MULHERES, INDIGNAI-VOS!
MULHERES, INDIGNAI-VOS!
E então eu sempre me acreditei uma mulher avançada, liberal com idéias diferentes (óbvio) de outras gerações. Acreditei que meu casamento era diferente, sem cobranças imbecis, cobranças sempre vão existir quando há relacionamento, mas eu acreditava que não havia cobranças que ceifavam o individual.
Quando casei o fiz porque eu quis e não porque era uma imposição social, aliás durante muito tempo minha opção era de não casar, até que um dia isso mudou. Nunca abandonei meu trabalho fora de casa, minha luta para ficar melhor. Nunca fui uma esposa pentelha que ficava pendurada no pé do marido. Sempre resolvi meus problemas com independência. Sempre achei que o melhor em um relacionamento é o diálogo, essa coisa de pedir permissão ao outro não rolava nem do meu lado nem do outro. Sempre resolvemos o melhor para cada um. Se eu queria ir ali eu ia e não havia estresse (pelo menos não se expressava). Enfim sempre acreditei que o pra sempre seria pra sempre enquanto durasse. Mas, também nunca aventei a idéia de que não durasse.
E quando não durou demorei a realizar o fato.
Enfim a luz se fez e com isso tive que lidar com problemas complicados e quer saber nunca imaginado. Podem me chamar de inocente e babaca eu mereço.
Percebi que achava que sabia muito, mas no fundo não sabia era nada do que um casamento dentro da lei do Estado pode trazer para a mulher. Fiquei muito p da vida com a minha arrogante e pseudo-sabedoria.
Não precisa ser muito inteligente para admitir que uma crise (quando fazemos coisas que mais detestamos e tememos) no mínimo é uma grande oportunidade de crescimento. Mas, confesso não foi muito fácil endurecer, porém foi preciso. Um amigo me disse uma frase bem legal: “Seja um cabo de aço por onde a ternura deslize por dentro, mas seja um cabo de aço porque assim nada vai afetar sua essência”.
Porém a minha indignação persiste e é por isso que escrevo esse texto.
Não é possível que o papel da mulher ainda seja tão insignificante, quando falamos de casamento civil, daquele que assinamos no cartório, onde o que chamamos de “Estado” nos representa. Possível é por isso é que estou tão indignada.
O casamento como entidade história sempre teve a tendência de resistir às tentativas de definição. O casamento com o passar dos séculos mudou, nem sempre o casamento foi considerado sagrado, nem na tradição cristã. Ele já foi visto historicamente falando como a união de um homem com várias mulheres, de uma mulher com vários homens, entre dois irmãos, entre duas crianças (reis e rainhas casando-se infantes para assegurar a união dos reinos ou heranças), até uma união entre não nascidos, os prometidos. O casamento já foi também uma união temporária. Enfim já se mudou a forma do casamento civil em diversas culturas, séculos e cabeças individuais.
Mas, parece que quando o “Estado” entra em ação (uma forma de controle patrimonial – isso é bem explicado num livro sensacional que li) o papel da mulher ainda é zero como há séculos.
Quando o casal tem filhos então, ah o filho é o enfoque central. Ou seja, quem não batalhou pelo patrimônio é quem leva vantagem em tudo, tem “direitos”. Tá, eu entendo que o “Estado” queira proteger a prole( traduzindo: o patrimônio), mas e a mulher que foi quem batalhou junto para que aquele patrimônio existisse? Direitos iguais ao homem!!!? Balela pura! Nem no casamento.
Enfim, voltando ao caso indignante: eu não queria a separação, quem quis saiu de casa e um dia me intimou ao divórcio litigioso de uma forma nada elegante, assim como foi ir embora. Tudo bem quem está na chuva é para se molhar e eu fiquei encharcada.
Fui obrigada a entrar em um “acordo” patrimonial (segundo o advogado se não houvesse um acordo eu teria que desembolsar mais grana e não havia certeza de que eu teria meus direitos respeitados, iria depender do dia, da cabeça da juíza. Não existe nada por escrito na lei que dê à mulher a certeza de que não irá sair com uma mão na frente e outra atrás.
Algumas pessoas vão pensar: “ninguém é obrigada a fazer acordo, fez acordo porque quis, podia ir a luta. Concordo, mas o processo é tão desgastante e caro que o que você quer mesmo é ver tudo acabado mesmo que você saia de mãos vazias. Mas, graças a Deus existe o advogado que te acorda e diz: Você tem direitos!
Acreditem a mulher é forçada sim pelas circunstâncias a fazer acordos e quando tem filho menor que o juiz pede o testemunho? Qual mãe vai querer que um filho pequeno passe por isso?
Sentimentos, psicológicos o que é isso para a lei? O que importa é resolver o patrimônio. É para isso que a lei existe. Triste, pesado mas é a verdade, a pura verdade.
