domingo, 31 de julho de 2011

TER AMIGOS É QUANDO O TEMPO PÁRA

Estava olhando umas fotos dos filhos de uns amigos outro dia via um site de relacionamentos e me surpreendi com a passagem do tempo: todos lindamente grandes, com a vida encaminhada, cheia de irreverências, alegrias, os olhos de todos com brilho de vida ainda por viver e me deu uma saudade de quando a gente programava passeios, churrascos, festas e encontros onde eles engatinhavam ao nosso redor, ou só existiam nos planos de seus pais, enquanto jogávamos conversa fora, fazendo planos futurísticos em meio à papinhas, mamadeiras, trocas de fraldas, choros,  organização de casamentos, chá de bebês, de cozinha e aprendendo a vida juntos. Quando ainda acreditávamos em mudanças radicais sociais, discursávamos Paulo Freire, Leonardo Boff e outros mais. Acreditávamos que nossos conceitos sociais não iriam mudar, de como éramos cruéis em julgamentos do que diferenciava das        nossas verdades e de como era certo de que sempre estaríamos perto um do outro e nossos filhos cresceriam juntos criando uma amizade igual ou melhor do que a que tínhamos. Alguns deles cresceram juntos, mas o que quero dizer é que não cresceram todos juntos.
Hoje quando observo de longe e demoradamente os rostinhos e olhos de Pedro, Bárbara, Débora, Gabriela, Luiz Felipe, Leandro, Bruno, Luanda, Gustavo, Leonardo, Julia, Daniel, Rafael, Isabella, Flávia, Thiago, Camila, Alice, Léo, Dada, Diego, Beatriz, Julia, Dudu nos vejo espelhados neles, não só o nós fisicamente que em alguns é gritante a genética, mas as nossas aspirações juvenis, nossas determinações.
E pensar que peguei todos no colo ahahha. Ai, to ficando velha! Repetindo frases de minhas tias que eu odiava.
Nossos encontros não permaneceram assíduos, seria uma utopia minha, ou descuido nosso?
Tomamos rumos diferentes nos embrenhando no mundo adultado, cheio de deveres, afazeres, compromissos profissionais e o tempo foi se distanciando de nós. Não mais tempo para passar o tempo.
Muitos de nós retornaram a ser eu, individualmente ou se tornaram nós novamente com desconhecidos dessa vivência, mas muito do que éramos naquela época ficou neles -  nos nossos filhos, arrisco a afirmar que o melhor desse nosso nós ficou neles. É muito legal perceber isso!
Tenho saudades daqueles encontros, dizem que nada dura para sempre, mas acho que há controvérsia, a forma muda, mas algumas coisas não mudam nunca. Tenho certeza de que aquela atmosfera de alegria, compartilhamento, debates políticos, sociais, fofocas – impossível isso não existir – os momentos de Vila da Penha, das brigas, dos descontentamentos, dos acampamentos, dos almoços dominicais, das praias, permanecem em cada um de nós, mesmo na distância física. Isso dá para confirmar quando nos reencontramos ocasionalmente. A sensação é de que o tempo parou onde nós nos afastamos e só voltou a rodar quando nos reencontramos, a sensação é de começar de onde paramos mesmo não existindo essa possibilidade. Será que sou uma eterna utópica?
Peço licença para expressar minhas saudades de quando éramos esses nós para Regina, Paulo, Cristina, Iran, Cecilia, Artur, Marcia, Tuninho, Maria, Geraldo, Claudia, Saulo, Nete, Jaime, Nagmar, Arlindo, Luisa, Miranda, Hilzia, Renato, Ana, Sidney, Vera, Anderson, Yara, Rafael, Regina, Edgar, Elisa e Alfredo.
Sou muito do que sou porque vivi o que vivi com vocês.
E por falar nisso podíamos nos encontrar novamente e reinventar histórias ou criar novas. Just a sugestion!

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