segunda-feira, 21 de março de 2011

Ah, esse seu jeito meio feio de se ir...



Não entendi nada, mergulhei na profundeza escura da minha perplexidade e lá fiquei por um período longo

A parte mais engraçada (ou será a mais estranha) de tudo é que para ser dessa forma sua partida é bem provável que eu não o convenci do quanto o amava, talvez não tenha deixado claro que você além de meu homem era o meu melhor amigo.

Ou até pode ser que você não levasse a sério ou não acreditasse na minha parceria, no meu jeito de amar você. Ou não enxergasse a realidade da minha devoção verdadeira.

É, acho que se isso estivesse claro para você, se você realmente acreditasse nisso não desistiria quando eu verbalizasse ao contrário, seja lá qual fosse meu bad moment. Pois eu também tenho os meus (não tenho?).

Se isso fosse o fundamental era óbvio você segurar as rédeas da nossa relação no momento em que eu não fosse mais capaz de. Acho que você esperaria a confusão passar, a minha crise passar mesmo se não pudesse fazer nada efetivo para ela passar no momento da sua presença.

Claro isso seria perfeito e só aconteceria se você realmente acreditasse que eu o tinha como a única pessoa com quem eu teria a coragem e a alegria de ficar junto por tanto tempo. Só se você confiasse no que vivemos antes.

Ou não,  talvez eu devesse ter isto embora e desistido de você, quando você não tinha tempo para mim, devido as suas reuniões e viagens de trabalho infindáveis que o deixava off de mim por dias, semanas e até meses. Mesmo pelo telefone eu tinha que ser breve porque você não tinha muito tempo para dispor.

Devia ter desistido quando eu sabia que você estava à volta com mulheres educadas, bem arrumadas, pessoa elegante em almoços e jantares em restaurantes chiques que nunca me levou.

Talvez eu não devesse acreditar que você realmente não ia para a cama com nenhuma delas mesmo estando hospedado no quarto ao lado em um hotel caríssimo que eu nunca pisei. Quem sabe seria saudável duvidar também do quanto você me amou e o quanto era sincero comigo. Porque não duvidei de você?

Eu achava que meu carinho, meu amor por você era tão claro!!!

Hoje já não me sinto traída por você e sim por mim mesma.
Pode ter sido uma insegurança sua? Lembro que era eu quem era a ciumenta!!!! Lembra, você não admitia que eu tivesse um tico que fosse de ciúmes! E mesmo eu tendo algum ciúme de você nunca me deixou a certeza de que  você me amava, de que você era sincero comigo.
Minha insegurança nunca me fez duvidar dos seus sentimentos para comigo. Teria eu me iludido tanto?

Com você não, percebo que a sua insegurança em relação aos meus sentimentos o fez ir embora, o fez desistir do nosso futuro e da nossa linda História, logo quando podíamos ser só nós novamente, poderíamos pensar novamente em nós até mesmo individualmente!! Tolinho!

Lembrando bem, você nunca acreditou que era possível ser amado da forma que eu o amava. No fundo, no fundo você sempre teve dúvidas. Lembro que dizia que "eu era muita areia para o seu caminhãozinho". Você realmente acreditava nisso!! Não era apenas brincadeira.
Saiba bobinho que eu me derramaria inteira mesmo que você só tivesse um velocípede. Mas claro, isso você não ousaria acreditar.

O que eu estive pensando, esperando esse tempo todo depois que você se foi?  Não sei porque considerei importante por tanto tempo você me ter na sua memória afetiva, se eu mesma não me dei a mínima!

Amei-o sem nenhuma sensatez! UAU! Que descoberta dolorosa para minha pessoa que teima em não acreditar na impermanência das coisas. Não..., isso não é verdade!! Eu acreditei sempre nessa tal impermanência, o que eu não acreditava é que um dia você ia deixar de me querer, falando sério isso nunca mesmo passou pela minha cabeça, eu tinha tanta certeza...
No que eu realmente acreditava era num amor único e indissolúvel, não pelas leis - leis unem e desunem a qualquer hora. Para mim nem a morte nos separaria, nem ela terminaria um amor verdadeiro, que achei ser o nosso, algo de outro mundo, saca?

