos - não, não vou fazer bagunça, tchau tia.
Segundo sobrinho - ah tá, obrigada tia tchau.
Terceiro sobrinho   -  O que você quer tia, tô mau.
Quarto sobrinho     - ah,  tá bom.

O único do sobrinho que embarcou na bagunça, riu e zoou foi o que tem 30 anos, o resto foram curtos e grossos com a tia cheia de amor para dar, toda se achando.

O que está havendo com essas crianças? Cada dia mais simpáticas!!!!!

Enfim viva o boberol dos maiores de 30.

Aliás não é a toa que a música nos alerta “não confie em ninguém com mais de trinta”.

Hilzia Elane - outubro 2012

CACHOS AZULADOS




Uma coisa que a foto da Mary, uma amiga de longa data,  me fez lembrar sobre laços na cabeça.

Eu sempre quis ter meus cabelos com cachinhos, ele sempre foi muito liso então eu vivia enrolando com o dedo começando nas pontas e levando até o cucuruco, soltando em seguida num lindo cacho. Devo confessar que essa mania não ficou no passado, ainda o enrolo, principalmente quando estou com sono, mas na época o intuito era para ele ficar bem enroladinho.
Na cabeça da criança isso ia acabar dando certo. Um dia o cabelo ia ficar para sempre enroladinho. Claro que o tempo foi passando e cada vez que eu tomava banho os cacho, confeccionados só na frente, iam embora.
Aí um dia enquanto ia para o colégio ou vinha, não lembro, vi na vitrine do armarinho perto de casa um lindo e grande laço azul com várias fitas finas caindo enroladas.

Lembro que vendi meus lápis de cor, minha borracha e o meu apontador e fui direto comprar  o tal laço que passou a ser parte de mim, achava que na minha cabeça ele se transformava em meu cabelo cacheado.

Minha mãe ficava maluca, aonde eu ia queria ir com o laço na cabeça. A roupa podia ser abóbora, verde, lilás, mas o laço azul permanecia no alto, eu me sentia, ele só saia da minha cabeça no banho, mesmo assim porque minha mãe obrigava e aproveitava para lavá-lo e eu torcia para que o cacheado não desmanchasse e ele não desmanchava.

Não sei o destino dado a esse meu lindo lacinho , acredito que minha mãe deva ter desapegado dele por mim. Ela ainda jura que não, mas laços não têm pernas, então...

Coisas de criança não é?


Hilzia Elane – outubro 2012

A NOITE DA MEIA FURADA



Era noite de lua cheia e tudo conspirava para que ela, a noite, fosse promissora.

Brad tinha um encontro com seu amigo Robert, encontro esse já acertado previamente onde ambos supunham iriam se beneficiar de algo renovador.

Ambos estavam em um momento de reforma íntima, de crescimento pessoal. Então sempre que havia palestras e encontros interessantes sobre o assunto iam juntos.

Dessa vez Robert enviou para Brad, via e-mail um fôlder onde anunciava uma palestrante internacional que falaria sobre alguns temas, e o primeiro Um Convite a Intimidade Interior era aberto ao público e gratuito. Brad não pestanejou e local e hora foram marcados para irem juntos. Sairiam mais cedo por causa do trânsito.

Brad de folga em casa na rede embaixo do edredom vendo um filme percebe que a hora já vai adiantada e interrompe tudo para se arrumar, liga para Robert que está no trabalho e diz que está indo.
Congela um pouco no frio enquanto Robert tenta se desvencilhar de um chefe chato numa reunião e desce. Brad achou estranho que Robert tivesse marcado tão cedo para se encontrarem, mas pensou: provavelmente foi para evitar o trânsito pesado. E foi bom porque chegaram logo ao local que admirados e pela primeira vez encontraram uma vaga bem pertinho do local da palestra. Esqueci de dizer que Robert frequenta o local a mais tempo e que Brad havia estado lá apenas uma vez.

Felizes entraram papeando, colocando as novidades em dia e em um determinado momento notaram o local muito vazio e resolveram ir até o fôlder da palestra que estava pendurado numa pilastra e se deram conta de que o horário da palestra era um pouco mais tarde do que Robert tinha fixado, resolveram então lanchar e terminar de colocar as novidades em dia o horário do início da palestra. Robert comentou com Brad que leu sobre o tema da palestra, que ambos ainda não tinham lido, e que achou esquisito, pois viu algo tipo apresentação dos institutos, mesmo assim eles não acreditaram que esse era o sinal para darem meia volta e irem para um barzinho aproveitar melhor a noite. Permaneceram ali naquele astral delicioso, de paz acreditando que a palestra tinha algo a acrescentar na vida deles. Afinal nada é por acaso, não era à toa que eles estavam ali.

