quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A HISTÓRIA DE LIZAH – CINCO





Quem é Lizah Breuy? A pergunta da terapeuta ressoa pelas paredes da sala e a absorvo temente.

A primeira resposta que vem a minha cabeça é: Lizah é uma idiota, uma burra.

Respiro antes de responder e nesse breve instante eu vejo uma Lizah inteligente, esperta, ávida pela vida e me pergunto: Como posso achá-la idiota e burra?

E nessa breve confabulação com meu eu percebo que idiota e burra não são bem os termos, mas não encontro o termo para definir Lizah durante o tempo em que viveu uma vida que ela acreditava ser maravilhosa. Inocente seria a palavra? Como uma mulher da minha idade podia ser inocente? Desatenta aos fatos que se mostravam claros para ela ou cega, será que ela não queria ver o que era um farol delineando suas opções? Ou será que eu estava tão entretida na minha construção da vida que escolhi, minha família, que não percebi que era usada, sugada?

Não sei definir Lizah! Quem sou eu? O que fui era eu ou me deixei ser moldada por uma mente fria que me manteve nos trilhos que ela construiu? Quais eram as minhas verdades? Costumava dizer que ele ao ir embora levou as minhas verdades, será? Ou será que ele levou as verdades dele que eu fiz as minhas?

Quais são as minhas verdades?

Lizah Breuy quem é você? Quais são suas verdades?

Enquanto eu aloprava mentalmente minhas amigas e a terapeuta aguardavam minha resposta e tudo que consegui dizer foi Lizah Breuy não sou eu. Vivi nessa forma não sendo eu. Por quê? Não consigo dar resposta a essa pergunta.

Quem eu sou...?

E desandei a chorar, não pelo fato de não ter sido quem eu achei que era, nessa caminhada aprendi que o agora é o que importa, mas talvez pelo fato de ter desaprendido ou nunca ter realmente visto quem eu sou e o mais aflitivo é como encontrar-me a partir de agora.

Acredito que seja esse um dos motivos de eu sair da minha casa, dirigir alguns quilômetros duas vezes na semana para estar aqui e falar, falar e dar forma aquilo que dentro de mim ainda encontra desarmonia Achar o equilíbrio para não enlouquecer e seguir em frente certa de que sou maior do que tudo isso, produzo forças para ultrapassar meus limites e ressurgir das cinzas, pensando bem já ressurgi delas, apenas ainda encontro resíduos da queima de alguma brasa que insiste em reacender. Entretanto me colocar do lado de fora da minha vida e analisá-la com imparcialidade significa que estou curada, que acredito em mim e que não permitirei mais o sofrimento resultado de ser enganada por esse tipo de pessoa; isso nunca mais na minha existência, seja ela qual for.


Hilzia Elane - do meu novo livro


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