De frente para o penhasco, posso ouvir o chamado que vem ao longe.
Caminho a passos amedrontados e curiosos ao encontro
Do que acredito ser algo imaginário na realidade da minha caminhada.
Do que acredito ser algo imaginário na realidade da minha caminhada.
Desço confiante de que algo de bom me espera.
Dou de encontro com uma brancura margeando um líquido tão azul
Que meus olhos lacrimejam devido ao brilho que é refletido até minhas retinas.
Sigo deixando meus pés tatuados na areia atrás de mim.
Embevecida com tanta beleza tenho a certeza de que não posso retornar.
Vagarosamente meu corpo é envolvido pela frescura da água gelada
Que abraça minhas pernas, minhas coxas, envolve minha cintura e me
Puxa ao seu encontro me acariciando e penetrando todos os poros do meu corpo.
Estou submersa num mundo aparentemente diferente do que conheço.
A leveza do silêncio acolhedor me faz gostar da sensação de estar em meio a tudo e ao nada.
A minha volta circulam peixes prateados, tão pequenos individualmente se agigantando enquanto cardume. Bolhas flutuam saindo da minha boca quando sorrio para eles enquanto sigo meu caminho.
Nado como estivesse caminhando para o chamado que não cessa.
Guerreiros de um reino aquático vêem ao meu encontro para me guiarem até meu destino.
São guerreiros grandes, gentis, fortes e brilhantes que falam comigo telepaticamente e me dão as boas vindas.
Sigo ao encontro de algo que percebo já conheço, mas não recordo. O caminho não me é estranho,
mas é como fosse minha primeira vez.
Não me amedronto enquanto me aproximo, sinto paz, acolhimento e coerência no trajeto.
Não me amedronto enquanto me aproximo, sinto paz, acolhimento e coerência no trajeto.
Não demora e encontro uma menina linda, de pele aveludada, com um vestido rodado lilás com laços coloridos, uma fita na cabeça e uma boneca no colo.
Ela me recebe feliz, feliz pelo meu regresso e sorrir um riso largo para mim. Eu desejo correr para abraçá-la, mas alguma coisa me detém porque percebo que aquela menina me é conhecida.
Reconheço-me naquela profundidade, naquela inocência e relembro que sou essa que me chama ao encontro.
Estou indo ao encontro de mim mesma e antes de me aproximar mais fico quieta absorvendo toda a sua ternura, toda a sua simplicidade, coerência, sabedoria e paciência em me aceitar de volta depois de tanto tempo esquecida.
Retorno para onde não deveria ter saído, mas foi preciso. Faz parte dessa viagem circular que inicia e termina na nossa pura essência.
Abraça-me bem forte menina, estou de volta e tenha certeza não a deixarei mais.
Estou, enfim de volta!
Hilzia Elane 27 de fevereiro de 2011
Maravilhoso: delicado, sensível e pura emoção!
ResponderExcluirbjkas.
Liindoooooooooooooooooo
ResponderExcluirQue lindo!! É isso aí! De volta às coisas mais simples da vida!!
ResponderExcluirParabéns, menina!
ResponderExcluirBjs,
Nete