domingo, 27 de fevereiro de 2011

DE ENCONTRO A

De frente para o penhasco, posso ouvir o chamado que vem ao longe.
Caminho a passos amedrontados e curiosos ao encontro
Do que acredito ser algo imaginário na realidade da minha caminhada.

Desço confiante de que algo de bom me espera.
Dou de encontro com uma brancura margeando um líquido tão azul
Que meus olhos lacrimejam devido ao brilho que é refletido até minhas retinas.

Sigo  deixando meus pés tatuados na areia atrás de mim.
Embevecida com tanta beleza tenho a certeza de que não posso retornar.
Vagarosamente meu corpo é envolvido pela frescura da água gelada
Que abraça minhas pernas, minhas coxas, envolve minha cintura e me
Puxa ao seu encontro me acariciando e penetrando todos os poros do meu corpo.

Estou submersa num mundo aparentemente diferente do que conheço.
A leveza do silêncio acolhedor me faz gostar da sensação de estar em meio a tudo e ao nada.

A minha volta circulam peixes prateados, tão pequenos individualmente se agigantando enquanto cardume. Bolhas flutuam saindo da minha boca quando sorrio para eles enquanto sigo meu caminho.

Nado como estivesse caminhando para o chamado que não cessa.

Guerreiros de um reino aquático vêem ao meu encontro para me guiarem até meu destino.

São guerreiros grandes, gentis, fortes e brilhantes que falam comigo  telepaticamente e me dão as boas vindas.

Sigo ao encontro de algo que percebo já conheço, mas não recordo. O caminho não me é estranho,
mas é como fosse minha primeira vez.

Não me amedronto enquanto me aproximo, sinto paz, acolhimento e coerência no trajeto.

Não demora e encontro uma menina linda, de pele aveludada, com um vestido rodado lilás com laços coloridos, uma fita na cabeça e uma boneca no colo.
Ela me recebe feliz, feliz pelo meu regresso e sorrir um riso largo para mim. Eu desejo correr para abraçá-la, mas alguma coisa me detém porque percebo que aquela menina me é conhecida.

Reconheço-me naquela profundidade, naquela inocência e relembro que sou essa que me chama ao encontro.
Estou indo ao encontro de mim mesma  e antes de me aproximar mais fico quieta absorvendo toda a sua ternura, toda a sua simplicidade, coerência, sabedoria e paciência em me aceitar de volta depois de tanto tempo esquecida.

Retorno para onde não deveria ter saído, mas foi preciso. Faz parte dessa viagem circular que inicia e termina na nossa pura essência.

Abraça-me bem forte menina, estou de volta e tenha certeza não a deixarei mais.

Estou, enfim de volta!


Hilzia Elane  27 de fevereiro de 2011

domingo, 20 de fevereiro de 2011

MEU LUGAR PAULISTA


Como fui me apaixonar tanto por esse espaço????

Minha história com ele teve seu início quando meu ex-marido foi fazer um curso dentro desse espaço no Shopping Villa Lobos.

Um dia resolvemos ir todos os três juntos, eu e meu filhote com o intuito de conhecer esse espaço cheio de livros, CDs, DVDs . Foi no último dia do curso quando livraria iria reembolsar uma parte do que foi pago pelo curso em vale-livros que podíamos, entre livros, CDs , DVDs, escolher percorrendo todas as prateleiras daquele lugar

Meu ex dividiu a cota em três, porque éramos três apaixonados por livros. Ainda somos.

Meu filho na época tinha uns 7 ou 8 anos. Enquanto a última aula corria solta no mezanino, eu e o filhote nos perdíamos no mundo dos livros. Passamos o dia inteiro dentro da livraria como se estivéssemos dentro de um parque de diversões e nunca mais essa paixão saiu do meu coração. Era a primeira vez que eu via um espaço tão aconchegante para estar em volta de quem sonha ou comunica algo pelas artes, seja ela literatura, música ou cinema.

Ali encontrei meus primeiros CDs de músicas africanas. Fiquei impressionada com esse espaço paulista que não tínhamos na época no Rio. Hoje a Livraria Travessa me dá uma sensação parecida com que a Livraria Cultura me deu naquele dia, próxima, mas não a mesma.

Por isso até hoje quando vou a São Paulo minha  parada obrigatória é a Cultura do Conjunto Nacional, na Av. Paulista com a Consolação.

Esse é um momento sagrado onde me coloco disponível para conhecer novos autores, novos CDs de minhas mulheres do Jazz preferidas: Norah, Diana, Stacey e Madeleine. É como estar em profundo transe meditando sobre tudo e nada ao mesmo tempo.

Ali passo uma tarde inteira lendo, tomando café, ouvindo músicas e obviamente me endividando no cartão de crédito.

Ali também encontrei uma paixão que pela primeira vez vi de terno e gravata, estava lindíssimo, ali devaneei uma noite que esquentam minhas veias apenas por relembrá-la. Ali sempre que estou, relembro essa tarde gostosa com muito carinho e saudade. Foi um momento muito especial.

Cansei de chegar atrasada aos cursos para os quais vou a Sampa porque me deixo está nos braços da Cultura mais do que devia, ela me embriaga.

Ir lá me transporta para uma dimensão diferente onde não sou nada, sou tudo, sou eu, sou outros, sou passado, presente e futuro, sou sozinha, com uma multidão. Onde trago minha história para perto de mim, meus amigos, minhas vontades, meus sonhos, minhas concretizações e fico em paz como se estivesse dentro do silêncio onde estou e sou.


Hilzia Elane 20/02/2011

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Alguns homens são alérgicos ao próprio sêmen


Um problema misterioso que acometia alguns homens sempre foi um mistério para a medicina. Conhecido como Síndrome da Doença Pós-Orgásmica (ou POIS), fazia com que homens, após chegarem ao orgasmo, desenvolvessem sintomas de uma gripe – espirravam, ficavam com febre, o nariz soltava coriza e seus olhos ficavam com uma sensação de queimação – isso logo depois que ejaculavam. E os sintomas poderiam durar até uma semana.

Agora cientistas holandeses parecem ter achado a explicação para isso: esses caras seriam alérgicos ao próprio sêmen.

Mas se você já passou por isso, leitor, não se desespere, você não terá que fazer um voto de castidade. Os mesmos pesquisadores, da Universidade Utrecht, que descobriram a alergia afirmam que há um tratamento que pode amenizar esses sintomas.

Achava-se que a POIS era causada por problemas psicológicos nos homens, já que não havia nenhuma causa física aparente, e pacientes que sofriam com a síndrome se sentiam envergonhados de até mesmo comentar o assunto. E apesar de ser considerada uma doença desde 2002, a POIS é desconhecida até mesmo por grande parte dos médicos.

Até agora considera-se um problema raro, mas é preciso levar em conta que, por se sentirem envergonhados, muitos homens não admitem sofrerem os sintomas da POIS aos seus médicos, então certamente o número de pacientes é maior do que o registrado.

Os pesquisadores, que analisaram 45 homens que, comprovadamente, tinham POIS, constataram que se os pacientes tinham relações mas não chegavam a ejacular os sintomas não apareciam. No entanto, assim que tinham contato “exterior” com o sêmen, os clássicos sintomas de gripe se faziam presentes.

Os pacientes, então, passaram por testes de alergia – o sêmen de cada um era diluído e depois aplicado na pele de seu dono. Em 88% dos casos, a pele mostrou reações alérgicas, provando que o sêmen era o causador dos problemas.

Então os cientistas resolveram tratar dois desses pacientes usando uma terapia conhecida como hiposensibilização – os pacientes são expostos àquilo que lhes causa a alergia e essa exposição contínua reduz os sintomas. E ambos os pacientes apresentaram uma redução significativa dos sintomas. A má notícia é que o tratamento é demorado e pode levar até cinco anos. [Reuters]



sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

HI! DARLIN' - I Say A Little Prayer FOR YOU


The moment I wake up, before I put on my make up

I say a little prayer for you

While combing my hair now

And wonderin' what dress to wear now

I say a little prayer for you



Forever and ever you'll stay in my heart

And I will love you forever and ever

We never will part and I will love you

Together, forever that's how it should be

To live without you could only mean heartbreak for me



I run for the bus love, while riding I think of us, love

And say a little prayer for you

At work I just take time, and all through my coffee break time

I say a little prayer for you.

O PODER DA MEDITAÇÃO - Cilene Pereira e Maíra Magro


A técnica ganha espaço em instituições renomadas e prova ser eficaz contra um leque cada vez maior de doenças. Entre elas, a depressão, males cardíacos e até Aids.

