O que é o casamento, afinal, se não um modo de obter o êxtase supremo?
Para mim, essa pergunta era dificílima de responder, porque o casamento, pelo menos como entidade histórica, tem a tendência de resistir às tentativas de definição em termos simples. Parece que ele não gosta de ficar muito tempo sentado para que alfuém possa fazer u retrato bem nítido. O casamento muda. Muda com o passar dos séculos do mesmo modo que muda o tempo na Irlanda: sempre, depressa e de forma surpreendente. Não dá nem para apostar com segurança na definição mais redutora e simples que o casamento é a união sagrada de um homem e uma mulher. Em primeiro lugar, nem sempre o casamento foi considerado "sagrado", nem mesmo na tradição cristã. E, para ser honesta, na maior parte da história humana o casamento foi geralmente considerado como união entre um homem e várias mulheres.
Mas às vezes o casamentos foi visto como união entre uma mulher e vários homens (como no sul da Índia, onde vários irmãos podem dividir a mesma noiva). Ás vezes o casamento também foi reconhecido como união entre dois homens (como na antiga Roma, onde os casamentos entre homens e aristocratas chegaram a ser reconhecido por lei); ou como união entre dois irmãos (como na Europa medieval, quando havia propriedades valiosas em jogo); ou como união entre duas crianças (novamente na Europa, combinada por pais que queriam proteger heranças ou por papas que detinham o poder); ou como união entre não nascidos (idem); ou como união entre duas pessoas limitadas a mesma classe social (mais uma vez na |Europa, onde era comum os camponeses medievais serem proibidos por lei de se casar com os seus superiores para manter na mais perfeita ordem as divisões sociais).
Ás vezes o casamento também foi considerado uma união deliberadamente temporária. No Irã revolucionário moderno, por exemplo, os casais jovens podem pedir ao mulá uma licença de casamento especial chamada sigheh: um passe de 24 horas que permite ao casal estar "casado" só por um dia. Esse passe permite que um homem e uma mulher sejam vistos juntos em público sem problemas e até fazer sexo legalmente, criando uma forma de expressão romântica provisória protegida pelo casamento e sancionada pelo Corão.
Parte do livro : Comprometida de Elizabeth Gilbert
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