domingo, 31 de julho de 2011

TER AMIGOS É QUANDO O TEMPO PÁRA

Estava olhando umas fotos dos filhos de uns amigos outro dia via um site de relacionamentos e me surpreendi com a passagem do tempo: todos lindamente grandes, com a vida encaminhada, cheia de irreverências, alegrias, os olhos de todos com brilho de vida ainda por viver e me deu uma saudade de quando a gente programava passeios, churrascos, festas e encontros onde eles engatinhavam ao nosso redor, ou só existiam nos planos de seus pais, enquanto jogávamos conversa fora, fazendo planos futurísticos em meio à papinhas, mamadeiras, trocas de fraldas, choros,  organização de casamentos, chá de bebês, de cozinha e aprendendo a vida juntos. Quando ainda acreditávamos em mudanças radicais sociais, discursávamos Paulo Freire, Leonardo Boff e outros mais. Acreditávamos que nossos conceitos sociais não iriam mudar, de como éramos cruéis em julgamentos do que diferenciava das        nossas verdades e de como era certo de que sempre estaríamos perto um do outro e nossos filhos cresceriam juntos criando uma amizade igual ou melhor do que a que tínhamos. Alguns deles cresceram juntos, mas o que quero dizer é que não cresceram todos juntos.
Hoje quando observo de longe e demoradamente os rostinhos e olhos de Pedro, Bárbara, Débora, Gabriela, Luiz Felipe, Leandro, Bruno, Luanda, Gustavo, Leonardo, Julia, Daniel, Rafael, Isabella, Flávia, Thiago, Camila, Alice, Léo, Dada, Diego, Beatriz, Julia, Dudu nos vejo espelhados neles, não só o nós fisicamente que em alguns é gritante a genética, mas as nossas aspirações juvenis, nossas determinações.
E pensar que peguei todos no colo ahahha. Ai, to ficando velha! Repetindo frases de minhas tias que eu odiava.
Nossos encontros não permaneceram assíduos, seria uma utopia minha, ou descuido nosso?
Tomamos rumos diferentes nos embrenhando no mundo adultado, cheio de deveres, afazeres, compromissos profissionais e o tempo foi se distanciando de nós. Não mais tempo para passar o tempo.
Muitos de nós retornaram a ser eu, individualmente ou se tornaram nós novamente com desconhecidos dessa vivência, mas muito do que éramos naquela época ficou neles -  nos nossos filhos, arrisco a afirmar que o melhor desse nosso nós ficou neles. É muito legal perceber isso!
Tenho saudades daqueles encontros, dizem que nada dura para sempre, mas acho que há controvérsia, a forma muda, mas algumas coisas não mudam nunca. Tenho certeza de que aquela atmosfera de alegria, compartilhamento, debates políticos, sociais, fofocas – impossível isso não existir – os momentos de Vila da Penha, das brigas, dos descontentamentos, dos acampamentos, dos almoços dominicais, das praias, permanecem em cada um de nós, mesmo na distância física. Isso dá para confirmar quando nos reencontramos ocasionalmente. A sensação é de que o tempo parou onde nós nos afastamos e só voltou a rodar quando nos reencontramos, a sensação é de começar de onde paramos mesmo não existindo essa possibilidade. Será que sou uma eterna utópica?
Peço licença para expressar minhas saudades de quando éramos esses nós para Regina, Paulo, Cristina, Iran, Cecilia, Artur, Marcia, Tuninho, Maria, Geraldo, Claudia, Saulo, Nete, Jaime, Nagmar, Arlindo, Luisa, Miranda, Hilzia, Renato, Ana, Sidney, Vera, Anderson, Yara, Rafael, Regina, Edgar, Elisa e Alfredo.
Sou muito do que sou porque vivi o que vivi com vocês.
E por falar nisso podíamos nos encontrar novamente e reinventar histórias ou criar novas. Just a sugestion!

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Stronger Than Me Amy Winehouse

http://youtu.be/GHXryTVt5mk

You should be stronger than me
You been here seven years longer than me
Don't you know you're supposed to be the man
Not pale in comparison to who you think I am

You always wanna talk it through, I don't care!
I always have to comfort you when I'm there
But that's what I need you to do, stroke my hair!

Cos' I've forgotten all of young love's joy
Feel like a lady, and you my lady boy

You should be stronger than me
But instead you're longer than frozen turkey
Why'd you always put me in control
All I need is for my man to live up to his role

Always wanna talk it through, I'm ok
Always have to comfort you every day
But that's what I need you to do, are you gay?

Cause I've forgotten all of young love's joy
Feel like a lady, and you my lady boy

He said 'the respect I made you earn
Thought you had so many lessons to learn'
I said 'You don't know what love is, get a grip!'
Sounds as if you're reading from some other tired script

I'm not gonna meet your mother anytime
I just wanna rip your body over mine
Please tell me why you think that's a crime

I've forgotten all of young love's joy
Feel like a lady, and you my lady boy

You should be stronger than me
You should be stronger than me
You should be stronger than me
You should be stronger than me




Mais forte que eu

Voce deveria ser mais forte que eu
Você está aqui sete anos a mais que eu
Não sabe que é você quem deveria ser o homem?
Nem se compara com o que você acha que eu sou

Você sempre quer conversar sobre isso,eu não me importo!
Eu sempre tenho que te confortar quando estou lá
Mas isso é uma coisa que preciso que você faça, me faz um cafuné!

Porque já me esqueci das alegrias do amor juvenil
Pareço uma senhora, e você é meu menino-moça

Voce deveria ser mais forte que eu
Mas você dura mais que um peru congelado
Porque você tem sempre que me colocar no controle?
Tudo que preciso é que meu homem cumpra seu papel

Você sempre querendo conversar sobre isso, eu estou bem
Eu sempre tendo que te confortar..todos os dias
Mas isso é uma coisa que preciso que você faça, você é gay?