Ela chegou ao Ocidente como mais um item da lista de atrações exóticas do Oriente. Hoje, está se transformando em um dos mais respeitados recursos terapêuticos usados pela medicina que conhecemos. Está se falando aqui da meditação, uma prática milenar cujo principal objetivo é limpar a mente dos milhares de pensamentos desnecessários que por ela passam a cada minuto, ajudando o indivíduo a se concentrar no momento presente. É por essa razão que um de seus benefícios é o de ajudar as pessoas a lidar com sentimentos como a ansiedade. Mas o que se tem visto, de acordo com as numerosas pesquisas científicas a respeito da técnica, é que a meditação se firma cada vez mais como uma espécie de remédio – acessível e sem efeitos colaterais – indicado para um leque já amplo de enfermidades: da depressão ao controle da dor, da artrite reumatoide aos efeitos colaterais do câncer.

A inclusão da prática no rol de tratamentos da medicina ocidental é um fenômeno mundial. Nos Estados Unidos, por exemplo, ela figura entre as opções de centros renomados como o Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, um dos centros de referência do planeta no tratamento da doença. Também está disponível na Clínica Mayo, outro respeitado serviço de saúde. No Brasil, o método começa a ganhar espaço, boa parte dele assegurado pela Política de Práticas Integrativas e Complementares do SUS, implementada em 2006 pelo Ministério da Saúde. Ela incentiva o uso, pela rede pública, de uma série de práticas não convencionais – como a medicina tradicional chinesa, a acupuntura e a fitoterapia – para auxiliar no processo de cura. “Nessas diretrizes, a meditação está prevista como parte integrante da medicina chinesa”, explica a médica sanitarista Carmem De Simoni, coordenadora do programa.
 
 
Em Campinas, no interior de São Paulo, 20 postos de saúde oferecem treinamentos de meditação gratuitos à população. Em São Carlos, também no interior paulista, alguns postos públicos de atendimento começarão a ofertar este ano sessões usando uma técnica conhecida como atenção plena (Mindfulness-Based Stress Reduction, ou MBSR, em inglês), desenvolvida pelo Centro Médico da Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos. É baseada em exercícios de respiração e consciência corporal que ajudam o indivíduo a focar as percepções no momento presente. “Queremos incluir a prática em 30 unidades de saúde”, diz Marcelo Demarzo, chefe do Departamento de Medicina da Universidade Federal de São Carlos.

“Meditadores têm habilidade singular para cultivar emoções positivas”

Outra experiência interessante no Brasil é o uso do método em escolas da rede estadual do ensino médio do Rio de Janeiro. Trata-se de uma iniciativa da Fundação David Lynch, criada pelo cineasta americano, com o objetivo de reduzir a violência nos colégios por meio da prática. Um projeto piloto com cerca de 750 crianças e adolescentes de 10 a 18 anos mostrou que ela contribui para o aumento da concentração e da criatividade. “Muitas relataram ainda benefícios como redução de crises de dor de cabeça”, diz Joan Roura, representante da entidade no Brasil.

O Hospital Albert Einstein, em São Paulo, decidiu oferecer a prática tanto para pacientes quanto para funcionários, depois de testá-la por dois anos no setor de oncologia. “Nos pacientes em tratamento contra o câncer, notamos uma diminuição na ansiedade e maior disposição para enfrentar a doença”, afirma o médico Paulo de Tarso Lima. Ele é responsável pelo serviço de medicina integrativa no hospital, que promove a adoção de terapias complementares – entre elas, a meditação – para auxiliar no tratamento convencional.

O movimento que se observa atualmente com a meditação é o mesmo experimentado pela acupuntura cerca de dez anos atrás. Da mesma forma que o método das agulhas, ela conquista o respeito da medicina tradicional porque tem passado nas provas de eficácia realizadas de acordo com a ciência ocidental. Isso quer dizer que, aos olhos dos pesquisadores, foi despida de qualquer caráter esotérico, mostrando-se, ao contrário, um recurso possível a todos – ninguém precisa ser guru indiano para praticá-lo – e de fato capaz de promover no organismo mudanças fisiológicas importantes.

A profusão de pesquisas que apontam algumas dessas alterações é grande. Os resultados mais impressionantes vêm dos estudos que se propõem a investigar seus efeitos no cérebro. Um exemplo é o trabalho realizado na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, e publicado na revista científica “NeuroImage”. Após compararem o cérebro de 22 meditadores com o de 22 pessoas que nunca meditaram, eles descobriram que os praticantes possuem algumas estruturas cerebrais maiores do que as dos não praticantes. Especificamente, hipocampo, tálamo e córtex orbitofrontal. As duas primeiras estão envolvidas no processamento das emoções. E a terceira região, no raciocínio. “Sabemos que as pessoas que meditam têm uma habilidade singular para cultivar emoções positivas”, disse à ISTOÉ Eileen Luders, do Laboratório de Neuroimagem da universidade. “As diferenças observadas na anatomia cerebral desses indivíduos nos deram uma pista da razão desse fenômeno.”

ALÍVIO CONTRA O CÂNCER A prática faz com que os pacientes sintam menos náuseas após a quimioterapia

Na publicação “Psychological Science”, há outro trabalho interessante. Pesquisadores da Universidade George Mason constataram que a prática proporciona uma melhora significativa na memória visual. Normalmente, uma imagem é armazenada integralmente no cérebro por pouquíssimo tempo. Mas o estudo verificou que monges, habituados a meditar todos os dias, conseguem guardá-las – com riqueza de detalhes – até 30 minutos depois de praticar. “Isso significa que a meditação melhora muito este tipo de memória, mesmo após um certo período”, disse à ISTOÉ Maria Kozhenikov, autora do experimento. Essa habilidade transforma a técnica em um potencial instrumento para complementar o tratamento de doenças que prejudiquem a memória, como o mal de Alzheimer.

A técnica ganha espaço em instituições renomadas e prova ser eficaz contra um leque cada vez maior de doenças. Entre elas, a depressão, males cardíacos e até Aids

No Instituto do Cérebro do Hospital Albert Einstein, aqui no Brasil, pela técnica de ressonância magnética foram fotografados os cérebros de 100 voluntários, antes e depois de um retiro de uma semana para práticas diárias. “Na análise de uma primeira amostra, observamos que as áreas ligadas à atenção, como o córtex pré-frontal e o cíngulo anterior, ficaram mais ativadas após o treinamento”, afirma a bióloga Elisa Kozasa, responsável pela pesquisa. As regiões cerebrais eram observadas enquanto os voluntários realizavam testes para medir o quanto estavam atentos. “Houve uma tendência de maior número de acertos e mais velocidade nas respostas após a meditação”, explica a pesquisadora Elisa.

Na área da oncologia, há várias evidências científicas de eficácia. Tome-se como exemplo o estudo feito na Universidade de Brasília pelo psiquiatra Juarez Iório Castellar. Ele investiga os efeitos do método em 80 pacientes com histórico de câncer de mama. Castellar pediu às participantes que preenchessem questionários para medir a qualidade de vida. Por meio da coleta de amostras de sangue e saliva antes e depois dos exercícios meditativos, ele também está acompanhando variações hormonais que indicam a situação da doença. “Um dos dados que já verificamos é que a meditação reduziu os efeitos colaterais da quimioterapia, como náuseas, vômitos, insônia e inapetência”, afirma.

Outra frente de pesquisas tenta decifrar seu impacto nas doenças mentais. Novamente, as conclusões são bem animadoras. Na Universidade de Exeter, na Inglaterra, o pesquisador Willem Kuyken verificou que o método é uma opção concreta para auxiliar no controle da depressão a longo prazo. Depois de 15 meses comparando a evolução de pacientes que meditavam e tomavam remédios com a apresentada por aqueles que apenas usavam os antidepressivos, o cientista constatou que crises mais sérias ocorreram em 47% dos meditadores, enquanto entre os outros o índice foi de 60%. Na Universidade George Washington, nos Estados Unidos, a técnica provou-se uma aliada no tratamento de crianças com transtorno de hiperatividade e déficit de atenção. “Houve redução de 50% dos sintomas após três meses de prática”, disse à ISTOÉ Sarina Grosswald, coordenadora da pesquisa. Há ainda evidências de benefícios na luta contra transtornos alimentares como bulimia e dependência de drogas. “A meditação relaxa os dependentes e os torna mais fortes para resistir à vontade de consumir drogas”, explicou à ISTOÉ Elias Dakwar, do Instituto de Psiquiatria do Columbia-Presbyterian Medical Center, em Nova York, instituição que passou a usar o método recentemente.