O local por si só é uma delícia, a vista primeira ao entrar é uma linda montanha, o vento tremulando as bandeiras dá a sensação de voo das nossas aspirações. Flores enfeitam todos os espaços, a água corre em uma cascata nos brindando com o som da vida em movimento.
Os incensos, os livros, os chás, as comidas tudo remete a um encontro interior. Enfim tudo combinava com as aspirações de Robert e Brad.

Anunciado o início da palestras todos desceram para a sala, retiraram seus sapatos e se aconchegaram, no lugar escolhido, para ouvir a palestrante. Brad insistia em ficar no chão apesar da sua coluna não concordar com isso, pagou alguns micos na hora de sentar, mas estava tão interessado no que ia ouvir que nem se importou.

A apresentadora diz que a palestrante vai brindar o momento com uma surpresa linda e passando a palavra para a palestrante que inicia o encontro com um exercício de energia do coração fazendo com que todos se levantem, prestem atenção no seu coração e levante os braços sentindo a energia do coração fluir para fora pelos braços vagarosamente e depois os baixando senti-la voltando para o mesmo. Eles amaram esse exercício.

A palestra ficou centrada na apresentação de fotos mostrando todos os institutos pelo mundo, seus jardins, suas salas de aula, seus jantares, suas aulas de meditação, seus professores, seus trabalhos. Fotos e mais fotos de retiros onde o resto do público se reconhecia, só Brad e Robert não se viram nas fotos. Foi então que eles perceberam que era um encontro dos efetivos do grupo, de pessoas que há muito estão naquela caminhada, só não entenderam o fato de ter sido anunciado aberto ao público. O público ali era os dois.

Houve uma fala introdutória que rendeu a Robert algo interessante sobre trabalhar. A Brad o exercício do coração valeu estar ali, fora que comprou um incenso bem gostoso. De resto tiveram que ficar lá sentados – Brad com a coluna em frangalhos – durante uma hora e quarenta e cinco minutos ouvindo histórias engraçadas, sérias, filosóficas, porque a cada foto que se apresentava tinha muitas histórias para se reviver.

Teve um momento hilário no qual Brad procurando seu celular para verificar a hora foi interrompido por Robert que lhe disse: “faltam 12 minutos”, não deu para não caírem na risada e com certeza terem olhares de reprovação como teve uma das participantes ao abrir um saquinho de biscoito provocando barulhos.

Saldos da noite de lua cheia:

Robert tem certeza agora que Brad é um amigão e que pode contar com ele para todas as furadas e Robert passou a ser parceiro para as furadas de Brad.
Ambos estão convictos de que precisam ler sobre o que será apresentado nas palestra algo a mais do que ela ser gratuita.
Sabem que foram levados para lá para escaparem de alguma roubada nos outros compromissos que tinham e que desmarcaram para irem a tal palestra.
Que rir e ter bom humor, é muito bom e que vão ter mais essa história compartilhada para contar para os netos.

A furada da noite durou apenas uma hora e quarenta e cinco minutos, o resto do tempo do encontro foi como sempre uma sacra-mentalização de uma amizade de longa data. 

“Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”.



Obs: As verdadeira identidades foram preservadas por motivos óbvios.

 Hilzia Elane
Setembro 2012

QUE PAPO É ESSE DE QUE NINGUÉM MUDA?

‎" Se quer saber, nunca é tarde demais ou cedo demais pra ser quem você quiser ser, não há limite de tempo, comece quando você quiser, você pode mudar ou ficar como está, não há regras para este tipo de coisa. Podemos encarar a vida de forma positiva ou negativa, espero que a encare de forma positiva, espero que veja coisas que surpreendam você, espero que sinta coisas que nunca sentiu antes, espero que conheça pessoas com um ponto de vista diferente, espero que tenha uma vida da qual se orgulhe, e se você descobrir que não tem... espero que tenha forças pra conseguir começar novamente" 

autor?


TODA PESSOA É MUTÁVEL, BASTA QUERER

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

ABRAÇAR É MUITO BOM

Ontem me vi envolvida por braços carinhosos, aconchegantes, amigáveis.
Vi meu corpo de volta a um espaço que há algum tempo ele não adentrava.
Eu estava sendo abraçada. Não um abraço de amigo urso, aquele rapidinho de tapinhas no ombro e sim de irmão urso, aquele gostoso, macio, fofo, apertado, firme, suave, de colo acalentador.
Abraços que meu espírito estava saudoso e eu mesma não tinha tomado noção disso.
Abraço no espírito! É isso existe.
Conheci uma pessoa que abraçava sempre com vontade. Ela nunca dava meio abraço, esses abraços de banda, quando abraçava era para valer, ela era toda abraço. Tenho muitas saudades daqueles abraços, mas eles se foram para sempre.
Há alguns anos fui também abraçada de uma forma bem diferente, excentricamente, encantadoramente, incendiantemente,  estonteantemente e concentricamente rumo a minha alma. Abraços deliciosos.
Ontem foram abraços de pessoas estranhas, pessoas que vi pela primeira vez e seus abraços me fizeram sorrir com a alma e eu feito uma criança abraçava-os sempre que tinha uma nova oportunidade e suas receptividades me levavam ao abandono de encontro ao colo que tenho sentido falta ultimamente.
Foi muito gostoso e revitalizante.
Hoje encontrei meu querido amigo Caneca na rua e nos abraçamos demoradamente como nunca dantes nos abraçamos, foi tão bom! E repetimos abraços para matar as saudades que tínhamos um do outro.
Creio que minha carência de abraços já está saindo do negativo, mas não quero mais deixar o nível de abraços negativar novamente na minha vida, então preparem-se porque eu vou abraçar e é  muuuuuuiiiiiiiiittttttttttoooooooooo.


