Hoje numa conversa informal com meu filho tive o que chamam de um insight.
Tenho tido durante minha vida alguns episódios em que a minha forma de colocar as coisas não agradam principalmente a algumas pessoas. Ouvi muito que entendiam as minhas questões, mas a forma de eu falar, a forma de eu agir não era minha aliada.
Nesses momentos achava que era injustiçada, que eu só estava colocando o que pensava do jeito que eu era, mas realmente muitas vezes eu não conseguia me fazer entender e ao invés de agregar idéias acabava afastando as pessoas o que me deixava muito triste.
Desisti de colocar alguns pontos de vista para não causar confusão, desse modo passei a me achar inconveniente quando discordava de alguém, apesar de lá no fundo não aceitar isso. Minha auto-estima só foi diminuindo e passei a viver com algumas idéias só para mim.
Realmente eu reclamava muito de algumas coisas. Passei a perceber que quanto mais eu reclamava mais as pessoas próximas ignoravam o que eu pensava.
Tenho sim um jeito mais enfático de colocar as coisas, sou sim muito organizada em determinados assuntos, aprendi isso em criança quando precisava ter o controle das coisas para ajudar minha mãe com meus irmãos.
Engraçado é que quando era interessante eu era o máximo, mesmo com o título de autoritária.
Entendo que passo mesmo essa idéia de autoritarismo, mas ninguém nunca me perguntou o porquê de eu ser tão rigorosa com certas coisas, em certas atitudes. As minhas lógicas e as minhas idéias não eram suficientes para serem ouvidas quando eram diferentes da lógica alheia. Eu tinha que entender, mas não havia esforço para entenderem a minha lógica porque o meu jeito de colocar as coisas não agradava.
Tornei-me aquela que só reclama, a chata, a pavio curto, a que quer tudo na hora e do jeito que ela acha certo, a autoritária, a manipuladora. No fundo, no fundo eu sentia que eles podiam ter razão, mas ao mesmo tempo eu discordava , não sabia definir o que era.
Uma das coisas que podem ajudar a nós TDAH tem o nome na psicologia de Terapia Comportamental. Nela você aprende a ser socialmente aceitável, você aprende a controlar seus pensamentos e a colocar suas discordâncias de um modo mais agradável. E como ensinar a aceitar o outro? Ah, isso não existe, isso se aprende quando se dá conta dos próprios limites e como é difícil!
Hoje, tive um insight num bate-papo com meu filho ao ouvir dele mais uma vez que ele não tinha feito nada contra mim para eu falar grosseiramente com ele na hora em que eu estava pedindo que ele estendesse a roupa dele que eu tinha lavado no dia anterior e completando ele afirmou que o meu jeito de falar era chato.
Ao invés de me entristecer novamente com esse discurso clichê que cansei de ouvir, eis que eu respondo: “Não fez nada contra, mas também não fez nada a favor. Esperar o sábado, que eu devia estar descansando do trabalho da semana, para lavar suas roupas enquanto você passa a semana inteira em casa é realmente não fazer nada a meu favor”.
Aí foi que caiu a ficha e me fez vir até aqui ao meu teclado digitar essa minha descoberta que me leva para mais perto da minha liberdade. Na realidade eu reclamava não do que faziam contra e sim do que eles não faziam a meu favor. Era isso que me entristecia, me deixava pau da vida.
Eles é que nunca perceberam o quanto eu merecia a atenção carinhosa deles, o quanto eu os amava a ponto de querer tudo em ordem e que quando eu não dava conta sozinha e pedia a ajuda deles tinha que ser para aquele momento sim, porque eu estava insegura.
Na realidade o que eu queria mesmo lá no fundo é que eles notassem que eu não podia tudo sozinha, que eu como eles precisava de espaço, de carinho, que eu tinha as minhas deficiências que errava e muitas vezes sem intenção, que eu precisava de cólo de vez em quando. Queria o interesses deles pelas minhas coisas, pelas minhas limitações sem que eu necessariamente tivesse que sinalizá-las porque quando eu as fazias virava uma cobrança aos olhos deles.
Descobri que o que me fazia à chata era a mão única que investi na minha relação com eles. Era a inércia deles, intitulada de “meu tempo”, “minha lógica”, "meu espaço". Eles que conheciam muito bem a minha característica de despachada e se usavam dela. Era eu resolvendo tudo, era eu me fazendo de forte talvez e só sabendo me fragilizar de uma forma incorreta, ou quem sabe interessante para eles, pode ser.
O mais importante agora é que aos 50 anos eu entendi que a Gumercinda nunca existiu dentro de mim. Que o meu eu “chata, a reclamona” tem voz e uma lógica sim e elas tem valor e o nome dela é Hilzia e que essa lógica não vai mais se dobrar a lógica de outras pessoas, principalmente as que proclamam (as tais lógicas) nos momentos de interesse próprio nunca se deixam conhecer de verdade, porque é uma lógica que flutua de acordo com seus interesses.
Também entendo a minha responsabilidade nos não entendimentos nas relações e estou tentando ser diferente, mudar hábitos, que para mim é a coisa mais complicada, mas estou tentando e vou um dia conseguir.
Também decidi que ao meu lado só quero pessoas que troquem vida, onde as relações sejam sempre de mão dupla, quero sim é interagir lógicas claras, quero ser aceita com meus erros e acertos, até porque o certo e o errado são relativos. Caso não encontre esse tipo de relacionamento aprendi a ser superficial também e a não mais sofrer por isso, aliás não mais sofrer por nada e ninguém.
Hilzia Elane – 21.03.2010
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