O segredo que possibilita efeitos dessa magnitude nestes tipos de patologias é o fato de a meditação ensinar o indivíduo a viver o presente, sem antecipar medos e sofrimentos. “E como o ato de pensar é ‘desligado’, a mente transcende seu estado ocupado e experimenta um profundo silêncio”, explica Sarina Grosswald. “O corpo, por sua vez, fica totalmente relaxado.” É este o mecanismo que também explica parte do seu poder contra a dor. “O método ajuda os pacientes a perceberem a dor e a deixá-la ir embora, sem se prender a ela”, disse à ISTOÉ Paula Goolkasian, da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos. Ela faz parte de uma equipe que estuda intensamente a relação entre dor e meditação e é autora de alguns artigos científicos a respeito do tema.

Permeando todos esses processos, porém, está a redução do stress proporcionada pelo método – e os benefícios advindos disso. O controle da tensão implica mudanças importantes na química cerebral, entre elas a diminuição da produção do cortisol. Liberado em situações de stress, o hormônio tem consequências danosas. Uma delas é a elevação da pressão arterial. Portanto, quanto menor sua concentração, mais baixas são as chances de hipertensão. E como a meditação diminui o stress, acaba reduzindo, indiretamente, a pressão. Este mecanismo explica por que a técnica contribui para a prevenção de doenças cardiovasculares, como o infarto e o acidente vascular cerebral, causadas, entre outras coisas, por uma pressão arterial acima dos níveis recomendados. Um estudo recente realizado na Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, deu uma ideia desse potencial. Durante nove anos, os cientistas acompanharam 201 homens e mulheres com média de 59 anos de idade. Parte foi orientada a meditar todos os dias e o restante recebeu recomendação para mudar hábitos. Os meditadores tiveram 47% menos chance de morrer de um problema cardiovascular em comparação com os outros. Com base nesse resultado, o coordenador da pesquisa, Robert Schneider, considera que a descoberta equivale ao encontro de uma nova classe de “remédios” para evitar essas enfermidades. “Nesse caso, a medicação é derivada dos próprios mecanismos de cura do corpo e de sua farmácia interna”, disse à ISTOÉ.

FORÇA EXTRA Dependentes químicos que meditam ficam mais fortes para resistir ao apelo das drogas

A ciência registrou ainda mais um impacto positivo da redução do stress promovida pelo método: o auxílio contra a Aids.A doença caracteriza-se pelo ataque do vírus HIV aos linfócitos CD-4 (células que integram o sistema de defesa do corpo). Por causa disso, o corpo fica mais vulnerável a infecções, podendo sucumbir a elas. Mas é sabido que outro inimigo dos exércitos de defesa é o stress: o hormônio cortisol enfraquece seu funcionamento. Por isso, diminuir a tensão é uma maneira de evitar que isso aconteça. Na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, os cientistas testaram a força da meditação para controlar o stress em pacientes com Aids e constataram que, também aqui, ela funciona. Eles selecionaram 48 pessoas soropositivas, divididas em dois grupos: um meditou e o outro, não. Após oito semanas, os que a praticaram não apresentavam perda de CD-4, ao contrário dos outros participantes. Isso revela que a meditação reduziu o stress. Dessa maneira, contribuiu para preservar o sistema imunológico dos pacientes, ajudando a retardar o avanço do HIV.

Uma das mais intrigantes abordagens de pesquisa é a que estuda a relação entre o método e o envelhecimento precoce. Os pesquisadores começaram a fazer essa associação a partir da certeza do vínculo entre o stress – ele de novo – e a ocorrência de uma deterioração celular acentua¬da. Partindo desse raciocínio, eles querem saber se a meditação também teria efeito indireto nesse mecanismo, já que atua sobre o stress. Cientistas da Universidade da Califórnia estão investigando se a redução do stress causada pela meditação poderia provocar um efeito benéfico sobre os telômeros – espécie de capa protetora das extremidades dos cromossomos cujo comprimento está associado ao grau de envelhecimento celular. Quanto mais comprido, menor o índice de desgaste. E um dos fatores de desgaste dos telômeros é o stress. Portanto, quanto menos stress, mais preservadas essas estruturas.

No Brasil, o interesse por esse tema, especificamente, também cresce. O médico José Antônio Esper Curiati, do Serviço de Geriatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, por exemplo, coordena grupos de meditação para idosos “Estou medindo os efeitos da prática em aspectos como memória, humor e qualidade do sono”, diz. No Centro de Estudos do Envelhecimento da Universidade Federal de São Paulo, o médico Fernando Bignardi é outro que acompanha os reflexos em indivíduos na terceira idade. “O que notamos de mais imediato é uma mudança na condição emocional”, relata. “Depois há uma melhora no sono, nas condições metabólicas e, finalmente, alterações clínicas que levam à melhora de doenças como hipertensão e diabetes.”

A experiência bem-sucedida incentivou Bignardi a desenvolver uma pesquisa mais ampla. A instituição acompanha a saúde de 1,5 mil idosos para verificar a relação entre estilo de vida, personalidade, cognição e doenças. A intenção agora é analisar como a prática meditativa interfere nessa equação – inclusive na incidência de doenças neurodegenerativas como o mal de Alzheimer. A médica Edith Horibe, presidente da Academia Brasileira de Medicina Antienvelhecimento, já indica a meditação para seus pacientes. “Sem dúvida, ela permite uma vida mais longa e com saúde”, afirma. “E a técnica não exige mudanças no estilo de vida”, completa Kleber Tani, diretor da seção carioca da Sociedade Internacional de Meditação.

MEDITAÇÃO MUDA ESTRUTURA DO CÉREBRO, DIZ ESTUDO

De olhos fechados, em silêncio e, de preferência, sentados, os praticantes da meditação de atenção plena devem se concentrar em apenas uma coisa: a respiração.

A técnica é antiga, da tradição budista, mas começou a ser mais difundida depois de ter sido usada em um curso não religioso de redução de estresse, criado em 1979 por Jon Kabat-Zinn, professor da Escola Médica da Universidade de Massachussets.

Os benefícios da técnica, conhecida também como "mindfulness", já foram relatados em vários estudos.

A lista vai da melhora de sintomas de esclerose múltipla (como diz estudo publicado na "Neurology") à prevenção de novos episódios de depressão (demonstrada em artigo na "Archives of General Psychiatry").

Mas, agora, um estudo mostra, pela primeira vez, os efeitos provocados por essa meditação no cérebro.


A pesquisa, publicada hoje na "Psychiatry Research: Neuroimaging", foi feita pela Harvard Medical School, nos EUA, em conjunto com um instituto de neuroimagem da Alemanha e a Universidade de Massachussets.

E o mais importante: as mudanças ocorreram em apenas oito semanas de meditação em praticantes adultos iniciantes.

As conclusões foram feitas após comparações entre as ressonâncias magnéticas dos que praticaram a meditação e de um grupo-controle que não fez as aulas.

Outros estudos já haviam sugerido que a meditação causa mudanças no cérebro. Mas eles não excluíam a possibilidade de haver diferenças preexistentes entre os grupos de meditadores experientes e não meditadores.

Ou seja, não era possível afirmar se os efeitos eram causados pela prática.

MENOS ESTRESSE

Todos os 16 participantes da pesquisa, com idades de 25 a 55 anos, deveriam obedecer a um critério: não ter feito nenhuma aula de meditação "mindfulness" nos últimos seis meses ou mais de dez aulas em toda a vida.

Eles frequentaram oito encontros semanais, com duração de duas horas e meia.

Também foram instruídos a fazer 45 minutos de exercícios diários e a praticar os ensinamentos da meditação em atividades do dia a dia, como andar, comer e tomar banho.

Para avaliar as mudanças, todos os participantes e o grupo-controle fizeram ressonâncias magnéticas antes e depois do período de aulas.

Os exames iniciais não indicaram diferenças entre grupos, mas as ressonâncias feitas após o curso mostraram um aumento na concentração de massa cinzenta no hipocampo esquerdo naqueles que haviam meditado.

Análises do cérebro todo revelaram mais quatro aumentos de massa cinzenta: no córtex cingulado posterior, na junção temporo-parietal e mais dois no cerebelo.