Hilzia Elane
agosto/2012

terça-feira, 21 de agosto de 2012


ORTOPEDIA FACIAL                

QUANTO MAIS CEDO A MÁ OCLUSÃO É INTERCEPTADA MAIS HARMONIOZAMENTE SERÁ CORRIGIDA.

A ortopedia facial visa corrigir as assimetrias ósseas do rosto, mantendo o equilíbrio facial. O objetivo é evitar o crescimento inadequado dos ossos da face e prevenir alterações futuras de mau posicionamento dos dentes, desequilíbrio da oclusão (fechamento da boca), estresse do sistema neuro-muscular, disfunções da articulação da mandíbula com o crânio, chamada de temporomandibular, e até mesmo baixa-estima. 
Ossos faciais grandes ou pequenos demais podem causar distúrbios e problemas como dores de cabeça, desequilíbrio muscular e respiração errada.

Ortopedia facial trabalha em conjunto com o crescimento da criança e visa corrigir assimetrias ósseas, redirecionando, estimulando e até mesmo restringindo o crescimento da mandíbula e/ou da maxila.

Deve ser utilizada por pacientes jovens, já que devem estar em períodos de crescimento ativo para que seja efetiva.

Origem dos problemas ortodônticos e ortopédicos


A mal-oclusão pode ter origem hereditária, ou seja, transmitida de pai para filho. O tamanho dos ossos maxilares e o tamanho dos dentes são típicas influências familiares herdadas.
Outros grupos de problemas são hábitos deletérios adquiridos como a sucção excessiva da chupeta e dos dedos, obstruções respiratórias, cáries dentais, perdas dentárias precoces e traumatismo. A interação destes problemas exige um diagnóstico, planejamento e tratamento minucioso.

Ortopedia Facial : Um Tratamento Interceptativo

Caso se detecte algum problema na criança que exija intervenção, será indicado um tratamento interceptativo (ortopédico). Este tratamento alcançará resultados que não seriam possíveis após o término do crescimento da face.


Dra. Hilzia Elane Bacellar

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Ter amigos, é como arvorear: lançar galhos, lançar raízes... Para que o outro quando olhar a árvore, saiba que nós estamos ali...Que nós permanecemos para fazer sombra, o de aconchego que ás vezes ele precisa na vida...



Obrigada aos meus verdadeiros amigos que são para mim exatamente o que diz o texto de Pe. Fábio.

"Por isso que é bom termos amigos, porque na verdade, as pessoas amigas antecipam no tempo, aquilo que acreditamos ser eterno...
Quando elas são capazes de olhar para nós e descobrir o que temos de bonito. Mesmo que isso, as vezes costuma ficar escondido por trás daquilo que é precário.
Por isso agradeço muito a Deus pelos amigos que tenho. Pelas pessoas que descobriram no que eu tenho de pior, uma coisinha que eu tenho de bom, e mesmo assim continuam ao meu lado, me ajudando a ser gente, me ajudando a ser mais de Deus, ajudando a buscar dentro de mim, a essência boa que acreditamos que Deus colocou em cada um de nós."


Beijocas

UMA HISTÓRIA


Meu nome é Caroline Sophia, me percebo hoje como tendo sido uma mulher, digamos assim, dentro dos padrões da normalidade esperada pela sociedade. Trabalhando na profissão que amava, tinha uma família linda, construída com sabedoria e harmonia ao longo de anos junto a aquele parceiro maravilhoso que escolhi. Claro que tínhamos os percalços normais da vida, mas éramos felizes. Sim era essa a minha vida, gostava de estar nela e de ser dela.

Nunca me imaginei nos braços de outro homem a não ser daquele para o qual eu tinha resolvido que seria para sempre meu parceiro, entretanto não foi bem dessa forma planejada por mim que tudo aconteceu. Pela primeira vez a vida me ensinou que nem tudo que queremos conseguimos. Ela nos prega muitas peças e nos surpreende quando menos esperamos. Arrisco-me a dizer que nós mesmos nos sabotamos e aí todas as verdades construídas ao longo do tempo, todas as alegrias e pessoas que mais amamos para as quais temos um enorme carinho desaparecem da nossa frente como mágica e o curso do rio encontra descaminhos que nos levam às margens jamais imaginadas aportar.

