sexta-feira, 26 de agosto de 2011
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
terça-feira, 2 de agosto de 2011
HARRY PORTTER – 1
Em um dos dias de 1997 e sem saber que estava grávida da minha Amanda, entrei em uma livraria para bisbilhotar as novidades. Meu filho iria completar onze anos e como era aficionado, como nós, por livros pensei que se houvesse algo novo (era difícil achar algo que ele ainda não tivesse lido) nas prateleiras, um livro seria um ótimo presente.
Então ao finalizar o rodopio pela bancada dos lançamentos Harry me olhou e gritou: “dá uma lidinha aqui”. O fato de ser uma estória sobre bruxos foi o que realmente despertou minha curiosidade e me fez retirá-lo da pilha de seus outros iguais e iniciar a leitura da sua orelha, onde havia um resumo da aventura.
Meu filho adorava e ainda adora livros de vampiros, magias, mundo mágico e assombrado, aventuras onde os personagens interagiam com ele e ele podia se transformar em um deles. Sempre, desde pequeno se integrava totalmente ao contexto da estória seja qual fosse que estivesse ouvindo ou lendo. Sua imaginação era livre, leve e solta. Não é a toa que é o Mestre dos Mestres nos jogos de RPG que compartilha com os amigos até hoje.
Conhecido por toda a galera como o ELFO (nome de um dos seus personagens) incorporado como se fosse seu nome de batismo. Às vezes isso me assustava, porque havia momentos em que ele vive mais no virtual do que no real. Com a maturidade isso melhorou, eu disse melhorou.
Enfim, retornando ao Porter, resolvi levá-lo para casa e apresentá-lo em forma de presente ao meu filho.
Harry Potter tornou-se uma febre entre ele, o pai, amigos e primos. Depois desse livro um vieram os outros, primeiro em inglês e depois, quando era lançado em português, a mesma estória era adquirida. Ficavam em fila de espera, de pré-venda. Isso sem falar nos filmes que começaram a ser lançados assistidos nos cinemas e levados para casa em DVD e virar o filme diário durante meses.
As conversas em qualquer lugar giravam em torno do mundo Harryano e sua turma. Buscava-se o que o site oficial anunciava, discutia-se o que deveria ser e o que não deveria ser no próximo livro, a vida do livro pulou para a vida de cada um.
A impressão que me dava é de que eles eram estudantes da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, tamanha a interação com esse mundo que eles incorporavam no seu dia-a-dia e eu era uma “trouxa”. Na estória é colocada essa possibilidade: a de termos bruxos disfarçados ao redor dos trouxas (quem não é bruxo).
Comecei a achar um saco esse papo o tempo todo, parei de ler a série (fui até o volume dois) e passei a observar de fora meu filho crescendo em volto as aventuras de Hogwarts.
Em uma festa de anime ele foi fantasiado de Harry Potter, ele adorava essa festa de anime e como eu já disse a imaginação dele corria solta. A avó foi envolvida na confecção da fantasia que ficou bem legal.
Tenho uma sábia amiga com mais de 90 anos que diz que tudo em excesso é desgoverno, e ela tem alguma razão nessa máxima, mas em algumas idades isso faz parte.
Aí é que fiquei mesmo fora do assunto que em uma festa, almoço familiar, um descanso, passeio de carro era o pointer. Claro ficava mal-humorada, fechava a cara, ligava o out e quando tentava mudar o assunto era encarada com olhares reprovadores de todos. Passei a me ausentar e me afastar de uma estória intrigante e bem legal que poderia ter de mim uma leitura muito diferente do que uma criança ou adolescente teriam.
Só vim resgatar esse contato com Harry anos mais tarde. Coisa de mulher prática, envolvida com a realidade nada fácil, mas não necessariamente que opta pelo melhor da vida ou até mesmo que possa optar por alguma coisa diferente do dia-a-dia.
Após os 18 anos essa coisa em volta do mundo de Harry começou a diminuir na rotina do meu filhote. Hoje ele vai assistir quando têm tempo e aquelas coisas de pré-estréia, pré-venda terminou.
Acho que também acabaram outros encantos com uma ausência importante que vibrava com ele nos jogos, livros, filmes, coisa que eu não fazia e isso também acabaram levando Harry de volta para dentro dos livros e filmes. Acabou a magia que havia em partilhar o irreal com uma pessoa real importante para ele.
Ficou apenas a fria e sinistra realidade sem a magia do amor o que cristaliza qualquer movimento mágico e a vida segue insossa, tendo apenas que ser vivida.
Tenho certeza que isso é temporário porque Harry e suas aventuras são eternos e em breve darei ao meu neto/a o primeiro volume dessa grande aventura e aí a saga continuará com o meu filho interpretando outro papel e tenho certeza de que se lembrará dos exemplos que teve e vai se esforçar para ficar melhor mantendo a essência do que viveu naqueles dias e isso vai levá-lo de volta ao castelo de Hogwarts para viver com o filho/a novas e vibrantes aventuras marcando a realidade de magias inesquecíveis.
Agosto 2011
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