BENEFÍCIOS

Britta Hölzel, pesquisadora da Harvard Medical School e uma das autoras do estudo, disse à Folha que isso pode significar uma melhora em regiões envolvidas com aprendizagem, memória, emoções e estresse.

O aumento da massa cinzenta no hipocampo é benéfico porque ali há uma maior concentração de neurônios, afirma Sonia Brucki, do departamento científico de neurologia cognitiva e do envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia.

"Antes, acreditava-se que a pessoa só perdia neurônios durante a vida. Agora, vemos que podem brotar em qualquer fase da vida, e determinadas atividades fazem a estrutura do cérebro mudar."

Isso significa que o cérebro adulto também é plástico, capaz de ser moldado.

No ano passado, um estudo dos mesmos pesquisadores já mostrava redução da massa cinzenta na amígdala cerebral, uma região relacionada à ansiedade e ao estresse, em pessoas que fizeram meditação por oito semanas.

Mas qualquer um que começar a meditar amanhã terá esses mesmos efeitos benéficos em algumas semanas?
"Provavelmente sim", diz a neurologista Sonia Brucki.

Ela ressalta, no entanto, que a idade média dos participantes da pesquisa é baixa e, por isso, não dá para afirmar com certeza que isso acontecerá com pessoas de todas as idades.

Agora, a pesquisadora Britta Hölzel quer entender como essas mudanças no cérebro estão relacionadas diretamente à melhora da vidas das pessoas.

"Essa é uma área nova, e pouco se sabe sobre o cérebro e os mecanismos psicológicos relacionados a ele. Mas os resultados até agora são animadores."

QUERO SER ASSIM QUANDO CRESCER UAUAUAU EMOCIONANTE EXEMPLO DE VIDA JUNTO COM A MÚSICA E A DANÇA

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

DEFEITOS - E QUEM NÃO OS TEM????


É,... e após uma avalanche sem precedentes na minha vida, que teve seu início em 2004 e duração de seis longos anos, dos quais três passei em total ignorância, desatenta aos fatos em volta e os outros três tentando me reencontrar, me entender e sair do buraco em qual me encontrava, chego ao ano sétimo convencida de que a dor dilacera, mas realmente tem seu lado libertador.

Só depois que cheguei aos 50 anos, só depois que eu e meu ex-marido destruímos o casamento para sempre, só depois que a minha vida ficou de cabeça para baixo, é que finalmente parei o meu trem e desci para ver o que tinha feito durante minha passagem corrida e transloucada daqueles anos. E perguntei a mim mesma incrédula: caraca, como você conseguiu isso?

Então veio a depressão..

Uma vez alguém disse que a depressão foi um amigo enviado para salvá-lo das alturas exageradas da falsa euforia que vinha fabricando desde sempre. A depressão o empurrou de volta para o planeta terra, de volta ao chão onde finalmente seria seguro se manter na realidade.

Eu também precisava disso, precisava sair de uma ilusão criada onde eu era feliz, porém a ilusão não é uma felicidade verdadeira.

Durante o tempo em que me sentia literalmente sozinha olhei para mim, e tentei responder sinceramente perguntas que causaram dor e com a ajuda da minha querida terapeuta pude entender algumas das origens do meu comportamento tão destrutivo.

Foi difícil ficar sozinha, até porque nunca fora essa a minha realidade, mas gostei desse novo caminho e não pirei como inicialmente imaginei que piraria. Posso dizer que enfim: CRESCI.

Hoje me vejo bem avançada na minha experiência de solidão e responsabilidade perante a mim. As perdas irreversíveis são irreversíveis.

Também aprendi que quanto mais estamos desequilibrados, maior a probabilidade de que nos apaixonemos de forma rápida e imprudente. Também passei por esse caminho maravilhoso (pelo resto da vida não esquecerei as sensações extasiantes da paixão). Quem passa por grandes perdas fica sim suscetível ao amor instável. Mas ele é outra ilusão, deliciosa porém ilusão.

E é assim. Temos alguém por algum tempo e aí essa pessoa se vai. Acontecerá com todos, algum dia alguém vai.

Então nessa minha busca, depois de um esforço imenso encontrei meus defeitos mais deploráveis e nada atraentes. Foi doloroso assumí-los, um esforço grande codificar as falhas, mas me alegrei em nomeá-las, colocá-las as claras para ficar atenta e não mais depreciar minha auto-estima e ser aceita apesar deles, como uma pessoa inteira.

Descobri que tenho uma elevada estima a minha própria opinião, descobri que tenho mesmo minhas opiniões. E normalmente eu acredito que sei como é que todo mundo deve levar a vida; e os meus próximos mais do que ninguém serão vítima disso. Apesar de invasora não manipulo as pessoas, mas me deixo manipular bestamente.

Costumo aparentar ser muito entusiasmada e na minha empolgação, aceito mais do que consigo dar conta, física e emocionalmente. Por isso desmorono com demonstrações bastante previsíveis de exaustão drástica. Quem está perto de mim tem que passar o rodo e catar os pedacinhos toda vez que exagero. Isso eu sei é muito chato e desgastante para quem passa o rodo. E peço desculpas para quem impinjo esse papel.

A impulsividade é uma parceira terrível nesses momentos, falo muita M, esbravejo na realidade, chuto o balde explosivamente, mas apesar de parecer que tenho o pavio curto ele não é e aí entra outro defeito muito destrutivo nas minhas relações, eu guardo, guardo, guardo, tento não falar para não ter conflito e um dia explode com muita raiva o que ficou guardado durante muito tempo e isso destrói mais do que constrói, o se não...

Sou marrenta e orgulhosa; crítica e em alguns momentos intolerante e quando em conflito sei ser covarde. Quando tudo isso se junta me torno uma pessoa horrível de se conviver. Uma déspota.


Amo demais os outros, confio demais nos outros, acho que os outros sempre são bons, me jogo inteira nas relações, sou transparente demais e isso só me trouxe problemas, por isso considero defeitos importantes contra a minha pessoa.

Falo mais do que ouço, isso foi terrível de admitir, mas é verdade. Tenho trabalhado para mudar isso exaustivamente e encontro muita dificuldade, meu filho que o diga.

Tenho um grande problema de dispersão e isso faz parecer que não estou nem aí para o que está em volta, mas não é verdade é dispersão mesmo.

Entretanto acho que o meu maior defeito é, apesar de demorar a decidir que alguém é imperdoável, essa pessoa assim será pela vida toda. Mas tenho como abrandamento o fato de que sou muito teimosa para perder alguém, por isso corro muito tempo atrás para reverter o que quer que seja. Mas quando bato o martelo nem Jesus.

É difícil que haja presente mais generoso do que alguém aceitar o outro por inteiro, amá-las quase apesar dela. Defeitos seja eles quais forem são horríveis. Podem ferir, magoar, desfazer laços, eles tem potencial de sabotar uma relação .

Ter um mínimo de capacidade de reflexão pode nos dar o controle desses aspectos mais arriscados da nossa natureza, mas eles ficam ali, não caem fora.

E é tolice achar que alguém pode mudar o que nem mesmo nós conseguimos fazer. O inverso também se aplica.

E essas coisas que não conseguimos mudar em nós mesmos são feias, horrendas então se conseguirmos ser vistos por alguém inteiramente e ainda assim ser amado é uma dádiva, diria quase um milagre.

Todos os seres humanos têm necessidades, tensões, defeitos e tentações. Quando passamos muito tempo juntos conhecemos de perto as falhas do outro, isso é o real batendo a nossa porta, mas também conhecemos o que é digno de respeito e admiração no outro.

Guardar um espaço na consciência grande o bastante para guardar e aceitar as contradições de alguém, até as suas idiotices pode nos tornar melhores. Digo ser tolerantes adaptando a vida da maneira mais generosa em volta da pessoa decente a sua volta que às vezes, pode ser um pentelho insuportável ou até mesmo parecer um inimigo.

Ser humano é ser imperfeito, mas como diz Dalai Lama passível de compaixão.

Hilzia Elane - 09.02.2011

UMA MONOGRAFIA SOBRE A VASOPRESSINA - MUITO INTERESSANTE

ALGO MAIS SOBRE OS GENES - PRINCIPALMENTE O GENE RECEPTOR DA VASOPRESSINA

O Gene Libertador


Por: por Matt Ridley ( Folha de São Paulo, domingo, 08 de junho de 2003 )


O GENE LIBERTADOR

Divulgação Edward Egelman/University of Minnesota

Ilustração representa reconstrução de duas cadeias da substância DNA (em vermelho) envoltas por proteínas


Quando os genes vieram à luz, perto do final do segundo milênio da Era Cristã, encontraram um lugar já preparado para eles à mesa da filosofia. Eram as Parcas da mitologia antiga, as entranhas da predição oracular. Eram o destino e a predeterminação, os inimigos da escolha. Eram restrições impostas à liberdade humana. Eram os deuses. A própria expressão "determinismo genético" se tornou sinônimo do inevitável.