Chorei até minha alma secar, tentei de tudo para ter minha vida de parceria de volta, para que tivéssemos uma chance de rever os erros e quem sabe desatar os nós e afrouxar novamente nossa convivência que era muito gostosa antes de nos desconhecermos, porém todas as minhas tentativas foram em vão.

Mas, não foi para contar essa parte da minha História que resolvi escrever e sim para eternizar aqui meu aprendizado de como a vida me ensinou que sempre existe uma saída, porque não dizer luz para aquilo que achamos ser o mais sombrio dos acontecimentos.

E também para afirmar que reinventar a vida é possível seja com outra nova pessoa ou com a mesma pessoa com quem já se partilhou anos da vida .
Que é saudável não se deixar cair no ostracismo do relacionamento longo, que seduzir e ser seduzido, brincar, ser erótico com seu parceiro é o melhor que levamos da vida a dois.

No meio desse atropelo em que me coloquei ressurgiu, a princípio sem eu saber como e porque, na minha vida uma pessoa de uma forma meio non sense. Ela foi tomando conta do pedaço como se ele sempre tivesse sido dela. Foi chegando de mansinho, sorrateiramente, segura do que queria e eu fui me apaixonando, também de uma forma meio esquisita, por essa pessoinha especial.

Vou tentar falar um pouco dessa criatura maravilhosa. Somos amigos desde crianças, não caro leitor não foi ele quem beijei na brincadeira de pêra, uva ou maçã, naquela época ele era feinho e meus interesses eram por meninos digamos assim bonitinhos. Estudamos juntos, melhor dizendo no mesmo colégio, a sala era diferente, mas nos encontrávamos no recreio.
Éramos o que eu poderia chamar de segura a onda do outro, quando um estava triste o outro tinha a missão de levantar o astral, quando eu tinha problemas com namorados ou paquera ele me dava uma ajudinha e vice e versa. Os namoros e pegações eram assuntos muito em pauta entre nós. Palpites eram dados, várias sugestões sobre diversos assuntos: se era bom ou não ficar com certa pessoa, tomávamos conta um do outro literalmente.

Íamos a bailes juntos, a volta juntos é que não era garantida. Várias vezes fiquei sozinha na madrugada, Rodrigo sempre foi tímido, mas um expert na arte de seduzir, era um típico namorador, eu não ficava atrás, parti muitos corações na minha adolescência, depois que deixei de ser um patinho feio, mas ele bateu todos os recordes nessa área.

Ficávamos horas conversando assuntos variados. Aprendi muitas coisas com ele, nos divertíamos como moleques. Fumei meu primeiro cigarro com ele, foi ele quem me ensinou a tragar. Adorávamos melancia e a briga era ferrenha pelos pedaços, alface com macarrão era nosso prato predileto. Os garçons ficavam estarrecidos quando pedíamos esse prato.

Apesar de tímido tinha o subterfúgio de brincar muito e com isso se sociabilizava principalmente com as meninas. Nunca o vi deixar a peteca cair. Ele sempre foi meio atrapalhado e caladão, saca aquele tipo que fica observando os outros e se ocultando, acho que mais pela timidez mesmo, além de ser menino não é!

Quando começamos a trabalhar fora eu gostava de ir ao trabalho dele na hora do meu almoço só para dizer oi, está tudo bem? E depois sim eu ia almoçar, não tínhamos o mesmo horário de almoço por isso não me lembro de termos algum dia almoçados juntos.

Quando a gente começa a crescer de verdade o tempo começa a ficar escasso e começamos a nos afastar daqueles que nos são caros. E de certa forma foi o que aconteceu conosco, mas sempre que conseguíamos estávamos juntos, sempre trocando idéias, às vezes ele falava de coisas tão confusas, tão inatingíveis para mim que eu boiava, mas adorava ouvir todas aquelas novidades que ele contava.

Um dia ele se apaixonou e casou com uma pessoa que eu não conheci e foi morar numa comunidade alternativa em Mauá. Nem fui a esse casamento, acho que não houve nada tradicional, o fato é que essa distância quilométrica ajudou no nosso afastamento.

Nossos contatos ficaram raros, só em datas festivas pelo telefone, às vezes emails quando precisávamos de favores um do outro e o tempo escasso foi tirando-nos um do outro.

Não tínhamos mais os deliciosos contatos presenciais, não trocávamos mais idéias pessoais, não fumávamos mais juntos por pura curtição juvenil, não saíamos mais para barzinho para ouvir músicas e fofocar, não freqüentávamos mais as mesmas pessoas, mas o macarrão com alface permaneceu presente na minha vida. Fomos aos pouco nos desconhecendo, não mais mudávamos juntos. A vida fez cada um ir para um lado e parecía que não tornaríamos a estar juntos novamente como antes.

