Retornar ao passado é, muitas vezes, uma forma de tornarmos melhor o nosso futuro. E mais: lembrar o passado é uma forma de evitar repetições infelizes...
Durante um tempo esse retorno me causava dor, inquietação, culpa e muita ansiedade, mesmo assim vivia lá tentando entender o que tinha acontecido, o que deu errado e principalmente o que fiz de errado. Tornou-se um pensamento compulsivo, o meu agora era o meu passado.
A culpa era minha constante companheira, são incontáveis as vezes que pedi perdão, que perdi meu precioso sono, que vaguei em pensamentos tolos e vãos.
Na minha imaginação consertava as bobagens, eu ouvia o que queria ouvir, estava com quem queria estar e ao retornar ao real sucumbia num caos por não conseguir trazer para o concreto aquilo que minha mente delineava e me mantinha enganada por algumas horas, dias, semanas, meses, anos... Enfim, eu tinha adoecido.
Houve também um momento em que não queria mais saber do meu passado, passei a ignorá-lo como se nunca tivesse acontecido. Embrenhei-me num frisson de trabalhos e atividades que não havia espaço para minha mente fofoqueira e irreal ficar me iludindo, me estagnando em algo que já não mais existia no concreto. Eu era só o presente enlouquecido, eu não tinha história.
Dizem que para chegarmos ao equilíbrio precisamos ir de um pólo ao outro e foi exatamente isso que aconteceu.
Até que um dia passei a refletir de uma nova forma sobre tudo, percebi que eu podia ser mais forte do que tudo que me causava dor e que era eu quem permitia ser atingida dessa forma tão cruel.
Foi aí que comecei a ver quem eu realmente era, todas as minhas defesas, minhas inseguranças, minhas fortalezas, meus pontos legais e principalmente os ruins, aqueles que a gente não tem tempo e coragem de encarar como sendo algo nosso, aqueles que a gente nega o tempo inteiro quando pessoas que nos amam os apontam com a veemência de quem sente na pele o que não enxergamos.
Foi quando comecei a ter CONSCIÊNCIA de quem eu realmente era e também do que aprendi a ser no espaço onde fui semeada.
Percebi que se eu não era aceita conscientemente por mim como poderia querer ser aceita pelos outros?
Esses momentos me fizeram selecionar quem realmente quero ao meu lado, me fizeram questionar pessoas amadas, entendê-las melhor, aceitá-las, compreender suas razões mesmo não concordando, simplesmente por ter um feeling meu de que há uma forma mais leve de se levar a vida e de que tudo é possível quando se quer.
Hoje consigo voltar ao passado sem o peso que carregava, não mais o ignoro, não ignoro as pessoas, os momentos, os desencontros, as opções “certas e erradas”. Nada foi certo, nada foi errado, tudo foi o que tinha que ser dentro das limitações do que éramos.
Consegui me perdoar e espero um dia ter o perdão daqueles que magoei. Sei quem eu sou e em quem quero me tornar. Sei que a caminhada é sinuosa e não tenho mais a onisciência de que não sou passível de cair e ser derrubada novamente, mas estou tentando não repetir o que deu errado para mim. Devo isso ao meu passado, foi ele quem me deu subsídios para tornar meu agora uma busca consciente.
Agora olho o meu passado como algo que realmente existiu, posso revisitá-lo sem ficar nele, sem esperar que ele transforme meu presente.
Fortaleço-me nele sempre que sou lembrada dos caminhos que já passei e que não acrescentaram nada de positivo e me torno uma pessoa melhorada.
Construo no meu agora um passado melhor para que no meu futuro eu não precise mudar tantas coisas, para que no agora eu não magoe tanto a mim e a quem me rodeia.
Relembrar meu passado é hoje fortalecer a minha essência que vem buscando iluminar-se há muitos e muitos anos, é tanto tempo que nem eu consigo ter noção da imensidão dessa espera.
Investigar as raízes, portanto fortalece a árvore tornando-a mais consciente de sua missão na floresta em que foi plantada.
Hilzia Elane – 08.08.2010
Hilzia que bom que houve um renascimento, as vezes renascemos fisicamente, como por exemplo eu, tenho certeza que depois da minha queda renasci fisicamente, as vezes renascemos espiritualmente e as vezes mentalmente. Estes são os tipos que eu conheço, devem existir mais.Não sei de qual deles vocês renasceu. Mas depois de ler o seu texto, emendo outro que apresento abaixo. Quem sabe você não foi replantada.
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