Acho que se pudesse escolher uma palavra essencial para um relacionamento dar certo eu escolheria "sincronia". Isso porque se você ama mais do que o rapaz te ama, a tendência é que um dia você se sinta prejudicada e o relacionamento acabe. Da mesma forma, se você for companheira dele no que ele quer fazer e ele não for no que você quer fazer isso também pode te fazer se sentir lesada no relacionamento. E vice-versa.
É preciso ter sincronia em tudo num relacionamento. Até no sexo. (Na verdade, principalmente...!)
Há algum tempo, eu estava flertando (quando a gente começa usar essas palavras antigas percebe o quanto está envelh... er... amadurecendo!) com uma garota maravilhosa. Alta, linda, loira, olhos verdes e carinha de anjo. Era meu sonho de consumo. Meiga e bonequinha. Gosto de mulheres assim, tipo personagem de filme.
Marcamos de sair para jantar e o papo foi ficando bom, e o vinho foi subindo ("in vino, veritas!") e o negócio foi esquentando e acabamos em um lugar beeem íntimo para casais.
No meio do caminho, fui pensando "Puxa, é melhor eu ir com calma, porque ela é bem meiga e eu não quero assustá-la. Quero vê-la outras vezes".
Quando fechei a porta, ela sorriu, me empurrou para a cama, subiu em cima de mim, me prendeu os braços com as pernas.
- O que eu sou sua?
E me deu um tapa no rosto.
- Fala, o que sou sua?
Fiquei com medo de dar a resposta errada e ela enfiar o dedo no meu olho. E veio outro tapa.
- Eu... hã... você...
- Fala, desgraçado!
Pela violência, achei que ela queria ouvir umas sacanagens. Então...
- Você é minha...(o que dizer?) gostosa!
- Mais!
Aquela palavra sacana não foi sacana o suficiente. Outro tapa. Ela podia ter tirado o anel, mas nem isso.
Você é minha... tesuda!
Essa palavra aí é estranha e feia, mas eu não sabia o que ela queria. Precisava experimentar outros vocábulos. Mas ah, minha filha, como, na hora do desespero, as palavras faltam...!
- Eu sou sua puta, seu tarado!
Tarado eu? A meiguinha ali escondia uma ninfomaníaca sadista e o tarado sou eu? Tempos depois, sempre que eu a encontrava, procurava baixar os olhos e medir as palavras, afinal, conhecia o potencial colérico da moça.
Confesso que fiquei meio assustado. Não sou chegado à violência, nem de brincadeira.
Nem tudo entre quatro paredes vale, principalmente porque, em uma das paredes, sempre tem uma porta, e, fora dela, há consequências. Físicas, morais e sentimentais.
Físicas porque tapinhas DOEM sim! E deixam marcas que precisarão ser justificadas.
- Chupão? Que chupão?
- Esse aí no seu pescoço.
- Foi... a Samara!
- Sua poodle? Como ela fez isso?
- Er... bem... cada pergunta, hein!? Vai dizer que seu basset nunca chupou seu pescoço?
- Nunca. Ele nem alcança.
- Nem uma vez?
- Não.
- É, a Samara não é muito carinhosa quando esqueço a ração dela...
Morais porque esses apelidinhos de cama podem não ser bem recebidos.
- Isso, minha cachorra! Não para!
- Como é?
- Como é o quê?
- Me chamou do quê?
- ...de ...cachorra...!
- (...)
- Peraí, não põe o sutiã não.
- Me guardei pra você, sabia?
- Como assim "se guardou?" A gente se conhece há uma semana!
- Não interessa! Achei que você tivesse respeito por mim. E me chama de cachorra?
- Mas é apelido de cama!
- Não gosto.
- Então tá: do que posso te chamar na cama?
- Ai, eu gosto de ouvir o meu nome no diminutivo! Me excita!
- Tá bom: te chamo de "Isadorinha". De que mais?
- Hum... também gosto de ouvir no pé do ouvido o nome da minha irmã... no diminutivo...
- ?????
- E também gosto que me chame com o nome do meu irmão no dimin... ei, aonde vai? Cê tá pelado!
E sentimentais porque, em começo de relacionamento, sempre é preciso saber onde está pisando antes de dizer algo que compromete.
- Quero te falar uma coisa.
- Fala!
- Eu te...
- Eu também te amo!
- ????
- Você me ama?
- Não era isso o que você ia dizer?
- ...eu ia dizer que te acho linda.
(Som de grilos)
O toque é levar os relacionamentos como se estivesse jogando aquele brinquedo Genius, em que uma luz de uma cor acende e você deve apertá-la. Aí ela acende de novo, seguida de outra cor, e você vai apertando na sequência, sempre aparecendo uma luz de cor diferente. Brinque de Genius com seu amor. Antes de fazer ou falar algo importante, dê uma sondada para ver se o seu amor está em sincronia com você. Se sentir que a pessoa não está preparada para ver ou ouvir aquilo naquele momento, continue agindo como de costume, mas sempre com um detalhezinho a mais. Uma hora a pessoa estará preparada para ouvir aquele "eu te amo" ou aquela sacanagem gostosa. O problema de se falar as coisas na hora errada é que, mesmo pedindo desculpas depois, o encanto pode-se perder, e as coisas não voltam a ser o que eram. Porque já diz aquele velho provérbio chinês: "Há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida".
Há alguns meses, eu me encontrei com a ninfomaníaca sadista sob o rostinho de garota meiga e bonequinha. Mas eu estava preparado para ela: tinha pesquisado um monte de termos novos na internet, a maioria deles não tenho coragem de repetir aqui.
Como foi? Não acham que estão querendo saber demais?
Por Edson Rossatto no seu blog http://www.toquesparamulheres.com/
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