E quer saber? Realmente não estaríamos mesmo.

Então, alguns anos depois no meio do atropelo de vida em que me coloquei, tive uma grande e gostosa surpresa quando ele reapareceu.
Confesso que foi um reencontro meio non sense, algo diferente, inimaginável em nossa vida inteira. Como já disse anteriormente ele foi tomando conta do pedaço como se essa nova forma de estar em minha vida sempre tivesse existido. Foi chegando de mansinho, sorrateiramente, seguro do que queria e eu fui me apaixonando, também de uma forma bem diferente por ele.

No início pensei ser apenas um interesse de amizade, fraterno, como que eu ia pensar algo diferente? Conversávamos muito, ríamos muito, era divertido estar com ele pela internet ou pessoalmente. Ele passou a vir me visitar várias vezes. Era como antes, aparentemente como antes.

Ele dizia que o seu trabalho era tranqüilo, gerenciava e por isso tinha tempo para teclar comigo, às vezes uma tarde inteira. Chefe trabalha mesmo muito pouco. Não imaginava o que ele gerenciava em uma comunidade alternativa, o fato é que teclávamos muito e era muito bom.

Com o tempo ele passou a me seduzir descaradamente. Ele me surpreendia, não vou negar que eu gostava muito, mas isso me parecia meio fora de contexto.

Às vezes me passava torpedos pelo celular me atiçando, me seduzindo e eu ficava que nem uma louca a procura do infeliz dos meus óculos para ler e responder igualmente os torpedos - no meio da rua algumas vezes - atiçando-o, instigando-o. Eram momentos deliciosos, inesquecíveis.

Eu estava numa carência de dar dó! Não saia de casa. Minha porta para o mundo era o meu computador, a internet era minha bengala e sabê-lo do outro lado me dava calma, meu medo sucumbia. Medo sim eu tinha muito medo e ele me paralisava.

Escrevia tudo para ele, todos os meus sentimentos, os bons (raros naquela época) e os ruins que quase me levaram a morte.
Quando falei com ele sobre morrer ele disse que me entendia e eu achei o máximo, era a primeira pessoa que entendia o fato de eu querer morrer! Fiquei surpresa e olhando bem nos meus olhos ele me disse em seguida: “mas será que não tem outro jeito de resolvermos essa tristeza que se instalou em seu peito?”. Foi ele quem tirou essa idéia da minha cabeça naquele momento, talvez nem ele saiba disso.

Posso afirmar que me conheceu na essência onde o bom e ruim convivem em sintonia. Ele foi incrivelmente amigo... Cheguei a pensar em ir morar nessa comunidade em Mauá tal a paz que ele difundia, mas não tenho como ainda largar meu emprego e não sei se realmente me sentiria apta a permanecer por muito tempo sem o agito da cidade.

Um dia ele veio pessoalmente e suas intenções eram visivelmente diferentes.

Dois dias antes me escreveu um email onde falava de um decote de uma das minhas blusas e de como ele ficou imaginando o que poderia haver atrás dele e que queria mostrar na prática uma massagem que ele aprendeu.

Sabe aquele alerta que soa na cabeça, normalmente das mulheres, que se fosse traduzir sairia um: PERIGO, PERIGO.

Pois é, fiquei meio aturdida, diria desesperada e muito incrédula, até porque me sentia um breve contra a luxúria naquele momento.
Como assim eu estar sendo paquerada? Eu causar interesse a alguém? Sentia-me sem desejo, estava gorda, feia, desinteressante. Como assim alguém me olhar com desejo? Só podia ser brincadeira e vamos combinar de mau gosto naquelas circunstâncias.

Mesmo assim fui ao encontro com alguma esperança de que aquilo realmente pudesse estar acontecendo e ao mesmo tempo muito nervosa claro, porque a minha certeza é de que era uma brincadeira dele. De amigo querendo levantar a auto-estima.

Assim que eu o encontrei comecei a falar e não parei mais. Falei tanto, mas falei tanto que não dei brecha para nada acontecer, ele me respondia quando conseguia e ria um sorriso gostoso, até hoje não sei se era de mim ou para mim.
Então, depois de um tempo ele me abraçou e sussurrou ao meu ouvido: “tenho que ir agora, mas eu volto”.
Um frio percorreu minha espinha, me arrepiei toda e pensei: ai! ele volta, ainda não estou a salvo! E a dúvida permaneceu na minha cabeça: será que ele está brincando comigo?

Senti um alívio quando ele se foi, não que eu não o quisesse, na realidade não sei mesmo se eu não queria ou se eu estava com medo (novamente ele), afinal eu só tinha ido para cama com o meu marido durante anos a fios. Como assim um corpo novo em meus braços? Como fazer amor com outra pessoa? Principalmente aquela? Como é começar de novo?