A imagem é falsa. Agora que já afastamos o véu que encobria o genoma humano e pudemos vislumbrar um pouco do que os genes realmente fazem, começa a vir à tona uma visão mais libertadora.

A natureza ["nature"] humana é realmente produto dos genes em cada um de seus pormenores, mas a criação ["nurture"] também é, pois os genes passam tanto tempo reagindo às nossas ações quanto levam para causá-las. Os genes não restringem a liberdade humana -eles a possibilitam.

Considere o gene FOXP2 no cromossomo 7, isolado recentemente pelo grupo de Anthony Monaco no Centro de Genética Humana da Fundação Wellcome, em Oxford (Reino Unido). Mutações nesse gene causam deficiências específicas de linguagem -o gene parece ser necessário para o desenvolvimento adequado da fala e da linguagem humanas.

No entanto, ninguém sonharia em argumentar que o FOXP2 "determina" a fala. Mais exatamente, ele permite que a mente humana absorva, a partir das experiências vividas na primeira infância, o aprendizado necessário para falar. Ele possibilita a criação. Charles Darwin dizia que a linguagem é "um instinto de aquisição de uma arte".

É muito mais esclarecedor pensar em genes como mecanismos da natureza humana do que enxergá-los como os causadores dela; eles são engrenagens, e não deuses

De onde tiramos a idéia de que os genes são como implacáveis manipuladores de fantoches, imunes à influência externa?

Na década de 1890, o biólogo alemão August Weismann decepou as caudas de 57 gerações de camundongos e, a partir deles, criou uma nova geração. Os filhotes nasciam com caudas normais -logo, ele argumentou, Lamarck estava enganado quando afirmou que as características adquiridas modificam os elementos hereditários na linhagem de células germinativas [gametas].

Traduzido em termos moleculares, o argumento de Weismann assume a forma do "dogma central" de Francis Crick, segundo o qual a informação flui do gene para fora, e não de volta a ele.


A experiência não modifica as sequências dos genes, exceto por meio de mutações raras e aleatórias. O dogma de Crick continua em grande medida verdadeiro -talvez inteiramente. Mas, como Crick reconhece plenamente, ele não explica a forma como a informação de fato retroage sobre o gene. A sequência codificada é, realmente, imune às influências externas, mas a sequência expressa [em uso na célula], não.

Os genes são ligados e desligados por fatores de transcrição, que se ligam a suas sequências promotoras, e as ações das promotoras estão à mercê de fatores externos.

A experiência pode não modificar a sequência de um gene, mas pode alterar sua expressão.

Analisemos um exemplo. Os 17 genes CREB são uma parte vital do mecanismo do aprendizado e da memória. Se um deles não estiver funcionando, é impossível formar a memória de longo prazo.

O trabalho dos genes é alterar as conexões entre os nervos para formar uma nova associação, e eles são acionados em tempo real quando o cérebro guarda uma nova memória.

A transcrição dos genes é controlada pelo comportamento; o ato de aprender é que aciona os genes.


Paixão molecular

Vejamos agora outra maneira pela qual natureza e criação trabalham em conjunto -mais uma vez, as sequências promotoras estão na base de tudo.


O gene receptor da vasopressina, que nos seres humanos se situa no cromossomo 12, é controlado por um promotor cujo comprimento varia de uma espécie para outra.


A expressão desse gene em determinadas partes do cérebro dos roedores parece ser necessária para que eles formem vínculos monogâmicos de casal -para que se apaixonem, por assim dizer (as substâncias vasopressina e oxitocina são pequenos hormônios peptídicos que estimulam o comportamento de formação de vínculos).


O rato-calunga das pradarias, por exemplo, possui uma inserção de 460 pares de bases [as "letras" químicas do DNA] no promotor do gene, algo que está ausente em seu parente próximo, o rato-calunga montanhês. Isso tem o efeito de fazer com que o gene seja expresso em uma parte do cérebro do rato das pradarias que não está presente no rato montanhês. Faz com que aquela parte do cérebro seja sensível à vasopressina, uma molécula liberada no cérebro pelo ato sexual. A consequência disso é que o rato das pradarias macho se torna, por assim dizer, "socialmente dependente" das fêmeas com as quais manteve relações sexuais, enquanto o rato montanhês é socialmente indiferente a suas parceiras do passado.


De acordo com Tom Insel e Larry Young, da Universidade Emory, em Atlanta (EUA), isso explica a monogamia da primeira espécie e a poligamia da segunda.


O promotor mais longo ofereceu ao animal a possibilidade de se apaixonar por suas parceiras sexuais. Agora vem a parte interessante. O gene receptor da vasopressina no ser humano é bastante parecido com o do rato-calunga das pradarias, tanto em termos do comprimento do promotor quanto em seu padrão de expressão. Mas ele varia de comprimento entre indivíduos da mesma espécie. Nas primeiras 150 pessoas cujos genes Insel estudou, ele constatou 17 comprimentos diferentes de promotores.


Poderiam essas variações provocar diferenças na capacidade de cada pessoa de manter um vínculo monogâmico?

Não seria inteiramente surpreendente: a propensão para o divórcio é altamente passível de ser herdada, e as pessoas adotadas são mais semelhantes a seus pais biológicos do que a seus pais adotivos, nesse aspecto.


A mudança de enfoque do genoma codificado para o expresso vai alterar os termos do debate sobre a natureza humana, tanto para a ciência pura quanto para a aplicada.


Por exemplo, uma pesquisa de Avshalom Caspi e seus colegas no Instituto de Psiquiatria de Londres, divulgada no ano passado, oferece uma pista fascinante sobre como o comportamento anti-social pode ser afetado por uma interação entre genes e ambiente.


Quando eles examinaram um grupo grande de neozelandeses em busca de evidências de que abusos sofridos na infância pudessem induzir o adulto a apresentar comportamento anti-social, constataram que podem, sim -mas que isso acontece de maneira muito mais marcante em pessoas de determinado genótipo.


Homens que haviam sido maltratados quando crianças e que apresentavam genes

"de baixa atividade" para a monoamina-oxidase-A [MAO-A] no cromossomo X eram muito mais propensos a ter problemas com a lei, a descrever-se como violentos e a serem vistos como anti-sociais em testes de personalidade.

Aqueles que tinham genes "de alta atividade" eram amplamente resistentes aos efeitos de maus-tratos na infância. A diferença entre os genes de alta e de baixa atividade reside, mais uma vez, no comprimento dos promotores: promotores longos e curtos produzem baixa atividade, promotores intermediários produzem alta atividade (as mulheres são menos propensas a manifestar esse efeito porque possuem um cromossomo X a mais).

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

INFIDELIDADE NAS RELAÇÕES

"O primeiro casamento de Felipe não terminou por causa da infidelidade. Em vez disso, o relacionamento foi enterrado sob uma avalanche de infortúnios circunstanciais que causaram pressão demais sobre a família, e finalmente os laços se romperam. Foi uma pena, porque acredito honestamente que Felipe foi feito para se acasalar uma vez só pela vida inteira. Ele é leal em nível celular. Talvez isso seja quase literal. Nos estudos evolucionários recentes, há uma teoria que defende a existência de dois tipos de homem no mundo: os feitos para ter filhos e os feitos para criar filhos. Os primeiros são promíscuos; os outros, constantes...

Parece que existe uma variaçãozinha química fundamental no macho da espécia chamada "gene receptor de vasopressina". Os homens que têm o gene receptor de vasopressina tendem a ser parceiros sexuais leais e dignos de confiança, que se apegam à parceira durante décadas, criando filhos e administrando lares estáveis. Já os que não têm o gene receptor de vasopressina tendem aos flertes e à infidelidade, precisamos sempre buscar variedade sexual por ai...

As biólogas evolucionárias brincam que só há uma parte da anatomia masculina que qualquer candidata a parceira deveria ter o cuidado de medir: o tamanho do gene receptor de vasopressina...