Porque já me esqueci das alegrias do amor juvenil
Pareço uma senhora, e você é meu menino-moça

Ele disse 'Eu te respeito
Pensei que você tinha muitas lições pra aprender'
Eu disse 'Você não sabe que o amor assume o controle?'
É como se você estivesse lendo sobre isso em algum roteiro chato

Eu não vou conhecer sua mãe em hora nenhuma
Eu só quero segurar seu corpo contra o meu
Por favor me fala porque você acha disso um crime

Porque já me esqueci das alegrias do amor juvenil
Pareço uma senhora, e você é meu menino-moça

Voce deveria ser mais forte que eu
Voce deveria ser mais forte que eu
Voce deveria ser mais forte que eu
Voce deveria ser mais forte que eu






ALL MY LOVE - AMY WINEHOUSE

http://youtu.be/lO6qi_HPzfs


Close your eyes and I'll kiss you
Tomorrow I'll miss you
Remember I'll always be true
And then while I'm away
I'll write home everyday
And I'll send all my loving to you

I'll pretend that I'm kissing
The lips I am missing
And hope that my dreams will come true

And then while I'm away
I'll write home everyday
And I'll send all my loving to you

All my loving I will send to you
All my loving, darling, I'll be true

Close your eyes and I'll kiss you
Tomorrow I'll miss you
Remember I'll always be true
And then while I'm away
I'll write home everyday
And I'll send all my loving to you

All my loving I will send to you
All my loving, darling, I'll be true
All my loving, All my loving
All my loving I will send to you




All My Loving (tradução)


Feche os olhos e eu vou te beijar
Amanhã sentirei sua falta
Lembre-se que eu sempre serei verdadeira
E enquanto eu estiver fora
Escreverei para casa todo dia
E mandarei todo meu amor pra você

Vou fingir que estou beijando
Os lábios de que sinto saudade
Espero que meus sonhos se tornem realidade

E enquanto eu estiver fora
Escreverei para casa todo dia
E mandarei todo meu amor pra você

Todo meu amor, eu mandarei pra você
Todo meu amor, querido, eu serei verdadeiro

Feche os olhos e eu irei te beijar
Amanhã sentirei sua falta
Lembre-se que eu sempre serei verdadeira
E enquanto eu estiver fora
Escreverei para casa todo dia
E mandarei todo meu amor pra você

Todo meu amor eu mandarei pra você
Todo meu amor, querido, eu serei verdadeiro
Todo meu amor, todo meu amor
Todo meu amor eu mandarei pra você

quinta-feira, 28 de julho de 2011

LIVRO ESCRITO SÓ POR MULHERES

Livro com contos e crônicas de 30 escritoras será lançado como parte das comemorações pelos sete anos da Andross Editora

"Tem algo a ver com a forma de se expressar. Não sei explicar, mas o jeito femininode escrever é tão... feminino", diz a escritora Cristiana Gimenes, organizadorado livro Elas escrevem... - Volume II. "A única exigênciadeste livro era que os contos e crônicas fossem escritos por mulheres e nãopara mulheres ou sobre mulheres", completa. Gimenes analisou mais decem contos e crônicas para chegar nos 33 textos que compõem o livro, que serálançado no próximo dia 06 de agosto, quando a Andross Editora completará sete anos.

Se alguém estiver interessado em adquirir um volume com o preço de lançamento R$ 25,00 + R$ 4,00 (correios) entrem em contato comigo para que eu possa trazê-los do lançamento no dia 6 de agosto. Depois só pelo site da livraria Cultura e o preço será outro.
Beijocas.
Hilzia Elane 21 - 78851710 (NEXTEL)/79022221(TIM)






sexta-feira, 15 de julho de 2011

Ceder é o pré-requisito número um para quem quer ter relações afetivas saudáveis, não é mesmo? Para quem apenas deseja viver em harmonia com aqueles que ama, certo?

 Errado. Explico o porquê.

    • Desde a mais tenra infância, somos levados a acreditar que só seremos amados e reconhecidos se nos comportarmos da forma esperada, adequada. Nossos pais, quando repreendem determinados comportamentos e apreciam outros, vão construindo em nó...s uma crença muito perigosa e nociva: a de que seremos abandonados e rejeitados se não os agradarmos. Assim, somos ensinados a agir da maneira que eles esperam e, em troca, ganhamos amor e proteção.
       
    •  À medida que vamos crescendo, estendemos esse padrão a todas as nossas relações. Nós aceitamos reprimir nossa essência, nossa energia vital para corresponder às expectativas da sociedade (família, professores etc). É o que chamamos de concessão.
    • Somos os reis e rainhas da concessão. Atire a primeira pedra quem não foi,só para agradar, àquela festa tediosa da família do marido/mulher/namorado/nam​orada, visitou um parente por obrigação, ouviu aquele amigo/a pela enésima vez sobre suas lamúrias amorosas, acompanhou o cônjuge em um show de uma banda que você detesta, só para citar alguns exemplos.
       
    •  Temos a ideia equivocada que nos comportamos assim porque somos bonzinhos, gentis e educados. O que custa, afinal de contas, fazer uma visitinha ou ir ao um show que detestamos? Custa. E muito! Não nos damos conta que por trás de tanta bondade está nossa necessidade de aprovação e aceitação. O outro, a quem dirigimos nossa concessão, não tem absolutamente nada a ver com nossa ‘generosidade’.
       
