sexta-feira, 1 de julho de 2011

UMA LÁSTIMA - CONTO

Théo & Thaíssa viveram uma conturbada fase após muitos anos de convivência harmoniosa quebrada, às vezes, pelas divergências normais de uma longa vivência.
Foram dois anos brigando, sem se reconhecerem. Thaíssa tentava uma reaproximação de forma amorosa, mas ambígua, não sabia se seria bem aceita ou rejeitada, o que ocorreu na maioria das vezes.
Ele dizia que ela estava dois anos atrasada e que suas tentativas não dariam em nada já que ele já tinha dado à ela todas as chances eu merecia.
Théo tomou para si o poder de deferir sobre a vida de ambos, dois anos antes dela perceber.
Usou de toda crueldade na tentativa de destruir o relacionamento que ela insistia em revitalizar por acreditar no que viveu ao seu lado.
Mas, Théo já enterrara esse passado e deu a esses dois anos uma maior intensidade e importância.
Tudo o que ele pode fazer, dizer para banir o grande amor, respeito e admiração dela por ele, ele fez, sem nenhuma compaixão, não só por ela, mas por si mesmo.
No entanto ela continua a amar e admirar...
Ela por sua vez reagiu com agressividade, por puro instinto de defesa e amor-próprio ferido.
Repudiar o amor que se sente por medo é um prejuízo tanto espiritual quanto físico. Um feitiço aniquilador por certo.
Amor e compaixão não são o forte de Théo. Foi duro demais não deixando passar a chance de vingar-se do passado composto apenas por dois anos dos vinte e nove; anos onde ele se sentiu ameaçado pelas mudanças apresentadas por ela, quando ainda numa situação de incompreensão, por conta de sua rigidez mental e amorosa, acreditou-se traído em seus princípios invioláveis.
Um amor que tinha tudo para ser eterno foi perdido por desumanidade.
Agora, recuperada do trauma, pois havia doado seu amor, dado o melhor de si nesse relacionamento, segue reconstruindo seu caminho, saindo dos atalhos que precisou percorrer para sobreviver e reencontrando a sua opção verdadeira.
Ele, deve ainda sofrer por um longo tempo, já que sua arrogância e auto-estima sem propósito são imensas.
Há pedra onde deveria haver luz.
Quem sabe um dia a razão e o sentido da vida queimem seu cerne, e finalmente aprenda a amar.
Uma lástima essa ferida.

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