... Mas também não considero eterna a decência de Felipe nem relaxo totalmente em relação à minha própria fidelidade. A história nos ensina que qualquer um  é capaz de tudo nos domínios do amor e do desejo. Na vida de todos nós, surgem circunstâncias que põem em cheque até a lealdade mais teimosa.
Talvez seja isso o que mais tememos ao entrar no casamento: que algum dia as "circunstâncias", sob a forma de alguma paixão externa incontrolável, rompam o laço.

Como se proteger dessa coisa?

O único consolo que já encontrei nesse assunto foi quando li a obra de Shirley P. Glass, psicóloga que passou boa parte da carreira estudando a infidelidade conjugal. A pergunta dela sempre era "Como foi que aconteceu?".

Como é que pessoas boas e decentes, se veem varridas de repente por correntes de desejo e destroem sem querer vidas e famílias? Não falamos aqui de puladores de cerca contumazes, mas de pessoas confiáveis que, contra o seu pr´prio bom senso ou código moral, se perdem.

Quantas vezes já ouvimos alguém dizer: "Eu não procurava amor fora do casamento, só que aconteceu"?
Descrito assim, o adultério começa a se parecer com um acidente de carro, um buraco escondido numa curva fechada, aguardando o motorista inocente.

Mas, na pesquisa, Shirley Glass descobriu que, se escvarmos um pouco mais a infidelidade, quase sempre vemos que o caso começou muito antes do primeiro beijo roubado. Ela escreveu que a maioria dos casos começa quando o marido e a mulher fazem um novo amigo e nasce uma intimidade aparentemente inofensiva. Ninguém sente o perigo se aproximar, porque o que há de errado na amizade? Por que não podemos ter amigos do sexo oposto - ou do mesmo sexo, aliás - quando estamos casados?

A resposta, como explica a dra. Glass, é que não há nada errado quando alguém casado começa uma amizade fora do matrimônio, desde que as "paredes e janelas" do relacionamento continuem no lugar certo. A teoria dela é que todo casamento saudável se compõe de parede e janelas. As janelas são os aspectos do relacionamento aberto ao mundo, isto é, as brechas necessárias pelas quais interagimos com a família e os amigos; as paredes são as barreiras de confiança, atrás das quais ficam guardados os segredos mais íntimos do casamento.

Entretanto, nas amizades supostamente inofensivas, o que acontece é que começamos a dividir com o novo amigo intimidades que deveriam estar escondidas dentro do casamento. Revelamos segredos sobre nós, nossos anseios e frustrações mais profundas, e se expor asssim dá uma sensação boa. Abrimos uma janela onde na verdade deveria haver uma parede sólida e resistente, e logo nos vemos derramando os segredos do coração para essa nova pessoa. Não querendo que o cônjuge tenha ciúmes, mantemos ocultos os detalhes da nova amizade. Com isso, criamos um problema: acabamos de construir uma parede entre nós e o cônjuge onde na verdade deveria haver a circulação livre de ar e luz. Portanto, toda a arquitetura da intimidade conjugal foi rearrumada. Todas as antigas paredes agora são imensas janelas panorâmicas; todas as antigas janelas agora estão emparedadas como as de uma casa abandonada. Sem perceber, acabamos de criar a planta baixa perfeita para a infidelidade.

Assim na hora que o novo amigo entra na nossa sala em lágrimas devido a alguma notícia ruim  e nos o abraçamos (só querendo consolar), e depois os lábios se roçam e percebemos, num ímpito estonteante, que amamos essa pessoa, que sempre amamos essa pessoa!, é tarde demais. Porque , agora, o estopim já se acendeu.  E agora corremos mesmo o risco, de algum dia (provavelmente logo), ficarmos no meio dos destroços da vida, diante do conjuge traído e abalado (de quem ainda gostamos imensamente, aliás), tentando explicar entre soluços que nunca quisemos ferir ninguém e que nunca vimos o que ia acontecer.

E é verdade. Não vimos o que ia acontecer. Mas fomos nós que construímos aquilo e poderíamos ter parado a tempo se agíssemos mais depressa. De acordo com a dra. Glass, assim que percebemos que estamos dividindo com um novo amigo segredos que na verdade deveriam pertencer ao cônjuge, há um caminho muito mais honesto e inteligente a seguir. A sugestão dela é que, ao voltar para casa, contemos tudo ao marido ou esposa. O roteiro é mais ou menos assim: " Tenho uma coisa preocupante para lhe contar. Esta semana fui almoçar duas vezes com Mark, e me assustei porque a conversa logo ficou íntima. De repente, me vi contando coisas que só contava à você. Era assim que conversávamos no início do nosso relacionamento, e eu gostava demais, mas acho que perdemos isso. Sinto falta desse nível de intimidade. Será que podemos fazer alguma coisa para reavivar a nossa ligação?

Na verdade, a resposta pode ser: "Não".

.... Mas se o seu conjuge for receptivo, talvez escute o  anseio por trás da confissão, e tomara quer reaja, talvez até retrucando com a expressão do seu próprio anseio...."  Elizabeth Gilbert

domingo, 6 de fevereiro de 2011

O CASAMENTO NA HISTÓRIA DA HUMANIDADE - TOMADA 4


Mas é claro que isso criou um problema. Se vamos desconstruir toda a estrutura social da família humana, o que vai subvstituir essa estrutura?
O plano cristão inicial era incrivelmente idealista e até absurdametne utópico: criar uma réplica exata do céu aqui na terra. "Renuncia ao casamento e imita os anjos", ensinava são João Damasceno por volta de 730 d.C, explicando o novo ideal cristão em termos nada incertos. E como imitar os anjos? Reprimindo as compulsões humanas, é claro. Cortando todosos laços humanos naturais. Mantendo sob controle todos os desejos e lealdades, com exceção do desejo de se unir a Deus. Nas hostes celestes dos anjos, afinal de contas, não existiam maridos e mulheres, mães e pais, adoração de ancestrias, laços de sangue, vingança de sangue, paixão, inveja, corpo - e, mais especificamente, sexo.

E esse devia ser o novo paradigma humano, segundo o modelo do exemplo de Cristo: celibato, companheirismo e pureza absoluta.

Essa rejeição da sexualidade e do casamento representou um enorme afastamento da forma de pensar do Antigo Testamento. A sociedade hebraica, por sua vez, sempre viu o casamento como o arranjo social mais digno e moral de todos (na verdade, os sacerdotes judeus têm obrigação de casar), e dentro desse laço do matrimônio sempre houve a presunção franca do sexo. É claro que o adultério e a fornicação aleatória eram atividades criminalizadas na antiga sociedade judaica, mas ninguém proibia marido e mulher de fazerem amor nem de terem prazer com isso. O sexo dentro do casamento não era pecado; o sexo dentro do casamento era ...casamento. Afinal de contas, era com sexo que se faziam bebês judeus, e como aumentar a tribo sem fazer bebês judeus?
Mas os primeiros visionários cristãos não estavam interessados em fazer cristãos no sentido biológico (como nenéns saídos do útero); em vez disso, estavam interessados em converter cristãos no sentido intelectual (como adultos que buscavam a salvação por opção individual). Não era preciso nascer no cristianismo; o cristianismo era escolhido por adultos, por obra e graça do sacramento do batismo.

Do livro : Comprometida - Elizabeth Gilbert

O CASAMENTO NA HISTÓRIA DA HUMANIDADE - TOMADA 3

Mesmo quando o casamento foi definido como união entre um homem e uma única mulher, nem sempre os seus própósitos foram o que supomos hoje. Nos primeiros anos da civilização ocidental, os homens e mulheres se casavam principalmente  com propósitos de segurança física. Na época, antes dos estados organizados, nos tempos selvagens do Crescente Fértil antes de Cristo, a unidade de trabalho fundamental da sociedade era a família. Da família vinham todas as necessidades básicas para o bem-estar social: não só companheirismo e procriação, mas também comida, moradia, educação, orientação religiosa, assistência médica e, talvez o mais importante, defesa. O berço da civilização era um mundo bem perigoso. Estar sozinho era ser alvo da morte. Quanto mais parentes, maior a segurança. As pessoas se casavam para expandir o número de parentes. Naquela época, não era apenas o cônjuge que servia de parceiro; era toda a gigantesca família extensa, funcionando (como os hmong, pode-se dizer) como uma única entidade parceira na luta constante pela sobrevivência.
Essas famílias extensas se transformaram em tribos, essas tribos em reinos, esses reinos viraram dinastias e essas dinastias lutaram entre si em guerra selvagens de conquista e genocídio. Os primeiros hebreus surgiram exatamente com esse sistema, e é por isso que o Antigo Testamento é um festival genealógico de ódio a estrangeiros, centrado na fámília, cheio de histórias de patriarcas, matriarcas, irmãos, irmãs, herdeiros e outros parentes sortidos. É claro que nem sempre essas famílias do Antigo Testamento eram saudáveis ou funcionais ( vemos irmãos matando irmãos, irmãos vendendo irmãos como escravos, filhas seduzindo o próprio pai, cônjuges traindo conjuges sexualmente), mas a narrativa principal trata sempre do progresso e das atribulações da linhagem, e o casamento era fundamental para a perpetuação dessa história.