    •  Na verdade, terminamos abrindo mão do que é essencial e vital para nós com medo de causar desarmonia e desprazer em nossas relações. Assim, passamos a fazer e dizer coisas contra a nossa natureza, minimizando ou negando nossos reais desejos. Esquecemos que a palavra “não” existe em nosso vocabulário e que ela pode e deve ser dita.
    •  O resultado disso tudo, em vez de harmonia, são densentendimentos constantes acompanhados de uma recorrente sensação de frustração e de não apreciação: “eu faço tudo por ele/ela, mas ele/ela não reconhece”, “ele/ela é muito egoísta porque não quer ir comigo à festa”, “não acredito que ele/ela não quer ir comigo à casa da minha mãe, eu sempre faço isso por ele/ela!”.
    • Quando nos sentimos dessa maneira, é porque as cobranças já se incorporaram ao nosso vocabulário emocional e comportamental, pois quem faz concessão automaticamente cobra. O cobrador é aquele que pede de volta aquilo que deu contra sua vontade. E o pior: a pessoa cobrada nem tem consciência dessa ‘dívida’. Afinal, fomos nós quem aceitamos fazer o que não queríamos, não é verdade?
    • Concessão nada tem a ver com flexibilidade, que fique bem claro. Podemos fazer pequenas acomodações para vivermos em harmonia com as pessoas, o que está longe de irmos contra a nossa essência. Sair para comer sushi, em vez de pizza que era o que você gostaria, não é concessão quando se aprecia as duas opções.
    • Portanto, é fundamental que estejamos bastante atentos às concessões. Ceder às exigências de conduta da sociedade só traz prejuízos a nós mesmos e aos que nos rodeiam. Viver em harmonia e com autenticidade tem a ver com assumirmos nossas vontades e necessidades. E isso não implica na mudança do outro, mas na coragem de assumir o que verdadeiramente somos, pensamos e queremos!
    • Portanto, é fundamental que estejamos bastante atentos às concessões. Ceder às exigências de conduta da sociedade só traz prejuízos a nós mesmos e aos que nos rodeiam. Viver em harmonia e com autenticidade tem a ver com assumirmos nossas vontades e necessidades. E isso não implica na mudança do outro, mas na coragem de assumir o que verdadeiramente somos, pensamos e queremos!
                                                                                                                                  Monica Nascimento

quinta-feira, 14 de julho de 2011

E É POR QUE EU ME ESFORÇO, A VIDA NÃO É FÁCIL, A FELICIDADE A GENTE CONSTRÓI.


EU MEREÇO

MEU FILHO, VOCÊ NÃO MERECE NADA

A crença de que a felicidade é um direito tem tornado despreparada a geração mais preparada
por Eliane Brum

Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.

Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.

Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.

ELIANE BRUM
Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo).
E-mail: elianebrum@uol.com.br Twitter: @brumelianebrum

É com muito orgulho que me vejo aqui


segunda-feira, 11 de julho de 2011

O QUE É DESEJADO INTERESSA?

Estava Sophie aguardando sua consulta terapêutica numa bela tarde de inverno quando se deparou com um livro infantil onde desenhados na capa dois ursinhos se embolavam com um urso maior. Em meio a várias revistas e livros o título chamou a atenção.
Curiosa e movida por sua paixão pela leitura, passou a folheá-lo como fazia no seu tempo de criança quando lhe sobrava tempo e espaço.
Enquanto seus olhos delineavam cada sílaba que davam voz a estória algo a transportou para momentos dos quais inconscientemente ou não recordava-se bem pouco, na realidade não gostava de relembrar, mas não sabia exatamente o porque.
Na estória o ursinho maior, ainda único filho, vivia com sua mãe, ia ao rio com ela, brincavam juntos até o momento em que ela comunica à ele que irá ganhar um irmãozinho.
A princípio gostou da novidade, mas com a chegada dos irmãozinhos (surpresa - eram gêmeos), logo percebeu que tinha mudado radicalmente de lugar em relação a sua mãe. Os bebês tinham uma relação entre si bem próximos, o que deixava o irmão mais velho sozinho nas brincadeiras e motivo de chacotas.
A mãe, com mais os cuidados  de dois filhotes acumulado a sua rotina passa a designar suas tarefas com os menores para o filhote maior na tentativa de dar conta de tudo antes do dia terminar. Afinal a noite papai urso chegava para jantar e para o qual ela também devia dar sua atenção.
Os gêmeos armavam o tempo inteiro para cima do irmão mais velho que a cada dia via mais e mais sua mãe se distanciando dele assoberbada com a rotina incrementada pelo nascimento dos gêmeos.
Um dia ele percebeu que sua mãe não tinha mais tempo para ele e que ele deveria ajudá-la porque a amava e sabia que ela contava com ele nos cuidados com os mais novos.

Sophie estava em lágrimas quando sua terapeuta abriu a porta da sala  convidando-a  a entrar.
Sem entender o que acontecia fechou a porta, entregou à Sophie um lenço de papel e aguardou-a  acalmar.
Quando conseguiu controlar sua emoção, Sophie (sem perceber tinha dado início a sua sessão terapêutica antes do começo), apenas murmurou que aquela era a sua vida, ou parte dela.

Sophie é a primogênita de cinco filhos gerados por seus pais.

Por ser a primeira e menina sua mãe viu nela a possibilidade de uma ajuda na sua atribulada rotina. Sophia sempre entendeu que tinha mesmo que ajudá-la, pois via sua mãe cuidando da casa, carregando água na cabeça para lavar as roupas da família, a louça, para fazer a comida e dar banho nos filhos. Sua casa não tinha caixa d'água e nem máquina de lavar roupa. Via sua mãe esfregando o chão com palha de aço para depois encerá-lo, via-a passando toda a roupa, mantendo seus filhos impecáveis. Via-a procurando médicos na saúde pública andando de um lado para o outro com todos os filhos e mesmo com todoessa labuta, ainda arranjava tempo para nos finais de semana levar a garotada para passear.

Seu pai como todos os homens da época tinha como função procriar e o sustento financeiro básico da família.

Sophie teve que crescer mais rápido que os irmãos. Por causa deles, ela aprendeu a cuidar, a zelar, a se organizar porque não podia falhar, eles estavam sob sua responsabilidade quando a mãe precisava se ausentar para levar alguém ao médico ou por estar as voltas com suas funções domésticas. Mas ela deixou de ser cuidada por sua mãe querida, agora ela cuidava de diminuir o fardo da mãe.

Sophie hoje enquanto lia uma estória para crianças Sophie teve uma visão da sua vida  de uma forma que ela nunca observara. Descobriu que provavelmente deu a forma de como gostaria de ser cuidada ao seu "cuidar do outro". E que é por isso que sempre se aborrece se algo não vai de acordo com o que ela considera cuidar. Na realidade ela não sabe ser cuidada, ela não sabe pedir para ser cuidada, apenas impõe o que considera cuidar bem.

Foi assim no seu relacionamento amoroso e em outros tantos.