Direitos – quais foram os meus? Fui retirada da conta conjunta. Retirada oficialmente não porque para isso eu preciso assinar, mas meus cartões, o do banco e de crédito, foram retirados, meu acesso proibido, senhas trocadas, nossa poupança... Nossa? O nosso dinheiro passou a ser dele, porque ele resolveu que seria dessa forma. Tudo passou a ser como ele determinava. Minha vida financeira não existia, já que tudo nosso era junto. Agora ele pagava o que achava que tinha que pagar, na hora que queria.
Tive que provar o contrário do que ele alegava para o divórcio litigioso, ou seja, tive que provar ao “Estado” de que ele mentia descaradamente para obter o que ele tinha resolvido ser o melhor para o que era ainda era chamado pela lei de casal e não ele provar o que dizia contra mim. Para isso tive que pagar um advogado pegando empréstimo com uma amiga.
Tive que lutar para permanecer com meu nome. Eu até gostaria de voltar com meu nome de solteira, mas a aporrinhação que ia me dar profissionalmente e o dinheiro que eu ia gastar para trocar toda a minha documentação me fez refletir que o melhor era manter o que há 28 anos eu usava.
E tive que lutar por isso! Então fiquei confusa, lutar para permanecer o que eu sou, ou será que eu não era essa a quem nomeava? Ou já fui e não sou mais, quem decide isso?
O “Estado” considera que o nome foi generosamente cedido à mulher pelo homem, o nome é dele. Eu que vivi 28 anos assinando, inclusive documentos do “Estado” esse nome generosamente cedido sou uma farsa, meu nome pode ser mudado a qualquer hora se quem generosamente o cedeu um dia o quiser de volta. É dele o poder de novo!
Tá certo que fui informada pela juíza no dia do “acordo” de que ninguém mais pode me obrigar a mudar meu nome, só eu posso querer mudá-lo – uau uma grande mudança essa a do “Estado” a gente tá super agradecida, um ponto no placar a favor de nós mulheres.
Agora se isso realmente já é lei porque permitem que a mulher passe por essa aporrinhação?
Na minha cabeça o digníssimo deveria ser avisado na hora em que lá no papel de solicitação do divórcio coloca que quer o nome dele de volta de que ele não tem mais esse poder – patético!!!
Enfim, a última pelo que passei e foi ontem, que acredito não ser a última, foi que o banco no qual depositei meu dinheiro, da minha labuta, na conta corrente onde eu era o e/ou não me enxerga como cliente. O cliente é ele.
Então 19 anos de banco com as regalias conquistadas não sobra nada para mim. Tudo é dele. E para eu abrir uma nova conta no mesmo banco tenho que começar do zero, como uma nova cliente que pela primeira vez entrou naquele banco.
E ainda tem mais, se o digníssimo resolver sair da conta e me passar para o titular mesmo assim todos os benefícios que conquistamos juntos na conta desapareceriam para mim. CARACA o que é isso!!!!
E algumas pessoas ainda ficam indignadas quando algumas mulheres não querem casar oficialmente!!!
Eu estou bem leitor. Vou abrir minha conta nova no mesmo banco, vou conseguir novamente meus benefícios. A mulher tem essa coisa de desapegar. Mas fico indignada com tanta sacanagem com um ser que também é humano e deveria ter direitos e deveres, indignada com essa caótica distorção do papel da mulher no casamento, ou será que o Estado não sabe que em muitos lares a mulher é quem segura a onda!!! Não quero regalias, apenas os mesmos direitos.
Não prego contra juntar, casar oficialmente, se relacionar seja lá como for, só acho hoje que sentimento e dinheiro não podem mais andar no mesmo barco, porque quando o barco afunda por lei as bóias são para o macho, a fêmea tem que nadar até a praia. Não precisamos mais passar por esse esforço.
Leitor, não sou uma mulher despeitada, ah isso eu não sou mesmo ahaha, não estou nessa de estar super decepcionada, de não querer mais me relacionar intensamente. Para mim, que sou do signo de peixes, relacionar significa intensamente, mas não mais cegamente, melhor dizendo inocentemente..
Esse texto é só um desabafo, um alerta, indignação de uma mulher, de um ser humano que é contra qualquer opressão seja com pobre, negro, criança, estrangeiro, mulher, homossexual e até com homens que realmente são do bem. Não sou feminista, apenas sou humanista, pelo menos tento ser, mesmo sabendo que sou também um ser opressor; porque todos os são até quando não querem ou não acham que são. Isso está incutido no DNA do ser humano, mas se existe a lei para organizar essa dualidade humana que ela seja igualitária realmente e não mais uma ficção da sociedade.
Escrevo para organizar aquilo que vai dentro de mim.
This is it
Hilzia Elane Almeida Bacellar Pereira 11.11.2011
oi adorei o blog e já estou seguindo.
ResponderExcluirVou amar se fizer uma visitinha no meu blog e me seguir tbm . http://jeniferfashionlook.blogspot.com/
bjs