Mas o Novo Testamento - ou seja, a chegada de Jesus Cristo - invalidou todas essas antigas lealdades familiares num grau quem, em termos sociais, foi verdadeiramente revolucionário. Em vez de perpetuar a noção tribal de "povo eleito contra o mundo", Jesus (que era solteiro, em contraste marcante com os grandes heróis patriarcais do Velho Testamento) ensinou que todos somos eleitos, que todos somos irmãos e irmãs unidos numa única família humana. Agora essa era uma ideia absolutamente radical que não teria a mínima possibilidade de deslanchar num sistema tribal tradicional. Afinal de contas, não se pode abraçar um estranho como se fosse irmão, a menos que se quisesse renunciar ao irmão biológico de verdade, derrubando assim um código antigo que interligava cada indivíduo aos seus parentes de sangue numa obrigação sagrada e o deixava ao mesmo tempo em auto-oposição diante do estrangeiro impuro. Mas era exatamente esse tipo de lealdade feroz ao clã que o cristianismo buscava derrubar.
Como ensinou Jesus: "Se alguém vier a mim, e não aborrecer a pai e mãe, a mulher e filhos, a irmãos e irmãs, e ainda também à própria vida, não pode ser meu discípulo" (Lc, 14, 26).

Livro: A Comprometida - Elizabeth Gilbert

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O CASAMENTO NA HISTÓRIA DA HUMANIDADE - TOMADA 2

Na China , a definição de casamento já incluiu a união sagrada entre uma mulher viva e um homem morto. Essa união era chamada de casamento fantasma. Uma moça de classe alta casava-se com um morto de boa família para selar os laços de união entre dois clãs. Ain da bem que não havia nenhumcontato real de esqueleto com carne viva ( era mais um casamento conceitual, pode-se dizer), mas a ideia ainda soa macabra aos ouvidos modernos. Dito isso, algumas chinesas passaram a ver esse costume como o arranjo social ideal. Durante o seculo XIX, um numero surpreendente de mulheres da região de Xangai trabalhava como mercadoras no comércio da seda, e algumas se tornaram empresárias de enorme sucesso. Na tentativa de conquistar independencia economica ainda maior, essas mulheres solicitavam casamentos fantasmas em vez de aceitar maridos vivos. Não havia caminho melhor para a autonomia de uma ambiciosa empresária jovem do que se casar com um cadáver respeitável. Isso lhe dava todo o status social do casamento sem nenhuma das restrições e inconveniência da condição real de esposa.

Parte do livro Comprometida - Elizabeth Gilbert

O CASAMENTO NA HISTÓRIA DA HUMANIDADE - TOMADA 1

O que é o casamento, afinal, se não um modo de obter o êxtase supremo?

Para mim, essa pergunta era dificílima de responder, porque o casamento, pelo menos como entidade histórica, tem a tendência de resistir às tentativas de definição em termos simples. Parece que ele não gosta de ficar muito tempo sentado para que alfuém possa fazer u retrato bem nítido. O casamento muda. Muda com o passar dos séculos do mesmo modo que muda o tempo na Irlanda: sempre, depressa e de forma surpreendente. Não dá nem para apostar com segurança na definição mais redutora e simples que o casamento é a união sagrada de um homem e uma mulher. Em primeiro lugar, nem sempre o casamento foi considerado "sagrado", nem mesmo na tradição cristã. E, para ser honesta, na maior parte da história humana o casamento foi geralmente considerado como união entre um homem e várias mulheres.

Mas às vezes o casamentos foi visto como união entre uma mulher e vários homens (como no sul da Índia, onde vários irmãos podem dividir a mesma noiva). Ás vezes o casamento também foi reconhecido como união entre dois homens (como na antiga Roma, onde os casamentos entre homens e aristocratas chegaram a ser reconhecido por lei); ou como união entre dois irmãos (como na Europa medieval, quando havia propriedades valiosas em jogo); ou como união entre duas crianças (novamente na Europa, combinada por pais que queriam proteger heranças ou por papas que detinham o poder); ou como união entre não nascidos (idem); ou como união entre duas pessoas limitadas a mesma classe social (mais uma vez na |Europa, onde era comum os camponeses medievais serem proibidos por lei de se casar com os seus superiores para manter na mais perfeita ordem as divisões sociais).
Ás vezes o casamento também foi considerado uma união deliberadamente temporária. No Irã revolucionário moderno, por exemplo, os casais jovens podem pedir ao mulá uma licença de casamento especial chamada sigheh: um passe de 24 horas que permite ao casal estar "casado" só por um dia. Esse passe permite que um homem e uma mulher sejam vistos juntos em público sem problemas e até fazer sexo legalmente, criando uma forma de expressão romântica provisória protegida pelo casamento e sancionada pelo Corão.

Parte do livro : Comprometida de Elizabeth Gilbert

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

So Ham significa Eu sou isso



É o mantra que corresponde ao som da respiração, feito de forma inconsciente quando respiramos. Quando inspiramos produzimos o So e quando expiramos soltamos o Ham. Mesmo sem consciência, repetimos este mantra todos os minutos de nossas vidas. Isso representa a base divina da realidade. Com cada expiração tomamos consciência da ação de dar e de deixar ir. Com cada inspiração tomamos consciência de receber e de honrar o Eu. Todas as intenções dissolvem-se na pulsação das qualidades sonoras do mantra, trazendo quietude e paz com o ritmo - o mesmo das serenas ondas do mar.

A HISTÓRIA DE LIZAH – CINCO





Quem é Lizah Breuy? A pergunta da terapeuta ressoa pelas paredes da sala e a absorvo temente.

A primeira resposta que vem a minha cabeça é: Lizah é uma idiota, uma burra.

Respiro antes de responder e nesse breve instante eu vejo uma Lizah inteligente, esperta, ávida pela vida e me pergunto: Como posso achá-la idiota e burra?

E nessa breve confabulação com meu eu percebo que idiota e burra não são bem os termos, mas não encontro o termo para definir Lizah durante o tempo em que viveu uma vida que ela acreditava ser maravilhosa. Inocente seria a palavra? Como uma mulher da minha idade podia ser inocente? Desatenta aos fatos que se mostravam claros para ela ou cega, será que ela não queria ver o que era um farol delineando suas opções? Ou será que eu estava tão entretida na minha construção da vida que escolhi, minha família, que não percebi que era usada, sugada?

Não sei definir Lizah! Quem sou eu? O que fui era eu ou me deixei ser moldada por uma mente fria que me manteve nos trilhos que ela construiu? Quais eram as minhas verdades? Costumava dizer que ele ao ir embora levou as minhas verdades, será? Ou será que ele levou as verdades dele que eu fiz as minhas?

Quais são as minhas verdades?

Lizah Breuy quem é você? Quais são suas verdades?

Enquanto eu aloprava mentalmente minhas amigas e a terapeuta aguardavam minha resposta e tudo que consegui dizer foi Lizah Breuy não sou eu. Vivi nessa forma não sendo eu. Por quê? Não consigo dar resposta a essa pergunta.

Quem eu sou...?

E desandei a chorar, não pelo fato de não ter sido quem eu achei que era, nessa caminhada aprendi que o agora é o que importa, mas talvez pelo fato de ter desaprendido ou nunca ter realmente visto quem eu sou e o mais aflitivo é como encontrar-me a partir de agora.

Acredito que seja esse um dos motivos de eu sair da minha casa, dirigir alguns quilômetros duas vezes na semana para estar aqui e falar, falar e dar forma aquilo que dentro de mim ainda encontra desarmonia Achar o equilíbrio para não enlouquecer e seguir em frente certa de que sou maior do que tudo isso, produzo forças para ultrapassar meus limites e ressurgir das cinzas, pensando bem já ressurgi delas, apenas ainda encontro resíduos da queima de alguma brasa que insiste em reacender. Entretanto me colocar do lado de fora da minha vida e analisá-la com imparcialidade significa que estou curada, que acredito em mim e que não permitirei mais o sofrimento resultado de ser enganada por esse tipo de pessoa; isso nunca mais na minha existência, seja ela qual for.