Sophie sabe que sua mãe deu o melhor que ela podia dar, cuidou de todos como uma leoa cuida dos seus filhotes, foi impecável, apenas gostaria de ter tido mais da atenção dela como a do pai. Gostaria de não ter que ser tão responsável com filhos que eles decidiram ter e não ela. Ela desaprendeu a expor o que desejava, ou por medo de ser repreendida ou por ter realmente desaprendido a querer. Em muitos momentos se sentiu sem o direito de ter desejos.

Agora Sophie segue tentando lidar com essa velha realidade conscientizada e está perdida, sem saber lidar com isso no agora. Pensa no quanto seria melhor começar do zero.
Mas, como zerar?
Como começar o início?
O que é o início de uma história já escrita?

domingo, 3 de julho de 2011

DALAI LAMA

Tenzin Gyatso, Sua Santidade o 14º Dalai Lama, é ao mesmo tempo líder temporal e espiritual do povo tibetano.
Nasceu em 6 de julho de 1935, numa família de camponeses da pequena vila de Taktser, na provincia de Amdo, situada no nordeste do Tibet.
Seu nome era Lhamo Dhondup até o momento em que, com dois anos de idade, Sua Santidade foi reconhecido como sendo a reencarnação de seu predecessor, o 13º Dalai Lama, Thubten Gyatso. Os Dalai Lamas são tidos como manifestações de Avalokiteshvara ou Chenrezig, o Bodhisattva da Compaixão e patrono do Tibet.
Um Bodhisattva é um ser iluminado que adiou sua entrada no nirvana e escolheu renascer para servir à humanidade.

Educação no Tibet

Sua Santidade o Dalai Lama começou sua educação monástica aos seis anos. O currículo consistia de cinco disciplinas maiores e cinco menores. As maiores são: lógica, arte e cultura tibetana, sânscrito, medicina e filosofia budista — e esta por sua vez se compõe de outras cinco categorias: Prajnaparamita, a perfeição da sabedoria; Madhyamika, a filosofia do Caminho do Meio; Vinaya, o cânone da disciplina monástica; Abhidharma, metafísica; e Pramana, lógica e epistemologia. As disciplinas menores são: poesia, música e teatro, astrologia, gramática e sinônimos. Aos 23 anos, fez seu exame final no Templo de Jokhang, em Lhasa, durante o o Festival Anual de Orações Mönlam. Foi aprovado com honras e recebeu o grau de Geshe Lharampa (título máximo, equivalente a um Doutorado em Filosofia 1ista). Em complemento a esses temas budistas, estudou inglês, ciências, geografia e matemática.

Responsabilidades de Líder

Em 1950, com 15 anos de idade, Sua Santidade foi solicitado a assumir a completa responsabilidade política como chefe de estado e de governo, após a invasão chinesa do Tibet. Em 1954, foi a Beijing para tratativas de paz com Mao Tsetung e outros lideres chineses, como Chou En-Lai e Deng Xiaoping. Em 1956, durante visita à Índia para participar das festividades do aniversário de 2500 anos de Buda, esteve presente em uma série de reuniões com Nehru, o Primeiro Ministro Indiano, e o Premiê Chou, sobre a situação do Tibet que se deteriorava rapidamente.
Seus esforços para alcançar uma solução pacífica para o problema sino-tibetano foram frustrados pelas atrocidades da política chinesa, no leste do Tibet, dando origem a um levante popular. Esse movimento de resistência espalhou-se por outras partes do País, e em 10 de Março de 1959, Lhasa, a capital do Tibet, explodiu em um grande levante. As manifestações da resistência tibetana exigiam que a China deixasse o Tibet, reafirmando a sua independência.
Quando a situação se tornou insustentável, pediu-se ao Dalai Lama que saísse do país para continuar no exílio a luta pela libertação. Sua Santidade seguiu para a Índia, que lhe concedeu asilo político, acompanhado de outros oitenta mil refugiados tibetanos. Hoje há mais de 120.000 tibetanos vivendo como refugiados na Índia, Nepal, Butão e no Ocidente. Desde 1960, Sua Santidade reside em Dharamsala, uma pequena cidade no norte da Índia, apropriadamente conhecida como "Pequena Lhasa", por sediar a sede do governo tibetano no exílio.
Desde a invasão chinesa, Sua Santidade apresentou vários recursos às Nações Unidas sobre a questão tibetana. A Assembléia Geral adotou três resoluções sobre o Tibet, em 1959, 1961 e 1965.

Processo de Democratização

Com o estabelecimento do Governo Tibetano no Exílio, Sua Santidade percebeu que a tarefa mais imediata e urgente era lutar pela preservação da cultura tibetana. Fundou 53 assentamentos agrícolas de larga escala para acolher os refugiados; idealizou um sistema educacional tibetano autônomo (existem hoje mais de 80 escolas tibetanas na Índia e Nepal) para oferecer às crianças refugiadas tibetanas pleno conhecimento de sua língua, história, religião e cultura. Em 1959 criou o Instituto Tibetano de Artes Dramáticas; o Instituto Central de Altos Estudos Tibetanos se transformou em uma universidade para os tibetanos na Índia. Sua Santidade inaugurou vários institutos culturais com o propósito de preservar as artes e ciências tibetanas, e ajudou a restabelecer mais de 200 monastérios para preservar a vasta obra de ensinamentos do budismo, a essência do espírito tibetano.
Pelo lado da política, em 1963 Sua Santidade apresentou o esboço de uma constituição democrática para o Tibet, baseada nos princípios budistas e na Declaração Universal dos Direitos Humanos. A nova constituição democrática promulgada como resultado desta reforma foi denominada "Carta dos Tibetanos no Exílio". Essa carta defende a liberdade de expressão, crença, reunião e movimento. Oferece também detalhadas linhas de ação para o funcionamento do governo tibetano no que diz respeito aos que vivem no exílio.
Em 1992, Sua Santidade publicou linhas diretrizes para a constituição de um futuro Tibet livre. Anunciou que o a primeira e imediata tarefa do Tibet libertado será estabelecer um governo interino com a principal responsabilidade de eleger uma Assembléia Constituinte, para criar e implantar uma constituição democrática tibetana. Nesse dia, Sua Santidade transferirá toda a sua autoridade política e histórica para o Presidente interino, passando a viver como um cidadão comum. Ele também afirmou esperar que o Tibet, incluindo suas tradicionais três províncias (U-Tsang, Amdo e Kham), seja federativo e democrático.
Em maio de 1990, as reformas propostas por Sua Santidade deram ensejo à realização de uma administração verdadeiramente democrática para a comunidade tibetana no exílio. O Gabinete tibetano (Kashag), que até então sempre fora indicado por Sua Santidade, foi dissolvido, juntamente com a Décima Assembléia de Deputados do Povo Tibetano (o Parlamento tibetano no exílio). Nesse mesmo ano, tibetanos exilados no subcontinente indiano e em mais de 33 outros países elegeram 46 membros da ampliada 11ª Assembléia Tibetana, numa votação direta. A Assembléia, por sua vez, elegeu os novos membros do Gabinete. Em setembro de 2001, um passo ainda maior para a democratização foi dado quando o eleitorado tibetano elegeu diretamente o Kalon Tripa, ministério-mor do Gabinete, que por sua vez indicou seu próprio Gabinete, a ser aprovado pela Assembléia Tibetana. Na longa história do Tibet, essa foi a primeira vez que o povo elegeu seus líderes políticos.