Talvez se você tivesse morrido naquele acidente esse amor realmente fosse eterno... quem sabe se eu interferi no curso desse amor salvando-o do atropelamento?

Você não me enganou momento algum, eu é que adorei enganar a mim mesma.

Você já vinha sinalizando, me deixe. Você realmente pediu sem falar claramente, sem dizer palavra alguma, me deixe. Olhe com lhe trato, veja como não te quero mais, lembra que eu não a toco mais, não quero fazer mais sexo com você, não quero mais dançar com você, não quero mais falar com você, o que você fala soa chatice, veja não quero mais olhar para você e de tanto você insistir passei a achar que era melhor mesmo desistir desse “nós” daquele momento. Da nossa história daquele momento ... e na frente de duas pessoas desconhecidas chutei a bola que você posicionou durante dois anos nos meus pés. Faltou em você coragem para chutá-la?

Foi à decisão mais rápida e a mais longa da minha vida. Também estávamos vivendo a dois anos tão juntos e tão separados!!!
Então se fui eu quem decidiu a pendenga porque não mantive a decisão daquela tarde? Talvez porque essa decisão não foi minha, é não foi mesmo.

Doeu perder você. Passado sete anos, ainda me lembro. Uma dor que carreguei para os consultórios de psicoterapeuta, de psiquiatra, para o bar e para minha cama solitária. Uma dor massacrante do abandono, da falta de beijos, da falta de confidências, da ausência de um amigo querido. A saudade é uma presença.
Faz tanto tempo desde aquela cena bizarra e ainda consigo visualizá-la com muita clareza, como gostaria de escurecê-la...

Hoje ainda me vejo perguntando se você me amou de verdade. A sensação é de que você queria me fazer feliz desde que você estivesse feliz.

Tenho guardadas todas as nossas fotos, bilhetes, cartas. Isso me faz acreditar que esse amor possa mesmo ter existido, mas não descarto a possibilidade de você ter projetado um amor em mim para vencer sua carência existencial, visível a olho nu, isso agora porque antes eu achava que a carente era eu e de você eu ttinha uma uma segurança que exalava vinte e quatro horas por dia.

Sei que você me fez feliz, sei exatamente quando, como e por que. Ao mesmo tempo olho para trás e não me lembro de ter feito você feliz da mesma forma, com serenidade. Você nunca me considerou seu porto seguro, seu repouso, seu oásis. A impressão é de que a minha presença funcionava como algo que o fazia ficar em euforia, em alerta ou surtado.

Quando eu deitava em seu peito, após a loucura do dia, encontrava o compasso tranqüilo do seu coração dando as boas vindas aos meus ouvidos. Agradecia nesse momento a benção de ter você meu parceiro,  uma certeza de quem eu era para sua vida. Você não me deixava insegura, você me trazia a segurança de um porto lindo onde minha embarcação podia ficar, ficar, ficar...sair e voltar.

Houve inteiros momentos em que vivemos um confiando no outro e como nos divertíamos!!! Foram nossos dias fáceis, férias que nos permitíamos. Mas, eles tinham prazo para terminar e a certeza de um novo começo.

Então de repente para eu continuar ao seu lado, eu teria que desistir de mim, da minha liberdade, da minha visão, do meu ponto de vista preto na parede branca e quase que você conseguiu, passei a me desprezar, passei a ser medíocre perdendo meu tempo dando explicações estapafúrdias sobre coisa nenhuma. Será que eu ainda me amava?

E o que deu em você agora de achar que é meu amigo? Como assim um amigo? Você não liga para mim, não sabe se estou viva ou morta! Não participa de nada na minha vida! Nem consegue trocar algumas sílabas comigo! AMIGO! Você nunca mais me procurou? Porque agora desejar feliz aniversário? O sumiço foi uma defesa? A bondosa invisibilidade mútua! Melhor mesmo, levei muitas bofetadas que fingi não levar nas vezes que o encontrei.

Devo imaginar que esse deva ser o modo mais agradável de você olhar o que restou, o da consciência limpa. Mas não restou nada meu amor, nem a amizade. Você nunca foi violento, mas como foi cruel.

