domingo, 22 de janeiro de 2012

DA IRREVERÊNCIA

7, 2010 Janeiro



Johnny Depp, declarou que uma das características que mais aprecia em um ser humano é a irreverência. Talvez com o inconsciente e delirante intuito de agradar o astro de Inimigos Públicos, fiquei com esta palavrinha dando voltas na cabeça.

O que é ser irreverente? A definição que se apressa em responder ao questionamento é: ser irreverente é ser engraçado. Mas esta resposta camufla o que a palavra de fato significa. Irreverência é não reverenciar. Daí a relação com o humor. Só conseguimos fazer graça com aquilo que não colocamos em um pedestal.
Pode ser uma religião, um partido político, um time de futebol, um chefe, um pai ou uma mãe. Tudo que exige admiração incontestável não admite ser satirizado. E quem ambiciona ser reverenciado não sabe rir de si mesmo, não aceita ser contestado.
Um ditador não permite ser tema de risadas, porque a partir do humor sua falibilidade vem a público. A fé precisa de reverência porque sob a simples possibilidade de falência deixa de existir. Pais que baseiam a educação na autoridade perdem o controle sobre a prole se colocados no mesmo nível dos filhos.
A irreverência é chave para o questionamento e para a criação. Se a ciência não contestasse as verdades absolutas ainda acreditaríamos que a Terra é quadrada, não existiriam vacinas nem foguetes espaciais. Se todas as instituições humanas fossem idolatradas cegamente não haveria literatura, cinema, teatro, arte, circo. Nem este blog que você lê agora estaria na tela do seu computador.
E não é preciso temas grandiosos para aplicar a irreverência. Um problema cotidiano tratado como algo intocável, é impossível de ser resolvido. Não é possível rir de tudo, mas o simples fato de admitir que algo pode ser menos do que parece já ajuda bastante.
Ser irreverente não é ser desrespeitoso. O respeito é o que nos separa da selvageria. Mas se curvar, bater continência, baixar a cabeça nem sempre tem a ver com respeito.
Se não é possível sorrir de algo tem alguma coisa errada, conteste. Mas a contestação bruta, que se choca tentando medir forças com o objeto de questionamento, sem saber rir de si mesma, também perde o seu poder criador. Nada, nem ninguém, deveria se levar tão a sério. É nestes casos que entra o Teorema de Depp: melhor será aquele que souber ser irreverente.

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