Iniciativas pela paz

Em setembro de 1987, Sua Santidade propôs o Plano de Paz de Cinco Pontos para o Tibet, como um primeiro passo na direção de uma solução pacífica para a situação que rapidamente se deteriorava no país. Em sua visão, o Tibet se tornaria um santuário, uma zona de paz no coração da Ásia, em que todos os seres sencientes poderiam viver em harmonia, com o delicado equilíbrio ambiental preservado. A China, até o momento, não respondeu positivamente às várias propostas de paz criadas por Sua Santidade.

O Plano de Cinco Pontos

Em seu discurso aos membros do Congresso Americano em Washington, D.C., realizado em 21 de setembro de 1987, Sua Santidade propôs o seguinte plano de paz, composto por cinco pontos básicos:
  1. Transformação de todo o Tibet em uma zona de paz.
  2. Cessação da política chinesa de transferência de população, que ameaça a própria existência dos tibetanos como povo.
  3. Respeito pelos direitos humanos fundamentais dos tibetanos, bem como de suas liberdades democráticas.
  4. Restauração e proteção do ambiente natural tibetano, e o abandono do uso do território tibetano, pela China, para produção de armas nucleares e como depósito de lixo nuclear.
  5. Início de negociações sérias sobre o futuro status do Tibet e das relações entre os povos chinês e tibetano.

Proposta de Estrasburgo

Discursando no Parlamento Europeu de Estrasburgo, na França, em 15 de junho de 1988, Sua Santidade detalhou minuciosamente o último dos Cinco Pontos desse plano de paz. Ele propôs o estabelecimento de conversações entre chineses e tibetanos para a criação de um governo autônomo das três províncias tibetanas, "em associação com a República Popular da China". O governo chinês continuaria sendo responsável pela política exterior e defesa do Tibet.
Para Sua Santidade, essa proposta era "o modo mais realista para se restabelecer uma identidade independente do Tibet e restituir os direitos fundamentais do povo tibetano, conciliando ao mesmo tempo os próprios interesses da China." Enfatizou por outro lado que "qualquer que seja o resultado das negociações com os chineses, o povo tibetano por si mesmo deve ser a autoridade decisória máxima."
Posteriormente, no entanto, em 2 de Setembro de 1991 (Dia da Democracia Tibetana), o Governo do Tibet no exílio declarou que a Proposta de Estrasburgo não estava mais em vigor: "Sua Santidade, o Dalai Lama, deixou bem claro, em sua declaração de 10 de março, que em razão da atitude fechada e negativa da atual liderança chinesa, percebeu que seu compromisso pessoal com as idéias expressas na proposta de Estrasburgo tornou-se sem efeito, e que se não houver novas iniciativas por parte dos Chineses ele se considerará livre de qualquer obrigação com relação a essa proposta. Entretanto, continua firmemente compromissado no caminho da não violência e em encontrar uma solução para a questão tibetana através de negociações e entendimentos. Sob as atuais circunstâncias, Sua Santidade, o Dalai Lama, não mais se sente obrigado ou limitado a manter a Proposta de Estraburgo como uma base para encontrar uma solução pacífica para o problema tibetano."

Contatos Oriente-Ocidente

Desde 1967, Sua Santidade iniciou uma série de viagens que o levaram a 42 países. Em fevereiro de 1990, foi convidado pelo Presidente Vaclav Havel para ir à Tchecoslováquia, onde divulgaram uma declaração conjunta incitando "todos os políticos a desvencilharem-se de restrições e interesses de grupos públicos ou privados e a guiarem suas mentes por sua própria consciência, sentimento e responsabilidade, fundamentados na verdade e na justiça."
Em 1991, encontrou-se com o Presidente dos Estados Unidos da América, George Bush, Neill Kinnock, o lider britânico de opsição, os ministros das Relações Exteriores da França e da Suíça, o Chanceler e Presidente da Áustria, e vários outros membros de governo estrangeiros. Em reuniões com líderes políticos, religiosos, culturais e comerciais, como também em grandes platéias em universidades, igrejas ou centros comunitários, falou de sua crença na união da família humana e da necessidade do desenvolvimento de um senso de responsabilidade universal.
Sua Santidade disse: "Vivemos atualmente em um mundo interdependente. Os problemas de uma Nação não podem ser solucionados muito tempo somente por ela mesma. Sem um senso de responsabilidade universal, nossa sobrevivência está em perigo. Basicamente, responsabilidade universal significa sentir pelo sofrimento de outras pessoas o mesmo que sentimos pelo nosso próprio sofrimento. Eu sempre acreditei num melhor entendimento, numa cooperação mais próxima e num respeito maior entre as várias Nações do mundo. Além disso, sinto que o amor e a compaixão são a tessitura moral para chegar à paz mundial."
Sua Santidade encontrou-se no Vaticano com os papas Paulo VI (em 1973) e João Paulo II (em 1980, 1982, 1986, 1988 e 1990).
Em um encontro com a imprensa em Roma, em 1980, expressou deste modo seu desejo de se encontrar com o Papa João Paulo II: "Vivemos em um período de grandes crises, de desenvolvimentos mundiais turbulentos. Não é possível encontrar paz na alma sem segurança e harmonia entre os povos. Por esta razão, espero ansiosamente por um encontro com o Santo Padre, para trocar idéias e sentimentos, e para ouvir suas sugestões sobre os caminhos para uma pacificação progressiva entre os povos."
Em 1981, Sua Santidade conversou com o Arcebispo de Canterbury, Dr. Robert Runcie, e com outros líderes da Igreja Anglicana em Londres. Ele também se encontrou com lideranças da Igreja Católica e comunidades judaicas, e pronunciou-se em um serviço interreligioso promovido em sua honra pelo Congresso Mundial da Fé. Em Outubro de 1989, durante um diálogo realizado em Dharamsala contando com a presença de oito rabinos e acadêmicos dos Estados Unidos, Sua Santidade enfatizou: "Quando nos tornamos refugiados, sabemos que nossa luta não seria fácil; ela levará muito tempo, gerações. Com freqüência nos referimos ao povo judeu e à forma como ele manteve sua identidade e fé a despeito de tamanha privação e sofrimento. Quando as condições externas amadureceram, ele estava prontos para reconstruir sua nação. Assim, pode-se concluir que há muitas coisas a aprender com os irmãos e irmãs judeus."
Em outro fórum sobre a comunhão de fé e a necessidade de união entre as diferentes religiões, ele afirmou: "Sempre acreditei que é muito melhor termos uma série de religiões e várias filosofias, do que uma única religião ou filosofia. Isto é necessário por causa das disposições mentais diferentes de cada ser humano. Cada religião possui certas idéias ou técnicas características, e aprender sobre elas só pode enriquecer a fé de alguém."

