terça-feira, 23 de março de 2010

CAMINHO

Numa direção enevoada
Meu ser caminha...
Vacilante
Suplicante
Temeroso

Vislumbra na saudade uma claridade em meio às brumas
Quando encontra a luz dos teus olhos de menino
A me fitar com um terno sorriso
De aceitação, desprovido de violação.

Logo, esse teu olhar se esvai e sigo
Desencantada,
Desatinada
Desorientada
O caminho escolhido-imposto-aceito-ponderado

Revejo conceitos
Reviro lembranças
Entrego-me a devaneios
Que me levam novamente ao encontro
De teus olhos de menino em meio à névoa,

Fitando-me doce, sedento,
Querendo-me no agora.
Esses olhos que penetram vagarosamente minha alma
Desnudando-a.

Alimentam minha esperança
De que em algum momento
Minha caminhada será
Desviada para um atalho
Que me levará a teus braços novamente

Para lá permanecer calada
Quieta, enebriada...
Presenciando a passagem do tempo pelo vento
E aos poucos nos libertaremos das brumas impostas
Para apaixonadamente vivermos essa paixão libertina,

Socialmente não aceita.
E eternamente criança
Que foi desperta
Muito antes do início
E que nunca ousamos esquecê-la.

Victória Charpeê – 10.05.2008

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