Já dei adeus a você que partiu com suas certezas e verdades e também me despedi da pessoa sofrida que fiquei sendo depois da sua partida. Aquele eu amargurado e não estou nem um pouco a fim de compartilhar algo com quem não me acredita, não me respeita, não respeitou nada do que vivemos.

Você superou minhas expectativas, me fez desacreditar das verdades que juntos construímos, desacreditar até de mim mesma. Enfim, estou curada, recuperada da sua ausência na minha vida e não vou dedicar a você um segundo da minha existência, porque não falo de mim para estranhos.

21.03.2011

quinta-feira, 10 de março de 2011

UM CARNAVAL UAI

Nesse domingo de carnaval dei um tempo dos blocos do Rio e vim conhecer o carnaval atual de Juiz de Fora, terra onde passei minhas férias infantis e onde minha mãe brincou belíssimos carnavbais de rua testemunhados pelas fotos que guarda com muito carinho.
Fui ver de camarote a passagem das escolas de samba especiais. Hoje o desfile não é mais na famosa Av. Rio Branco. Confesso que fiquei desapontada com o local escolhido para o povo entoar uma arte que durante o ano inteiro é tecida.
Principalmente com os buracos que avidamente aguardavam um tornozelo desavisado que alegremente conduzia passistas, madrinhas de baterias, destaques.
E o espaço para a escola evoluir a sua beleza não comportava três carros paralelos em dias normais, ou será que estou exagerando? Pode ser! Estou tão acostumada com o espaço do Rio!!

O que não faltou foi a garra do povo brasileiro, presente do Oiapoque ao Chuí seja no carnaval ou nos dias comuns.

Mesmo com uma chuva torrencial, com passos derrubantes do asfalto falto e o pouco espaço para os carros alegóricos o povo cantava, sorria e se apresentava dignamente como merece essa tão linda ópera popular.

Hilzia Elane  ao som matinal dos cantos passarinhais mineiros uai - numa segunda-feira de 2011.

PERDÃO

A gente perdoa quem realmente nos importa perdoar.
O resto deixa com Deus, ele se incube disso perfeitamente.

Hilzia Elane - 10/03/2011

NÃO ME FAÇA RIR: Amigo!!!!!????

por Hilzia Elane Almeida Bacellar, quinta, 10 de março de 2011 às 21:35



Sua concepção para essa relação deixa muito a desejar.

Ou será a minha concepção que é demais para quem você se tornou?


Amigo não abandona.
Não desrespeita, não ignora,
Não só procura quando há interesse.


Amigo tá junto, mesmo distante,
Se preocupa, liga, quer saber da nossa vida.
Palpita, apita, dá bronca, carinho e se faz
Presença na ausência.

Amigo não só passa torpedinho,
Escreve email no Natal, Ano Novo, Páscoa
e Aniversários.
Muito menos justifica atos ofensivos
Na soberba de palavras vãs.

Amigo não tem atitudes tiranicas e
Cruéis com verdades fabricadas a bel prazer
Para a tranquilidade de sua consciência.

Amigo não tem verdades absolutas.
Amigo ouve a verdade do outro mesmo
Não concordando com.

Amigo tem culhão para pedir desculpas e
Para saber-se errado em tratar com total descaso
A verdade de outra pessoa.

Você não é meu amigo. Não mais.
Sua concepção de amizade ficou bem aquém
De quem quero como amigo, ficou aquém até
Mesmo do amigo que já foi um dia.

Suas verdades pouco me importam
Para mim são todas imbecis, idiotas,
Dignas de pena.

Perdedor, quero pessoas vencedoras
Como amigos e você não é uma delas.
Dá pena ver no que se tornou.
Zumbi de verdades arrogantes,
Arrogância em pessoa em achar
Que ainda pode ser meu amigo.
Em achar que nada de mais aconteceu
Simplesmente porque é mais comodo
Na sua nova escolha.

Não me chame de amiga,
Não me pense amiga
Porque eu não o quero como
O falso amigo que se apresenta.