Reconhecimento universal e prêmios

Desde sua primeira visita ao ocidente, em 1973, a reputação de Sua Santidade como acadêmico e homem de paz só fez crescer, incessantemente. Nos últimos anos, um grande número de universidades e instituições em todos o mundo têm lhe conferido Prêmios da Paz e títulos de Doutor Honoris Causa, em reconhecimento pelos seus escritos sobre a filosofia budista e sua liderança a serviço da liberdade, da paz e da não-violência. Um desse títulos, o de Doutor, foi conferido pela Universidade de Seattle, em Washington, EUA.
O seguinte resumo da menção dessa Universidade reflete a estatura de Sua Santidade: "No reino da mente e espírito, o senhor se distinguiu na rigorosa tradição das universidades budistas, alcançando o Grau de Doutor com as mais altas honras, com a idade de 25 anos. No âmbito de assuntos diplomáticos e governamentais, não obstante, o senhor encontrou tempo para lecionar e registrou de forma escrita seus sutis insights sobre filosofia e o significado da vida contemplativa no mundo moderno. Seus livros representam uma contribuição significativa não somente para o vasto corpo de literatura budista, mas também para o diálogo ecumênico entre as grandes religiões mundiais. Sua própria dedicação à vida monástica e contemplativa tem alcançado a admiração não somente por parte dos budistas, mas também dos meditadores cristãos, incluindo o monge Thomas Merton, cuja amizade e conversações com o senhor eram extremamente férteis."
Ao apresentar o Prêmio de Direitos Humanos Congressional Raoul Wallenberg em 1989, o Congressista Americano Tom Lantos disse: "A luta corajosa de Sua Santidade o Dalai Lama o tem distinguido como um líder dos direitos humanos e da paz mundial. Seus esforços contínuos para cessar o sofrimento do povo tibetano através de negociações pacíficas e reconciliação têm exigido dele enorme coragem e sacrifício."

O Prêmio Nobel da Paz de 1989

A decisão do Comitê Norueguês do Prêmio Nobel de conferir à Sua Santidade o Prêmio da Paz ganhou reconhecimento e aplauso mundial. A citação diz: "O Comitê deseja enfatizar o fato de que o Dalai Lama, em sua luta para a liberação do Tibet, constantemente se opõe ao uso da violência. Ele, em vez disto, advoga soluções pacíficas baseadas na tolerância e respeito mútuos para a preservação da herança cultural e histórica de seu povo. O Dalai Lama desenvolveu sua filosofia de paz com uma grande reverência por todas as coisas vivas, e um conceito de responsabilidade universal que envolve toda a humanidade e também a natureza. Na opinião do Comitê, o Dalai Lama vem se conduzindo com propostas construtivas e visionárias para a solução de conflitos internacionais, questões de direitos humanos e problemas ambientais globais."
Em 10 de Dezembro de 1989, Sua Santidade aceitou o prêmio em nome de todos os oprimidos no mundo e daqueles que lutam pela liberdade e trabalham pela paz mundial e pleo povo do Tibet. Em suas considerações, disse: "O prêmio reafirma a nossa convicção de que com a verdade, coragem e determinação como nossas armas, o Tibet será libertado. Nossa luta deve permanecer sem violência e livre de ódio."
Ele também enviou uma mensagem de encorajamento pelo movimento democrático chinês, cuja recente manifestação na Praça da Paz Celestial havia sido alvo de brutal repressão. "Na China, o movimento popular pela democracia foi subjugado pela força bruta, em junho deste ano. Não acredito que as manifestações foram em vão, porque o espírito de liberdade renasceu no povo chinês, e a China não pode escapar do impacto desse espírito, que sopra em muitas partes do mundo. Os corajosos estudantes e seus defensores mostraram à liderança chinesa e ao mundo a face humana daquela grande nação."

Simplesmente um monge budista

Sua Santidade o Dalai Lama freqüentemente diz: "Eu sou simplesmente um monge budista — nem mais nem menos." Ele realmente segue os preceitos da vida de um monge. Vivendo em uma pequena cabana em Dharamsala, levanta-se todos os dias às 4 horas da manhã para meditar, e cumpre uma atribulada agenda de encontros administrativos, audiências particulares, ensinamentos e cerimônias religiosas. Conclui o dia, sempre, com orações. Ao revelar as suas maiores fontes de inspiração, ele normalmente cita seus versos favoritos, encontrados nos escritos do reconhecido santo budista Shantideva:
Enquanto o espaço existir,
enquanto seres humanos permanecerem,
devo eu também permanecer
para dissipar a miséria do mundo.
(Traduzido por Fátima Ricco Lamac e revisado por Arnaldo Bassolli.)

sexta-feira, 1 de julho de 2011

SURPREENDER

Enquanto eu estava entretida ouvindo os depoimentos que nós, filhas e filhos, netas e netos, noras e genros gravamos para nossa mãe e que estava sendo exibidos na festa de oitenta anos dela, uma voz conhecida veio até mim e cochichou no pé do meu ouvido (e por acaso ouvido tem pé?)