Chorei muito, senti raiva do meu ex-marido por me colocar nessa situação. Senti-me culpada por pensar em algo diferente do que tínhamos combinado - eu e o ex.

Quem me aturou foram uma amiga e minha terapeuta, essa achou um absurdo esse meu medo.
Falar é fácil queria ver se fosse com ela.

Enfim, a semana começou e eu ligadinha na internet esperando à hora em que ele entraria no trabalho e me mandava uma poesia dizendo que era o seu carinho do dia para mim. Ele já vinha fazendo isso há alguns meses, desde que nos reencontramos pela primeira vez.

Ao me deparar com o primeiro email da semana obtive a certeza de que as intenções eram realmente outras além de ser um amigo, um ombro para eu poder chorar.

Tudo bem que eu pareço lerda, mas você leitor tente levar em consideração o momento que eu estava vivendo. Eu estava literalmente em depressão, não conseguia visualizar um palmo a frente, vivia chorando, pensando em morrer, como que eu ia acreditar de primeira que tinha alguém interessado em mim e mais ainda em me levar para a cama? E ele era meu amigo, amigo faz cada coisa para ajudar o outro!!!

O email dizia assim:
“Não se preocupe sobre nosso encontro, eu curti muito te ouvir, foi muito legal. Pode falar eu gosto de ouvir você.
Quando acontecer, sinto que vai acontecer e penso que vai ser muito legal, será natural como uma leve brincadeira. Cheguei a sonhar com. Se no sonho foi bom, imagine ao vivo!!!”

Quase surtei! Foi uma mistura de alegria, medo, medo não foi desespero mesmo, um turbilhão de sentimentos. Liguei para minha amiga na hora e ela se limitou a dizer: eu sabia!
Como assim ela sabia e eu não?

Contei para minha terapeuta e ela ouviu tudo caladinha, todos os meus questionamentos, medos, desesperos, razões para não, razões para sim e no final apenas me fez a pergunta: “e porque não?” Caraca tem horas que é melhor ser surda. Ajudou muitíssimo!

Fui para casa e essa pergunta ficou martelando na minha cabeça, aliás, ela ficou martelando até o dia - semanas depois - que ele me informou sua vinda novamente.

“Porque não?”

Esse homem ali me seduzindo, me desejando, me fazendo sentir poderosa, prometendo o céu aqui na terra, quer dizer na cama. Porque não? Resolvi dar corda e por email mandei ver. Senti-me a própria ninfeta.
Bom pelo menos ele não era um garotão e era alguém que eu podia confiar. Tenho amigas que acham super natural transar com garotões, eu não conseguiria, acho que não...

No meio da semana anterior ao nosso reencontro, mais precisamente no dia dos namorados recebi via Sedex uma caixa com vários apetrechos para a nossa primeira vez: óleo de massagem e um CD com umas músicas lindas que ele pediu para eu escolher uma para a nossa primeira vez.

Eu estava diante de um Don Juan, um sedutor delicioso e estava adorando tudo. Como é bom devanear, minha preocupação era não tirar os pés do chão, não me iludir para não me ferrar depois, mas nesses momentos é melhor deixar apenas uma cordinha amarrada na cintura para puxar no devido tempo, o resto é flutuar mesmo até onde os sonhos levarem.

Durante a madrugada anterior a sua chegada eu quase tive uma síncope, não dormi, andei de um lado para o outro, vi tudo que tinha na televisão e eu nem gosto de assistir televisão, acordei minha amiga para papear pelo telefone, comi tudo o que tinha na geladeira, escovei os dentes mil vezes, tomei outro banho, ansiedade? Que é isso, eu ansiosa? Nada haver!

Quando ele chegou pensei que ia morrer de falta de ar, não conseguia falar, não sabia como me portar, andar. Sentia-me meio que uma boneca de pano que não respira, não fala e é desengonçada.

Ficamos meio embaraçados no início até que ele me puxou de encontro ao corpo dele e disse: “vai ter que ser desse jeito senão você vai começar a falar” e me beijou. Caraca que beijo!!

Fui beijada por uns quarenta minutos sem parar, não é mentira, foram quarenta minutos! Tinha um relógio atrás de nós.
Não... não o beijei de olhos abertos, mas em alguns momentos eu dei uma olhadinha, até para ver se o que eu estava vivendo era real ou imaginário, aí eu via os minutos no relógio.

Durante esse beijo ele me acariciou toda e me despiu. Primeiro dos meus brincos, ele conseguiu levá-los ao chão um a um devagar sem pressa. Acarinhava-me ininterruptamente sem tirar sua boca da minha. Fez tudo parecer um sonho de tão mágico.