Meus momentos de idiota acabaram

Tenha um bom dia!

quarta-feira, 9 de março de 2011

MEU OLHAR PARA O DIA INTERNACIONAL DA MULHER


A aparência do número 8 nos leva ao encontro de um símbolo denominado infinito colocado em pé.

O mesmo infinito que nos embrenhamos quando falamos desse ser do gênero feminino:

A MULHER.

No dia 8 de março de 1957, eu ainda nem tinha nascido, cento e trinta corajosas tecelãs tiveram seus corpos cansados da labuta carbonizados simplesmente por reivindicarem condições de trabalho dignas de um ser humano.

Elas ousaram ter os mesmos direitos que os homens tinham na época e por eles foram massacradas com um ato covarde.

Anos mais tarde esse ato foi escolhido para ser relembrado e transformou-se o dia 8 de março o Dia Internacional das Mulheres na tentativa de homenagear essas mulheres mortas dentro do próprio trabalho, e essa data só foi oficializada pela ONU alguns anos mais tarde.

Para mim o Dia Internacional das Mulheres deveria ser um dia de reflexão individual de cada uma de nós mulheres, um dia em que esse massacre deveria ser trazido para o AGORA de cada uma de nós e relido em cada realidade, em cada corpo, mente e coração cansado de injustiça.

Poderíamos dar início com alguns questionamentos:

Como eu perpetuo a luta iniciada por essas e tantas outras mulheres para termos os nossos direitos, que abandonamos durante a História, devolvidos as nossas mãos?

Submeto-me as exigências da sociedade que pressiona ceder minha individualidade em prol da família que tenho que constituir?

Passo a ser a que resolve tudo de todos porque é esse o meu papel instituído por décadas, séculos?

Tenho que ser uma profissional com salário inferior ao meu parceiro de sessão que faz o mesmo trabalho que eu? Tenho que ser questionada pelo empregador se quero ou não ter mais filhos, sendo esse um quesito importante para que eu seja ou não contratada?

Tenho que assinar um contrato onde consta uma cláusula que não sairei do trabalho caso meus filhos adoeçam?

Tenho que deixar de ler meu livro para passar uma camisa para um marido que está sentado assistindo televisão desde que chegou e que não se perturbou com a louça acumulada dentro da pia, sabedor da minha batalha diária?

Devo me descabelar com um filho que não consegue ver meus limites, impingindo mais e mais atenção para com ele?

Ou devo dizer ao mundo, como as tecelãs fizeram com seus atos, que tenho quereres, que quero melhorar, que preciso descansar e que quero que passem minha roupa também.

Dizer que quero poder sentar para ler e não me sentir culpada por isso, que preciso também ir em frente, estar na frente, no palco ao invés de apenas nos bastidores com a tal fama de que “por traz de um homem há sempre uma grande mulher”?

O dia 8 de março deveria ser um dia em que deveríamos questionar nossas ações individuais e avaliar se não retrocedemos na caminhada árdua que o gênero feminino caminhou. Porque mulher não se iluda, ninguém além de você tem a força para reverter esse quadro. Não espere de fora mudanças que são internas porque elas não virão.

Saiba que irá encarar estranhezas, abandonos, descrenças ao querer mudar a imagem que aprendeu da sua avó, da sua mãe e instituiu como sendo a sua nas suas relações. O mais importante é não se perder de você mesma.

Um dia para pensar como respeitamos esse interior individual, se nos deixamos manipular pela mídia e pior por aqueles que dizem que nos amam incondicionalmente em nome da ordem e da moral.

Dia 8 de março é um bom dia para questionar o quanto nos tornamos infelizes por deixarmos seduzir, ser usada e abusada pela estética unicista que nos é impingida por um marketing com visão masculina?

Dia para pensar no como nos deixamos expor enquanto seres de gênero feminino quando não valorizamos o corpo que gera, amamenta, carrega, luta, cuida daqueles que querem usufruir apenas de momentos prazerosos que muitas vezes deixam um rastro de destruição na mente e coração feminino.

Quando vamos entender que não podemos ser subjugadas e sim amadas principalmente por nós mesmas e que só dessa forma não vamos mais precisar impor que sejamos respeitadas com queimas de sutiãs porque isso ficará implícito em nossas ações diárias?