"Sua mãe é uma guerreira, eu sempre disse isso para a minha mulher Vanda. Eu sempre a admirei. Sempre a via com vocês todos, os sete, indo de lá para cá, conseguindo fonoaudióloga, médico, psicóloga, terapia da palavra, explicadora, cursos, passeios, sempre envolvida com vocês, lutando sempre sem deixar a peteca cair. Eu acompanhei a caminhada dessa guerreira e vocês devem sim sempre se orgulhar dela e saberem que são abençoados por tê-la como mãe."


Especial ouvir isso de uma pessoa muito querida que se agregou na família via minha madrinha querida e que podia muito bem passar sem perceber minha mãe. Especial mesmo ouvir de outro algo que se fosse de uma filha ou filho poderia parecer demagogia.


Mãe, você é realmente especial, tento ser como você, mas não chego a seus pés, porém sigo sua cartilha do bem porque foi ela quem me tornou quem sou e gosto sinceramente do que sou como mulher.


Obrigada padrinho pela sua homenagem a minha mãe.

AH, A TAL RAZÃO QUE SEPARA OS CORAÇÕES!!!! - CONTO



E para a argumentação de Théo: “Tenho lido suas cartas questionando meu posicionamento quanto ao término de nosso relacionamento e, confesso você me deixa um pouco confuso. A sensação que tenho é a de que nada ocorreu nos dois anos referidos, pelo menos a contar dessa data, que nada fiz pela manutenção de nossa caminhada e que é totalmente arbitrário o meu posicionamento atual. Contudo, eu perdi a conta de quantas vezes, ao longo desses anos, que você expressou seu total descontentamento com nosso relacionamento, com as minhas atitudes e pensamentos e o pleno desejo de terminar a relação. De quantas vezes meu comportamento lhe trouxe desgosto, de quanto isso lhe pesava e o quanto isso me afastava de você. Muitas vezes ouvi de você que não era seu desejo solucionar nada, de mudar nada e que as respostas e modificações deveriam ser efetuadas unicamente por mim.”

Thaíssa responde que o que ela questiona em suas cartas não é o posicionamento atual de Théo  já que ele entendeu todo seu esforço de mudança, de saída da estagnação em que o relacionamento se entregou como uma tentativa de terminá-lo, mas sim suas atitudes a partir do momento em que começou a ser cobrado, quando começou a esbarrar com a necessidade de mudança individual  para que um consenso pudesse ser alcançado.

Na realidade Thaíssa sempre solucionou tudo dentro do relacionamento e da casa. Desde o que se fazer no final de semana, que já tinha que organizar com antecedência a pedido de Théo, pois ele não gostava de acordar cedo sem que algo estivesse programado, até quando onde deveriam fazer as compras do mês, pagamentos das contas, a faxineira, as roupas.

O que Thaíssa passou a querer era que Théo passasse a tomar algumas decisões, que ele saísse da aba dela onde  ele confortavelmente se posicionou durante todo o relacionamento.  Então não era a intenção dela não mais solucionar nada e sim não ser mais a responsável por solucionar tudo. Aliás, uma vez ouviu do próprio Théo de que ela não podia fazer isso com as pessoas a sua volta, que ela era líder e que uma líder resolve e ela não podia mudar isso. Foi nesse dia que ela percebeu o quanto Théo adorava essa acomodação de estar sendo levado por ela e o quanto essa mudança pessoal dela o tirava do eixo.

Na mesma carta ele complementa:

“Mesmo não concordando com a argumentação de Thaíssa cedeu o quanto pode e tentou negociar tudo que pareceu à ele razoável, mas na época Thaíssa estava irredutível, certa de seus desejos, intenções e raciocínios. “Nesses anos, mesmo tendo sido alvo de hostilidades, as quais não fiz por merecer, não as retribuí e me mantive fiel às minhas promessas”.

“Lembro ainda que o pedido de separação formal partiu de você e não de mim, em nosso último encontro com a terapeuta. Mesmo assim resisti o quanto pude a essa escolha sua e só me dei por vencido quando o nível de hostilidade ficou insuportável e optei por deixar a casa, sem nunca ter abandonado vocês. ”


Na visão Théolófica, ele fez de tudo para manter o relacionamento. Ficar calado, cedendo, negociando a mesmice e tudo que pareceu a ele, somente a ele razoável foi sua forma de se esforçar na manutenção daquilo que lhe agradava.

Thaíssa, entretanto insistia na mudança que o relacionamento necessitava, devido a sua mudança pessoal, mas aí ela se tornou irredutível, certa de seus desejos, intenções e raciocínios do mesmo modo que ele sempre se posicionou em relação ao que pensava, de como ele achava que o relacionamento deveria permanecer.

Ele foi alvo de hostilidades por parte de Thaíssa, mas ela ser repudiada na cama, nos finais de semana que ele fazia questão de estar com amigas e amigos fora de casa, nos bailes que foi proibida pelo mesmo de participar, pelas noitadas que ele passou a viver foram atitudes de tentar manter o relacionamento e não hostilidades na concepção masculina de Théo.

Thaíssa sim foi ela quem realmente deu voz ao desejo incutido dentro de Théo há mais de dois anos, pois ele não queria mudanças: “ele não ia mudar, ele gostava do jeito dele e não via nenhuma necessidade de mudança.” E ele estava onde sempre esteve, do jeito de sempre, era ela quem queria fazer diferente, então como sempre ela deu forma aos desejos de Théo.