Quando percebi estava nua diante dele e ele de mim. Confesso que pensei em desistir ali. Meu Deus o que vou fazer agora? Parecia que eu tinha desaprendido tudo.
Então como um mestre, parecendo adivinhar meus pensamentos agarrou-me com uma força deliciosa e me levou para a cama, me fez deslizar até lá e quando me dei conta ele já era meu homem e eu mulher dele.

Falando assim parece fácil, mas devo confessar que não foi nada fácil. Eu não conseguia abrir os olhos e encarar aquele rosto, porque quando isso acontecia, eu caia na real e meio que despirocava.

Vinham pensamentos do tipo: o que eu estou fazendo aqui? Como pude permitir isso? Pensava: quero sumir, será que o que eu estou fazendo é certo? E como vai ficar nossa amizade depois disso? Isso não vai dar certo. O que nossos pais vão dizer?
Enfim, tenho a nítida impressão que naquela cama tinham várias pessoas. Uma suruba!
Para quem fazia sexo com apenas uma pessoa há anos eu estava bem avançadinha.
A finalização desse encontro foi terrível, não sabíamos o que dizer o que fazer, estávamos literalmente sem graça um com o outro ao sairmos do devaneio que foi na cama quando nossos corpos se entregaram de uma forma indescritível e caímos na real.
Não que tivesse sido ruim, na realidade foi um espetáculo, mas o fato de sermos quem éramos nos assustava, amigos de infância!!. Bom, pelo menos me assustava, aliás acho que só a mim.
Certa vez ele me perguntou: você não sabe ter um caso? Como se eu estivesse tendo um! Será que eu estava?

Enfim, ele foi embora e eu corri para a casa da minha amiga e é claro falei, falei, falei e no final disse: não vai mais acontecer, não gostei do beijo dele, ele beija muito mal. Que ridícula!

Minha amiga achou um absurdo o que eu estava dizendo e pacientemente pediu que eu desse uma nova chance a ele. Falou: quem sabe ele também estava nervoso.
Quando contei para minha terapeuta ela riu muito dessas minhas colocações e novamente fez a célebre pergunta: “Porque não?”

Confesso que ele não saiu da minha cabeça e do meu corpo até nos encontrarmos novamente.

Fui ao novo encontro decidida a dizer para ele esquecer o que tinha acontecido, que não era por aí, que eu queria um amigo em quem pudesse confiar, que eu estava confusa porque estava saindo de um relacionamento e blá, blá, blá. Já notou leitor que falar é meu forte.

Não articulei palavra alguma quando o vi, foi como se eu precisasse da energia dele para recarregar a minha. Para minha surpresa eu o desejava demais.

Foi indescritível nosso encontro, ele é maravilhoso em preliminares deliciosas. Nas mãos dele me sinto uma deusa no ritual do amor. Caramba que beijo!!! Como pude dizer que não gostei daquele beijo!? Que tempo que perdi com medo! Medo é um sentimento que paralisa. Odeio ter medo.

Entregamo-nos um ao outro por seis horas seguidas, eu já estava cansada, mas torcendo para que não acabasse nunca aquele momento.

Nossos encontros presenciais foram esporádicos, porém intensos. Regados a incensos, velas, músicas e de carinhos que ficaram eternizados em minha pele.

Pela internet continuávamos nosso jogo de sedução incitando o desejo de ambos para saciá-los no encontro face to face, melhor dizendo corpo a corpo de uma forma inenarrável.

Eu era chamada de desejada, vulcão, menina de Mercúrio. Era arranhada nas coxas, beijada na orelha, acarinhada diariamente via email.

Ele me mandava beijos no decote, falava coisas indecentes, me desejava sonhos molhados. Dizia que estava ansioso para me ver novamente. Confessou-me uma vez que a nossa nova fase dava a ele uma sensação muito gostosa.

Eu não ficava atrás, dizia “te quiero”, sussurrava através do teclado no ouvido dele coisas eróticas. Reaprendi com ele a arte da sedução e me deparei com o fato de que eu não mais seduzia meu marido, de que eu tinha desaprendido ser amante do homem que escolhi para viver a vida inteira. De que eu não investia mais no nosso relacionamento conforme eu tinha prometido.

Claro que além dessa sedução toda existia o nosso espaço de amigos onde voltamos a trocar idéias, falar dos medos de ambos eram papos cabeça mesmo, até falávamos dos nossos relacionamentos anteriores, mandávamos poesias um para o outro, nos conhecíamos mais, falávamos da vida individual do outro, mais eu da minha do que ele da dele, um sedutor nunca é um livro aberto, e ele sempre foi mais caladão ou será que eu é que sempre falei demais?

Adotei essa postura de não perguntar sobre seus relacionamentos atuais para não me machucar, não me envolver ao ponto de sofrer. Mais importante para mim era a amizade, mas claro AMAVA estar com ele na cama, ansiava por seus emails me seduzindo. Achava que desse jeito sempre seria leve e divertido estar com ele.