Esse dia deveria ser um encontro do eu feminino e o eu masculino que habita cada uma de nós para entendermos de vez que não importa se somos mulheres ou homens no gênero. A verdadeira importância está no fato de sermos seres humanos falíveis com os mesmos anseios, mesma busca de liberdade, de encontro, com essências divinas e como tal devemos respeitar um ao outro nos direitos, nas verdades de cada um e entender também de uma vez por todas que as diferenças são o que dá o nó que precisamos dar para tecer a rede da grande humanização que estamos à procura, tanto os do gênero masculino quanto nós do gênero feminino, cada um com seus talentos natos.

Para mim mulheres esse é o dia em que devemos ir de encontro à essência que é individual e infinitamente real.

Sei que meu discurso aqui parecerá utopia para muitas e muitas vezes o é verdadeiramente utópico, por isso a importância de termos um dia para nos lembrar anualmente que temos uma missão maior e quem sabe um dia ir de encontro a uma nova realidade.



Hilzia Elane Almeida Bacellar Rio, 05 de março de 2011

sexta-feira, 4 de março de 2011

Sentir-se amado


O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama.

Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado.

Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se.

A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também?

Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.

Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. "Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho".

Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água. "Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato."

Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.

Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo.

Martha Medeiros

quinta-feira, 3 de março de 2011

MEU LUGAR


Não alcanço toda sua dimensão

Mesmo assim sinto-o imensamente

Em minha alma.


Nem sempre alcanço seus planos,

Algumas vezes me sinto tão absorvida

Que não há dúvidas de

Que és o meu destino.


Seu brilho é fascinante

Sua profundeza me assusta

Sua clareza me seduz

Fito-o e vejo o infinito

Apontando o finito do meu ser.


Adoro seu braço,

Quando me embola em um abraço.

Sempre que estou certa de que

Permanecerei neles para sempre,

Você me devolve


Como que me dizendo:

Agora não,

Outro dia, temos tempo,

Um dia, quem sabe?


Seu gosto sacia meu gozo.

Delicio-me quando me tocas

Inebrio-me com seu cheiro

Mergulhada em sua escuridão.

Acho-me em você inteira

Envolta num mundo de silêncios

De onde reconheço minha origem,

Onde me sinto pertencente e de

Onde não quer emergir a


M inha

A lma

R evolucionária

Aquela da qual tenho saudade,

Porque sem ela não há paz, alegria, beleza;

Não me há inteira, porque

Sou metade mulher/menina, metade peixe/magia

quarta-feira, 2 de março de 2011

Nem tudo entre quatro paredes vale


Acho que se pudesse escolher uma palavra essencial para um relacionamento dar certo eu escolheria "sincronia". Isso porque se você ama mais do que o rapaz te ama, a tendência é que um dia você se sinta prejudicada e o relacionamento acabe. Da mesma forma, se você for companheira dele no que ele quer fazer e ele não for no que você quer fazer isso também pode te fazer se sentir lesada no relacionamento. E vice-versa.

É preciso ter sincronia em tudo num relacionamento. Até no sexo. (Na verdade, principalmente...!)

Há algum tempo, eu estava flertando (quando a gente começa usar essas palavras antigas percebe o quanto está envelh... er... amadurecendo!) com uma garota maravilhosa. Alta, linda, loira, olhos verdes e carinha de anjo. Era meu sonho de consumo. Meiga e bonequinha. Gosto de mulheres assim, tipo personagem de filme.

Marcamos de sair para jantar e o papo foi ficando bom, e o vinho foi subindo ("in vino, veritas!") e o negócio foi esquentando e acabamos em um lugar beeem íntimo para casais.

No meio do caminho, fui pensando "Puxa, é melhor eu ir com calma, porque ela é bem meiga e eu não quero assustá-la. Quero vê-la outras vezes".

Quando fechei a porta, ela sorriu, me empurrou para a cama, subiu em cima de mim, me prendeu os braços com as pernas.

- O que eu sou sua?

E me deu um tapa no rosto.

- Fala, o que sou sua?

Fiquei com medo de dar a resposta errada e ela enfiar o dedo no meu olho. E veio outro tapa.