Foi realmente ela que após apenas três sessões de terapia de casal - idéia de Théo que sempre achou que o problema era ela Thaíssa, que dependia apenas dela a felicidade dos dois e na sua concepção alguém precisava alertá-la, alguém precisava ajudá-lo a convencê-la de que ela precisava olhar para o mesmo horizonte dele novamente. E quando foi solicitado, pela terapeuta, sua participação, mudança em algumas de suas posturas como: ele ligar para ela apenas para saber como ela estava, passar um torpedo no meio do dia dizendo a ela que estava com saudades da sua voz,  marcar uma atividade a dois para não falarem de problemas familiares e sim dos dois, se redescobrirem,  ah, quando foi pedido à ele que a surpreendesse;  ele simplesmente achou idiotice e permaneceu estagnado.

Sim,  foi ela quem chutou a bola que ele colocou aos seus pés. Foi ela quem disse “desse jeito não dá mais” (tradução Thaíssianica: “eu não quero mais só ir, ou é mão dupla ou estou cansada, mas eu não quero ter você fora da minha vida, apenas quero estar presente na sua”).

Théo quis entender (talvez por ser mais fácil e coerente com o que ele queria) que não a fazia mais feliz, que não tinha mais espaço na vida dela. Foi muito oportuno para Théo ouvir essas palavras, porque no fundo era isso que ele queria e não tinha coragem de verbalizar.  O que ele queria era que ela decidisse novamente seus destinos e ele conseguiu.

Ah, tanta coisa Théo poderia ter sido fiel naquele agora. Tantas coisas Théo poderia ter feito para reconquistar sua parceira já que no seu entender ela estava em descompasso com o que ele sabia e tinha como verdade!

O que é ser “fiel as suas promessas”? É não transar com outra pessoa enquanto está no mesmo teto? É de não deixar faltar o dinheiro do condomínio para não perder o apartamento que tanto se dedicou?  É não abandonar o barco mesmo que ele esteja afundando, esperando que alguém venha em socorro, empurrando as coisas com a barriga até um dia quem sabe se resolvam sem que se tenha que se comprometer, se envolver? É decidir o que é o melhor individualmente?

O que é “não abandonar”? É sumir, desaparecer do mapa e só procurar para resolver problemas de filhos, de preferência não presencialmente. É proibir que suba ao seu apartamento por torpedo, é não ligar, é não falar sobre porque essa é sua decisão, é não responder, é ignorar, é colocar a história numa caixa de concreto, é intimar na justiça, é achar que o que é resolvido por um tem que ser a opção dos dois, é acusar sem ouvir?

Thaíssa sabe que sua responsabilidade no descompasso do relacionamento foi grande, mas se impressiona até hoje com o que leu de Théo nas vezes em que ele se dignava a responder seus emails de tentativa de um reencontro.

Théo está certo de que fez tudo o que esteve ao seu alcance para resgatar a história dos dois, mas segundo ele não encontrou eco nela.  Impressiona como Théo não percebe sua responsabilidade no processo e preferiu buscar em palavras bonitas como: ”o tempo, implacavelmente, passou”; “meu barco está a esmo, mas não estou perdido, minhas mãos estão no leme; para justificar sua falta de coragem, seu comodismo e sua arrogância em achar que tem que ser aceito do jeito que é; que tudo tem que ser do jeito e no tempo que ele acha o certo. E olha que ele sempre dizia a Thaíssa de que ela tinha a síndrome de Gabriela: “eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim”...

No final, ambos percorreram o caminho do resgate totalmente a sós.

A diferença é de que Thaíssa nunca perdeu a esperança do resgate, o que ele enterrou assim que resolveu que: “o “algo” fundamental que nos separou (seja lá o que tenha sido) será eterno”. E que dizer da tal promessa no dia em que firmaram seu compromisso com o Universo? Ela também não era eterna?

Mas, para ambas serem eternas precisam de mudanças e isso é algo que Théo já resolveu que não vai existir, porque ele é perfeito.





                                                                                                                             Florianópolis, 01 de julho

UMA LÁSTIMA - CONTO

Théo & Thaíssa viveram uma conturbada fase após muitos anos de convivência harmoniosa quebrada, às vezes, pelas divergências normais de uma longa vivência.
Foram dois anos brigando, sem se reconhecerem. Thaíssa tentava uma reaproximação de forma amorosa, mas ambígua, não sabia se seria bem aceita ou rejeitada, o que ocorreu na maioria das vezes.
Ele dizia que ela estava dois anos atrasada e que suas tentativas não dariam em nada já que ele já tinha dado à ela todas as chances eu merecia.
Théo tomou para si o poder de deferir sobre a vida de ambos, dois anos antes dela perceber.
Usou de toda crueldade na tentativa de destruir o relacionamento que ela insistia em revitalizar por acreditar no que viveu ao seu lado.
Mas, Théo já enterrara esse passado e deu a esses dois anos uma maior intensidade e importância.
Tudo o que ele pode fazer, dizer para banir o grande amor, respeito e admiração dela por ele, ele fez, sem nenhuma compaixão, não só por ela, mas por si mesmo.
No entanto ela continua a amar e admirar...
Ela por sua vez reagiu com agressividade, por puro instinto de defesa e amor-próprio ferido.
Repudiar o amor que se sente por medo é um prejuízo tanto espiritual quanto físico. Um feitiço aniquilador por certo.
Amor e compaixão não são o forte de Théo. Foi duro demais não deixando passar a chance de vingar-se do passado composto apenas por dois anos dos vinte e nove; anos onde ele se sentiu ameaçado pelas mudanças apresentadas por ela, quando ainda numa situação de incompreensão, por conta de sua rigidez mental e amorosa, acreditou-se traído em seus princípios invioláveis.
Um amor que tinha tudo para ser eterno foi perdido por desumanidade.
Agora, recuperada do trauma, pois havia doado seu amor, dado o melhor de si nesse relacionamento, segue reconstruindo seu caminho, saindo dos atalhos que precisou percorrer para sobreviver e reencontrando a sua opção verdadeira.
Ele, deve ainda sofrer por um longo tempo, já que sua arrogância e auto-estima sem propósito são imensas.
Há pedra onde deveria haver luz.
Quem sabe um dia a razão e o sentido da vida queimem seu cerne, e finalmente aprenda a amar.
Uma lástima essa ferida.