Hilzia Elane - do meu novo livro


STACEY KENT

21 conselhos das Universidades de Medicina: HARVARD e CAMBRIDGE


As universidades Harvard e Cambridge publicaram recentemente um compêndio com 20 Conselhos saudáveis para melhorar a qualidade de vida de forma prática e habitual :


01- Um copo de suco de laranja

Diariamente para aumentar o Ferro e repor a vitamina C.



02- Salpicar canela no café

(mantém baixo o colesterol e estáveis os níveis de açúcar no sangue).



03- Trocar o pãozinho tradicional pelo pão integral

O pão integral tem 4 vezes mais fibra, 3 vezes mais zinco e quase 2 vezes mais Ferro que tem o pão branco.



04- Mastigar os vegetais por mais tempo.

Isto aumenta a quantidade de químicos anticancerígenos liberados no corpo. Mastigar libera sinigrina. E quanto menos se cozinham OS vegetais, melhor efeito preventivo têm.



05- Adotar a regra dos 80%:

Servir-se menos 20% da comida que costuma comer, evita transtornos gastrintestinais, prolonga a vida e reduz o risco de diabetes e ataques de coração.



06- LARANJA o futuro está na laranja, que reduz em 30% o risco de câncer de pulmão.



07- Fazer refeições coloridas como o arco-íris .

Comer DIARIAMENTE, uma variedade de vermelho, laranja, amarelo, Verde, roxo e branco em frutas e vegetais, cria uma melhor mistura de antioxidantes, vitaminas e minerais.



08- Comer pizza, macarronada ou qualquer outra coisa com molho de tomate.

Mas escolha as pizzas de massa fininha. O Licopeno, um antioxidante dos tomates pode inibir e ainda reverter o crescimento dos tumores; e mais é melhor absorvido pelo corpo quando os tomates estão em molhos para massas ou para pizza .



09- Limpar sua escova de dentes e trocá-la regularmente .

As escovas podem espalhar gripes e resfriados e outros germes. Assim, é recomendado lavá-las com água quente pelo menos quatro vezes à semana (aproveite o banho no chuveiro), sobretudo após doenças, quando devem ser mantidas separadas de outras escovas.



10- Realizar atividades que estimulem a mente e fortaleçam sua memória...

Faça alguns testes ou quebra-cabeças, palavras-cruzadas, aprenda um idioma, alguma habilidade nova... Leia um livro e memorize parágrafos; escreva, estude, aprenda. Sua mente agradece e seus amigos também, pois é interessante conversar com alguém que tem assunto.



11- Usar fio dental e não mastigar chicletes .

Acreditem ou não, uma pesquisa deu como resultado que as pessoas que mastigam chicletes têm mais possibilidade de sofrer de arteriosclerose, pois tem os vasos sanguíneos mais estreitos, o que pode preceder a um ataque do coração. Usar fio dental pode acrescentar seis anos a sua idade biológica porque remove as bactérias que atacam aos dentes e o corpo.



12- Rir.

Uma boa gargalhada é um pequeno exercício físico: 100 a 200 gargalhadas equivalem a 10 minutos de corrida.

Baixa o estresse e acorda células naturais de defesa os anticorpos.



13- Não descascar com antecipação.

Os vegetais ou frutas, sempre frescos, devem ser cortados e descascados na hora em que forem consumidos. Isso aumenta os níveis de nutrientes contra o câncer. Sucos de fruta têm que ser tomados assim que são preparados.



14- Ligar para seus parentes/pais de vez em quando.

Um estudo da Faculdade de Medicina de Harvard concluiu que 91% das pessoas que não mantém um laço afetivo com seus entes queridos, particularmente com a mãe, desenvolvem alta pressão, alcoolismo ou doenças cardíacas em idade temporã .



15- Desfrutar de uma xícara de chá.

O chá comum contém menos níveis de antioxidantes que o chá Verde, e beber só uma xícara diária desta infusão diminui o risco de doenças coronárias. Cientistas israelenses também concluíram que beber chá aumenta a sobrevida depois de ataques ao coração.



16- Ter um animal de estimação.

As pessoas que não têm animais domésticos sofrem mais de estresse e visitam o médico regularmente, dizem os cientistas. Os mascotes fazem você sentir-se otimista, relaxado e isso baixa a pressão do sangue.

Os cães são os melhores, mas até um peixinho dourado pode causar um bom resultado.



17- Colocar tomate ou verdura frescas no sanduíche.

Uma porção de tomate por dia baixa o risco de doença coronária em 30%, outras vantagens são conseguidas atráves de verduras frescas.



18- Reorganizar a geladeira .

As verduras em qualquer lugar de sua geladeira perdem substâncias nutritivas, porque a luz artificial do equipamento destrói os flavonóides que combatem o câncer que todo vegetal tem. Por isso, é melhor usar á área reservada a ela, aquela caixa bem embaixo ou guardar em uma vasilha escura e bem fechada.



19- Comer como um passarinho.

A semente de girassol e as sementes de sésamo nas saladas e cereais são nutrientes e antioxidantes. E comer nozes entre as refeições reduz o risco de diabetes.







20- Uma banana por dia quase dispensa o médico.



A banana previne a anemia, a tensão arterial alta, melhora a capacidade mental, cura ressacas, alivia azia, acalma o sistema nervoso, alivia TPM, reduz risco de infarto, e tantas outras coisas mais, então: é ou não é um remédio natural contra várias doenças?





21- e, por último, um mix de pequenas dicas para alongar a vida:

-comer chocolate.

Duas barras por semana estendem um ano a vida. O amargo é fonte de ferro, magnésio e potássio....(nuss eu que como uma por dia então, vou viver pra sempre rsrrss)





- pensar positivamente .

Pessoas otimistas podem viver até 12 anos mais que os pessimistas, que, além disso, pegam gripes e resfriados mais facilmente, são menos queridos e mais amargos.



- ser sociável.

Pessoas com fortes laços sociais ou redes de amigos têm vidas mais saudáveis que as pessoas solitárias ou que só têm contato com a família.



- conhecer a si mesmo .

Os verdadeiros crentes e aqueles que priorizam o 'ser' sobre o 'ter' têm 35% de probabilidade de viver mais tempo, e de ter qualidade de vida...

'Não parece tão sacrificante, não é verdade? Uma vez incorporados, os conselhos, facilmente tornam-se hábitos.

OM MANI PADME HUM


Om mani padme hum é um dos mantras do budismo; o mantra de seis sílabas do Bodisatva da compaixão: Avalokiteshvara. De origem indiana, de lá foi para o Tibete. O mantra é associado ao deus de 4 braços Shadakshari, uma das formas de Avalokiteshvara.

O Dalai Lama é tido como uma emanação de Chenrezig (Avalokiteshvara), por isso o mantra é especialmente entoado por seus devotos e é comumente esculpido em rochas e escrito em papéis que são inseridos em rodas de oração ("mani korlo" em tibetano) para potencializar seu efeito.

É o mantra mais entoado pelos budistas tibetanos

Om fecha a porta para o sofrimento de renascer no reino dos deuses. O sofrimento do reino dos deuses surge da previsão da própria queda do reino dos deuses (isto é, de morrerem e renascerem em reinos inferiores). Este sofrimento vem do orgulho.

Ma fecha a porta para o sofrimento de renascer no reino dos deuses guerreiros (sânsc. asuras). O sofrimento dos asuras é a briga constante. Este sofrimento vem da inveja.

Ni fecha a porta para o sofrimento de renascer no reino humano. O sofrimento dos humanos é o nascimento, a doença, a velhice e a morte. Este sofrimento vem do desejo.

Pad fecha a porta para o sofrimento de renascer no reino animal. O sofrimento dos animais é o da estupidez, da rapina de um sobre o outro, de ser morto pelos homens para obterem carne, peles, etc; e de ser morto pelas feras por dever. Este sofrimento vem da ignorância.

Me fecha a porta para o sofrimento de renascer no reino dos fantasmas famintos (sânsc. pretas). O sofrimento dos fantasmas famintos é o da fome e o da sede. Este sofrimento vem da ganância.

Hum fecha a porta para o sofrimento de renascer no reino do inferno. O sofrimento dos infernos é o calor e o frio. Este sofrimento vem da raiva ou do ódio.