- Eu... hã... você...
- Fala, desgraçado!
Pela violência, achei que ela queria ouvir umas sacanagens. Então...

- Você é minha...(o que dizer?) gostosa!

- Mais!
Aquela palavra sacana não foi sacana o suficiente. Outro tapa. Ela podia ter tirado o anel, mas nem isso.

Você é minha... tesuda!

Essa palavra aí é estranha e feia, mas eu não sabia o que ela queria. Precisava experimentar outros vocábulos. Mas ah, minha filha, como, na hora do desespero, as palavras faltam...!


- Eu sou sua puta, seu tarado!

Tarado eu? A meiguinha ali escondia uma ninfomaníaca sadista e o tarado sou eu? Tempos depois, sempre que eu a encontrava, procurava baixar os olhos e medir as palavras, afinal, conhecia o potencial colérico da moça.


Confesso que fiquei meio assustado. Não sou chegado à violência, nem de brincadeira.


Nem tudo entre quatro paredes vale, principalmente porque, em uma das paredes, sempre tem uma porta, e, fora dela, há consequências. Físicas, morais e sentimentais.

Físicas porque tapinhas DOEM sim! E deixam marcas que precisarão ser justificadas.

- Chupão? Que chupão?

- Esse aí no seu pescoço.


- Foi... a Samara!


- Sua poodle? Como ela fez isso?


- Er... bem... cada pergunta, hein!? Vai dizer que seu basset nunca chupou seu pescoço?

- Nunca. Ele nem alcança.


- Nem uma vez?

- Não.

- É, a Samara não é muito carinhosa quando esqueço a ração dela...

Morais porque esses apelidinhos de cama podem não ser bem recebidos.

- Isso, minha cachorra! Não para!

- Como é?

- Como é o quê?

- Me chamou do quê?

- ...de ...cachorra...!

- (...)

- Peraí, não põe o sutiã não.

- Me guardei pra você, sabia?


- Como assim "se guardou?" A gente se conhece há uma semana!


- Não interessa! Achei que você tivesse respeito por mim. E me chama de cachorra?


- Mas é apelido de cama!

- Não gosto.

- Então tá: do que posso te chamar na cama?


- Ai, eu gosto de ouvir o meu nome no diminutivo! Me excita!


- Tá bom: te chamo de "Isadorinha". De que mais?


- Hum... também gosto de ouvir no pé do ouvido o nome da minha irmã... no diminutivo...

- ?????


- E também gosto que me chame com o nome do meu irmão no dimin... ei, aonde vai? Cê tá pelado!

E sentimentais porque, em começo de relacionamento, sempre é preciso saber onde está pisando antes de dizer algo que compromete.

- Quero te falar uma coisa.

- Fala!

- Eu te...

- Eu também te amo!

- ????

- Você me ama?

- Não era isso o que você ia dizer?

- ...eu ia dizer que te acho linda.

(Som de grilos)

O toque é levar os relacionamentos como se estivesse jogando aquele brinquedo Genius, em que uma luz de uma cor acende e você deve apertá-la. Aí ela acende de novo, seguida de outra cor, e você vai apertando na sequência, sempre aparecendo uma luz de cor diferente. Brinque de Genius com seu amor. Antes de fazer ou falar algo importante, dê uma sondada para ver se o seu amor está em sincronia com você. Se sentir que a pessoa não está preparada para ver ou ouvir aquilo naquele momento, continue agindo como de costume, mas sempre com um detalhezinho a mais. Uma hora a pessoa estará preparada para ouvir aquele "eu te amo" ou aquela sacanagem gostosa. O problema de se falar as coisas na hora errada é que, mesmo pedindo desculpas depois, o encanto pode-se perder, e as coisas não voltam a ser o que eram. Porque já diz aquele velho provérbio chinês: "Há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida".

Há alguns meses, eu me encontrei com a ninfomaníaca sadista sob o rostinho de garota meiga e bonequinha. Mas eu estava preparado para ela: tinha pesquisado um monte de termos novos na internet, a maioria deles não tenho coragem de repetir aqui.

Como foi? Não acham que estão querendo saber demais?
 
Por Edson Rossatto no seu blog http://www.toquesparamulheres.com/