quarta-feira, 25 de agosto de 2010

CONTO SELECIONADO PARA A ANTOLOGIA DA BIENAL

AI, NÃO VENHA... AI, VENHA SIM...!!!



Hoje, deixei uma amiga admirada ao saber do que eu estava abrindo mão, em prol de não cobiçar o homem de outra.

Segundo ela, abrir mão de algo tão gostoso, de algo onde rola uma interação total é muito legal, é digno de admiração. Amiga, isso é digno, mesmo, é de enlouquecer!

Ai! Essa tal admiração que nos tira os pés da terra mãe e nos coloca num pedestal de pedras, reforçando paradigmas seculares!!!

Estive pensando sobre isso e me perguntando: qual é a graça de se abrir mão do que se quer muito, do que se gosta muito, do que se identifica muito, proclamando assim a bandeira do socialmente correto?

Amiga, não sou tão admirável assim, apenas evitei o encontro porque tenho absoluta certeza de que sua admiração iria ladeira abaixo, acaso eu o tivesse a minha frente.

Acho que o convite foi até super ingênuo por parte dele, momento entre amigos, mas prefiro ser honesta dizendo em entrelinhas que entendo a opção que ele resolveu tomar para sua vida, mas que se eu o encontrar a sós não respondo pelos meus atos.

Pensando bem, eu sou é burra mesmo, se a opção foi dele e foi ele quem me fez o convite, reafirmo aqui a possibilidade de ter sido mesmo um convite para um papo ingênuo, porque é que eu tinha que recusar? Só para bancar a descente, lembrá-lo de um compromisso que só ele assumiu?

Admirável... O que ganhei por ser admirada durante a minha vida por diversas razões!?

Não quero ser admirada, quero ser desejada, amada, uma pessoa apaixonante, inebriante, isso sim é o que quero ouvir. Admirar alguém é colocá-la acima dos mortais errantes. Quero ser um mortal errante para estar sempre à procura de algo que me leve à perfeição, se já cheguei lá, perdeu a graça.

Tá, agora já era, o convite já foi recusado. Perdi a chance de agarrá-lo e seduzi-lo, ou será seduzi-lo e agarrá-lo? E também perdi a chance de um possível papo gostoso, caso ele realmente recusasse minhas investidas. Mesmo assim, seria bom conversar com ele.

Mas, também, você quer que eu me comporte como uma menina compreensiva diante de seu corpo, da sua boca, presença essa que me excita, me arrepia, me transforma em outra, apenas por imaginá-la real?

Quer que eu permaneça na sua frente sem agarrá-lo e levá-lo pelo corredor flutuando, envolvido em meus beijos, despindo-o para me deliciar em momentos divinais, fazendo sexo com você, meu querido?

Não conte com isso, me deixe mesmo aqui quietinha, digna de ser admirada pela sociedade politicamente correta. A carne é fraca e as nossas duas juntas possuem uma força que enfraquece qualquer convicção e enrijece músculos aonde você gosta de passear e se divertir e eu adoro ser acarinhada, arranhada por essas suas mãos, esses seus dedos que perpassam minhas entranhas sem qualquer estranheza.

Mesmo tendo recusado seu convite, vou dormir torcendo para que você não acredite na minha recusa idiota e venha me ver.

Por outro lado, fica esclarecido que não podemos ficar sozinhos, se você quer realmente que eu respeite sua nova opção e me torne uma pessoa admirada por isso, mas enquanto longe, enquanto não atiçada simplesmente pelo fato de estarmos a sós, porque se isso acontecer eu pego fogo e sei que o incendiarei por completo, essa competência eu tenho.

Portanto, vá de retro satanás, porque essa deusa adora ser acarinhada, arranhada, beliscada, beijada, encoxada por esse deus que habita em ti, quando encarna a arte da sedução e de paixão.

Mesmo querendo-o tanto, melhor não vir, se você não quer se queimar nessa fogueira em brasa, que arde do desejo que você já provou e gostou.





Hilzia Elane – 10 de abril de 2010.

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