Não verbalizávamos palavra alguma quando estávamos juntos na cama. Dizíamos tudo com o olhar, com o toque, com a alma e com os beijos, e que beijos!

No encontro seguinte já estávamos mais sintonizados. Dei asas a uma fantasia minha e amarrei as mãos dele com fitas vermelhas na cabeceira da cama e o vendei.
Fiquei surpresa quando vi que ele não se incomodou em ser amarrado e vendado. Então pedi que ele ficasse quietinho e não é que ele ficou!

Massageei, deslizei, beijei, soprei e me deleitei naquele corpo inerte cheio de desejo visualizado no pulsar dos músculos e na respiração ofegante.
Quando eu disse que ele já podia se movimentar e o desamarrei foi minha a festa! Ele acabou comigo. Brincamos por horas a fio até perder a hora.

Era engraçado quando nos encontrávamos nos shoppings, em festas, em reuniões fora do nosso espaço. Sabe aquela sensação de que você está fazendo algo às escondidas, que só nós dois sabíamos? Muito legal!

Houve uma vez que ele veio mais tarde, quase noite. Amamos-nos por horas a fio, é engraçado eu falar desse jeito – amamo-nos - até que ele me pediu o banho que eu havia prometido por email. Puxa foi uma enxurrada de emoções debaixo de águas, massageamos nossos corpos com sabonete cheiroso, transcendemos ao local, a energia que vibrou ali entre nossos corpos eu nunca tinha experimentado, foi algo que me arrepia só de relembrar. Fico pensando e acreditando que atingimos algo muito especial. Vê-lo no gozo foi gratificante.

Fizemos sexo também dentro de um ônibus, cheio de gente em volta. Que loucura!

Com ele fiz coisas que nunca imaginei, com ele fui outra, fui aquela que nunca conheci, que de certa forma tinha receio de presenciar. Com ele a revelei a mim e não me envergonho dela, acho-a deliciosa.

Essa realidade mágica e real durou um ano mais ou menos e enfim as coisas foram mudando de curso. Como tudo que é bom ou mal acaba e nada é para sempre! Discordo dessa filosofia, tem coisas que são para sempre.

Relutei muito durante um tempo e sempre que podia o seduzia e ele não resistia, mas eu já sentia que não era mais a mesma coisa. Ele queria trilhar outros caminhos. Confesso que ainda precisava dele para viver.

Ele foi a minha salvação, foi a mão que me lançou para o ar novamente num momento em que eu me sufocava com minhas mágoas, tristezas e desespero.

Ele me fez sentir bonita, sedutora, me fez sentir mulher na cama e fora dela.

Por causa dele eu me olhei novamente, emagreci, comprei roupas novas, lingeries novas, lençóis novos e lindos, fui à sexy shopping, me arrumei, cantarolei e voltei a sorrir.
Por causa dele eu renovei meus CDs, conheci ritmos novos, vi filmes que nunca veria. Li livros que me mostraram um caminho novo a percorrer. Conheci novos conceitos, me livrei de alguns e renovei outros, viajei horas só para encontrá-lo e amá-lo todos os segundos que estávamos juntos, falei coisas indecentes, fiz coisas indecentes na maior decência.
Com ele aprendi a viver o que temos para viver sem medos, sem culpas. A não me preocupar com o futuro e não me prender no passado. A não sentir culpa, aprendi que o certo e o errado são relativos, a não julgar para não sofrer, a não ter expectativas, que só preciso da minha pessoa para ser feliz. Ele me incentivou a tentar ser feliz diariamente. Por causa dele me vi inteira novamente.

Amo-o de paixão meu menino sedutor, talvez não haja mais ninguém capaz de me encantar como você me encantou. Nunca o esquecerei, nunca deixarei seu corpo deixar o meu, seu beijo deixar minha boca. Minha alma estará para sempre presa a sua. Sentirei saudades, mas a vida continua e o tempo não perdoa quem fica parado.

A mim resta apenas seguir meu curso, essas boas lembranças me dão força para continuar. Lembro delas com muito carinho.

Sua presença na minha vida dessa nova forma foi meteórica, porém intensa. Sabia desde o início que seríamos passagem um na vida do outro, por isso não sofro com sua ausência. Estou com as rédeas da minha vida na mão. Saudades, ah esse sentimento eu não vou conseguir não ter, mas as lembranças serão um bálsamo para ela.

Gosto de lembrar esse meu amigo, esse meu amante, esse meu menino. Sempre que penso nele tudo fica mais gostoso, divertido. As tristezas somem. Consigo viajar para onde eu quero. Mas tenho que confessar que chorei por saber nunca mais.

Nunca me esquecerei de você meu menino de Saturno, que me fez ser criança novamente, me fez leve, divertida e me surpreendeu muitas vezes. Sempre vou te querer e espero que você consiga se encontrar plenamente para ser feliz.

Hilzia Elane Almeida
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